A garrafa de champanhe ainda estava gelada na minha mão quando ouvi Chloe rindo atrás da porta entreaberta do quarto de Nico Casaro.

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Chapter 1

A garrafa de champanhe ainda estava gelada na minha mão quando ouvi Chloe rindo atrás da porta entreaberta do quarto de Nico Casaro.

Minha melhor amiga.

A mesma mulher que tinha me ajudado a escolher o vestido dois dias antes.

Depois veio a voz de Nico.

“Ela nunca ia me fazer esperar para sempre. Garotas como a Myra sempre pagam as dívidas delas, mais cedo ou mais tarde.”

Meus dedos se apertaram ao redor da garrafa.

Oito meses antes, meu pai tinha levado um tiro do lado de fora de um restaurante no Brooklyn, no meio de uma disputa violenta de negócios. Ele sobreviveu, mas as cirurgias, os especialistas, a fisioterapia deixaram minha família soterrada em dívidas.

Foi aí que Nico apareceu.

Ele me disse que a família dele ia cobrir tudo.

Eu chorei no peito dele e agradeci até quase não conseguir mais falar.

Gratidão virou carinho.

Carinho virou confiança.

E confiança virou amor.

Foi então que Chloe fez a pergunta que mudou tudo.

“Ela acha que você pagou as contas do pai dela.”

Nico riu.

“Eu deixei ela pensar isso.”

Meu estômago despencou.

“Então quem pagou de verdade?”

“Meu pai. O Leo se sentiu culpado porque o pai dela levou um tiro que era pra ser pra um dos homens dele.”

Leo Casaro.

Pai de Nico.

Um homem tão poderoso que até policiais evitavam falar o nome dele em voz alta.

Eu tinha encontrado com ele só algumas vezes, em jantares formais. Ele sempre foi controlado, distante, e assustadoramente observador.

Ele nunca tinha assumido o crédito por ter ajudado minha família.

Nico tinha ficado com tudo.

Foi então que veio o golpe final.

“Começou como uma aposta, na real,” Nico disse. “Dez mil dólares dizendo que eu conseguia levar a virgenzinha agradecida pra cama antes do Natal.”

Alguma coisa dentro de mim congelou.

Eu não gritei.

Eu não abri a porta.

Só coloquei a champanhe numa mesinha do corredor, tirei os saltos, e fui embora.

Nico sempre tinha me dito para nunca entrar na ala oeste da casa.

Era lá que o pai dele resolvia “negócios”.

Então, naturalmente, foi exatamente para lá que eu fui.

Uma luz quente escapava por baixo de um par de portas de madeira escura.

Eu abri sem bater.

Leo Casaro ergueu os olhos de trás de uma mesa enorme de nogueira.

O paletó dele estava jogado numa cadeira, fios prateados tocavam as bordas do cabelo escuro, óculos de leitura descansavam baixos no nariz. Um copo de uísque estava ao lado da mão dele.

Os olhos dele percorreram meu corpo uma vez.

Pés descalços.

Vestido vermelho.

Saltos pendurados nos meus dedos.

Um rosto calmo demais para o que tinha acabado de acontecer.

“Myra,” ele disse baixinho. “Você está na parte errada da casa.”

“Estou?”

Os olhos dele se estreitaram.

“O Nico sabe que você está aqui?”

“O Nico está ocupado.”

“Com?”

“Minha melhor amiga.”

O escritório ficou completamente parado.

Leo tirou os óculos devagar.

E pela primeira vez desde que eu o conhecia, vi arrependimento cruzar o rosto de um homem que todo mundo chamava de sem coração.

“Sinto muito.”

Aquelas duas palavras quase me quebraram.

Porque o temido chefe da máfia soou mais sincero do que o filho dele jamais tinha soado.

“Eu não vim aqui atrás de desculpas,” eu disse.

Leo me observou.

“Então por que veio?”

Eu me aproximei da mesa dele.

“Para agradecer.”

Os dedos dele se apertaram ao redor da caneta.

“Por quê?”

Encarei os olhos dele.

“Por salvar a vida do meu pai… e por nunca ter fingido que fez isso pra eu ficar te devendo alguma coisa.”

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