“Uma mãe que esconde a filha entre pilhas de caixas não tem moral para continuar neste emprego”, disparou Brenda, a gerente, apontando para o meu uniforme.

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Chapter 3

Naquela noite, não consegui dormir.

Fiquei sentada na cama, olhando para Paige no berço improvisado ao lado, repassando cada detalhe da nossa fuga. Dois anos atrás, eu tinha ido embora de madrugada, sem deixar bilhete, sem dizer para onde ia. Achei que tinha sido cuidadosa o suficiente.

Achei errado.

Cheguei ao Grandview antes do horário normal. Alexander já estava lá, em pé perto da entrada dos funcionários, como se estivesse esperando por mim.

“Ele ligou de manhã cedo”, disse Alexander, sem rodeios. “Confirmou que vem hoje à tarde.”

Minhas mãos começaram a tremer.

“Eu não posso vê-lo”, falei. “Se ele me encontrar, se ele descobrir onde moramos…”

“Ele não vai descobrir nada”, Alexander interrompeu. “Vou lidar com isso pessoalmente. Você fica na cozinha, longe da entrada principal, e eu cuido do resto.”

“Por que está fazendo isso?”, perguntei, incapaz de me conter. “Você mal me conhece.”

Ele hesitou por um instante, os olhos fixos em algum ponto distante.

“Porque eu sei o que é crescer numa casa onde ninguém interfere”, ele disse finalmente. “E jurei que, se algum dia tivesse o poder de mudar isso para alguém, eu mudaria.”

Não tive tempo de perguntar mais nada, porque Paige escolheu aquele momento para acordar chorando na bolsa, e o dia de trabalho engoliu tudo.

A tarde chegou rápido demais.

Eu estava organizando talheres na cozinha quando ouvi a voz dele.

Derek.

Reconheceria aquela voz em qualquer lugar — o tom calmo por fora, cheio de ameaça por dentro.

“Estou aqui para ver Alexander Remington”, ele disse ao segurança da entrada. “E também estou aqui para buscar minha filha.”

Meu corpo travou.

Espiei pela porta entreaberta da cozinha e vi Derek parado no salão principal, terno impecável, sorriso ensaiado, exatamente como eu me lembrava. Alexander desceu as escadas devagar, sem pressa nenhuma, como se tivesse todo o tempo do mundo.

“Sr. Sanders”, disse Alexander, estendendo a mão. “Não esperava vê-lo pessoalmente.”

“Preferi resolver isso cara a cara”, Derek respondeu, apertando a mão dele com falsa cordialidade. “Soube que você anda… protegendo uma funcionária minha.”

“Ela não é sua funcionária”, Alexander respondeu, o tom ainda calmo, mas com um fio de aço por baixo. “E, pelo que sei, ela também não é mais nada sua.”

Derek riu, um som seco e sem humor.

“Ela fugiu com minha filha sem dizer uma palavra”, disse ele. “Tenho todo o direito de buscá-la de volta.”

“Você tem o direito de entrar com um processo, se acha que tem razão”, Alexander respondeu. “O que você não tem é o direito de aparecer no meu restaurante fazendo ameaças veladas.”

O rosto de Derek endureceu.

“Isso não é da sua conta, Remington.”

“Fiz questão de que fosse”, Alexander disse. “Descobri, por exemplo, que você usou informações privilegiadas para tentar comprar um terreno que eu já tinha negociado, há dois anos. Também descobri, esta manhã, que você pagou a uma ex-funcionária minha para vigiar Hannah Albright.”

O salão inteiro pareceu ficar em silêncio.

“Não sei do que você está falando”, Derek disse, mas a voz vacilou.

“Sei que sabe”, Alexander respondeu. “E tenho os registros bancários que provam.”

Da cozinha, eu mal conseguia respirar.

Derek deu um passo à frente, a máscara de calma começando a rachar.

“Você não tem ideia do que está fazendo”, ele disse, baixo, quase um sussurro. “Hannah levou minha filha embora sem meu consentimento. Isso é sequestro.”

“Isso é uma mãe protegendo a filha de um homem que ela teve medo de ficar perto”, Alexander respondeu, sem hesitar. “E, pelo que já apurei sobre você, ela tinha bons motivos.”

Foi então que Derek olhou diretamente para a cozinha.

Diretamente para onde eu estava escondida.

E sorriu.

“Hannah”, ele chamou, a voz doce demais, do jeito que eu me lembrava dos piores dias. “Sei que você está aí. Venha dizer olá.”

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