Chapter 4
Nos dias seguintes, um silêncio tenso tomou conta da Mansão Dwarte.
Isabel se desculpou, como Rafael tinha exigido — mas as palavras saíram vazias, ensaiadas, ditas com os olhos fixos em algum ponto atrás de Marisol, nunca diretamente nela.
Marisol aceitou o pedido de desculpas porque era o que se esperava dela, mas sentiu, com clareza, que nada tinha realmente mudado dentro de Isabel.
A gala de noivado, no entanto, não podia ser cancelada com tão pouca antecedência — trezentos convidados já confirmados, incluindo sócios importantes da família Dwarte e do pai de Isabel.
Rafael decidiu seguir em frente com o evento, mas algo nele parecia diferente.
Mais observador.
Mais cauteloso.
Na noite da gala, Marisol foi escalada para servir no salão principal, apesar de tudo — uma decisão que Isabel claramente não esperava, e que fez seu rosto se contrair de irritação mal disfarçada quando a viu entrar com a bandeja de taças.
“Achei que você tivesse decidido dar um tempo dela”, Isabel sussurrou para Rafael, entre sorrisos forçados para os convidados.
“Ela trabalha aqui”, Rafael respondeu, também sorrindo para os convidados, mas com a voz gelada. “Isso não muda porque você não gosta dela.”
No meio da festa, um dos sócios do pai de Isabel, um homem chamado Harlan Voss, puxou Rafael para uma conversa reservada perto do bar.
“Soube de uns rumores estranhos essa semana”, disse Harlan, baixando a voz. “Algo sobre a Isabel e um incidente com uma funcionária. Verdade?”
Rafael hesitou, calculando o quanto revelar.
“É verdade”, ele disse finalmente. “E não é o único incidente que veio à tona.”
Harlan ergueu as sobrancelhas.
“Como assim?”
“Digamos que, depois de conversar com o restante da equipe, descobri que o comportamento da Isabel com os funcionários já era um padrão conhecido há meses”, Rafael disse. “Só que ninguém tinha coragem de me contar antes.”
Harlan ficou em silêncio por um momento, olhando para o outro lado do salão, onde Isabel ria alto demais com um grupo de convidados, o diamante brilhando sob a luz dos lustres.
“Isso é preocupante, Rafael”, ele disse finalmente. “Não é o tipo de característica que a gente quer ver em alguém prestes a representar publicamente duas famílias.”
A conversa foi interrompida por um estrondo vindo do outro lado do salão — uma bandeja de taças caindo no chão, vidro se espalhando pelo mármore.
Marisol.
Isabel tinha esbarrado nela de propósito, o gesto rápido demais para ser acidente, e agora encarava Marisol com um sorriso satisfeito enquanto os convidados ao redor sussurravam.
“Cuidado, querida”, Isabel disse, alto o suficiente para todos ouvirem. “Sei que carregar coisas não é exatamente o seu forte.”
Um silêncio constrangedor tomou conta do salão.
Rafael atravessou a multidão em segundos, parando ao lado de Marisol, ajudando-a a se levantar antes mesmo de olhar para Isabel.
“Você está bem?”, ele perguntou, a voz suave, completamente diferente do tom que usava com Isabel.
“Estou”, Marisol sussurrou, envergonhada com todos os olhos sobre ela.
Rafael se virou para Isabel, e o salão inteiro pareceu prender a respiração.
“Você acabou de fazer isso na frente de trezentos convidados”, ele disse, a voz baixa, mas carregada de uma fúria contida que todos puderam sentir. “Parabéns. Você mesma acabou de provar tudo que eu já sabia.”
