Uma única palavra descuidada transformou a sala mais perigosa e privada de Manhattan num cemitério de silêncio.

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Chapter 4

O aviso de Damian se provou verdadeiro mais rápido do que qualquer um de nós esperava.

Uma semana depois, saindo do turno noturno no Obsidian Room, percebi um carro estranho estacionado perto da entrada de serviço, os faróis apagados, mas o motor ligado.

Ignorei, tentando não deixar a paranoia tomar conta de mim, e caminhei rapidamente até a estação de metrô.

Foi só ao chegar em casa, encontrando a porta do meu apartamento entreaberta, que o pânico realmente tomou conta.

— Sarah? — chamei, o coração disparado, entrando devagar.

O apartamento estava vazio, mas revirado — gavetas abertas, papéis espalhados pelo chão, como se alguém tivesse procurado por algo específico.

Sobre a mesa da cozinha, havia um bilhete, escrito à mão, em letra elegante demais para pertencer a um assaltante comum.

“Diga ao Moretti que ele não é o único que sabe onde encontrar o que importa para o outro.”

As mãos me tremeram tanto que quase deixei o celular cair ao ligar para Damian.

— Evie? — ele atendeu imediatamente, a voz tensa. — O que aconteceu?

— Alguém entrou no meu apartamento. Tem um bilhete, Damian. Eles sabem quem eu sou, sabem onde eu moro.

— Não toque em mais nada. Estou a caminho.

Vinte minutos depois, Damian chegou com três seguranças, revistando cada cômodo do apartamento com uma eficiência que só aumentava meu medo.

— Isso é Lucas — ele confirmou, examinando o bilhete com um rosto sombrio. — Ele está mandando uma mensagem clara: se eu não recuar de Brooklyn, ele vai atrás de você para chegar até mim.

— Eu nunca pedi para fazer parte disso — falei, sentindo lágrimas ameaçarem escapar pela primeira vez desde que tudo aquilo tinha começado.

— Eu sei — respondeu Damian, se aproximando, a voz mais suave do que eu jamais tinha ouvido dele. — E eu vou consertar isso, Evie. Eu prometo.

— Como? Ele já sabe onde eu moro, provavelmente sabe onde a Sarah e a Lily estão também.

O rosto de Damian escureceu com uma fúria contida.

— Sua irmã e sua sobrinha já estão sendo levadas para um lugar seguro nesse exato momento. E você vai ficar numa das minhas propriedades até isso se resolver completamente.

— Damian, eu não posso simplesmente desaparecer da minha vida…

— Você não tem escolha agora, Evie — ele cortou, sério. — Lucas não é um homem que blefa. Se ele descobriu onde você mora, ele não vai hesitar em usar você como forma de me atingir.

Fui levada, ainda tremendo, para uma casa discreta no Upper East Side, onde encontrei Sarah e Lily já instaladas, protegidas por mais homens de Damian.

— Evie, isso está fora de controle — sussurrou Sarah, assim que ficamos sozinhas por um momento. — Você precisa se afastar desse homem, não importa quantas cirurgias ele pague.

— Eu sei — admiti. — Mas agora já é tarde demais para simplesmente desaparecer, Sarah. Ele sabe quem somos.

Naquela noite, Damian voltou, sozinho, encontrando-me sentada na varanda, incapaz de dormir.

— Como você está? — perguntou, sentando-se ao meu lado.

— Assustada. Confusa. Brava com você por ter me colocado nessa posição, mas também… — hesitei — grata, de um jeito estranho, por você estar tentando consertar isso.

— Eu vou resolver isso com Lucas, de uma vez por todas — ele disse, a voz carregando uma determinação fria. — Mas preciso que você entenda uma coisa antes: depois de amanhã, não vai ter mais como voltar atrás para nenhum de nós dois.

— O que você vai fazer?

— O que deveria ter feito há anos, em vez de manter uma paz frágil com um homem que nunca respeitou limite nenhum.

— Isso significa guerra.

— Significa proteção — corrigiu ele. — Para você, para sua família, e para qualquer pessoa inocente que Lucas decida usar como peão no futuro, se eu não agir agora.

Olhei para ele, percebendo o quanto aquela decisão pesava sobre seus ombros, mesmo escondida atrás de tanta calma controlada.

— Tem medo? — perguntei, baixinho.

— Todos os dias — ele admitiu, surpreendendo-me com a sinceridade. — Mas hoje, pela primeira vez em muito tempo, tenho mais medo de perder alguém do que de enfrentar Lucas Russo.

Ele segurou minha mão, gentil, e, apesar de todo o perigo ao nosso redor, aquele gesto simples trouxe um tipo de calma que eu não sentia desde antes daquela noite no Obsidian Room.

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