A garrafa de champanhe ainda estava gelada na minha mão quando ouvi Chloe rindo atrás da porta entreaberta do quarto de Nico Casaro.

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Chapter 4

Nos encontramos num café pequeno, longe do bairro onde os Casaro normalmente circulavam, um lugar que Leo escolheu especificamente por sua discrição.

Ele já estava sentado quando cheguei, sem o terno impecável de sempre, vestindo apenas uma camisa simples que o fazia parecer, de alguma forma, mais humano do que eu jamais tinha visto.

“Obrigada por vir,” ele disse, se levantando ligeiramente quando me aproximei da mesa.

“Você que pediu para eu vir,” respondi, sentando-me na cadeira à frente dele.

“Ainda assim, você poderia ter recusado.” — ele observou, um leve sorriso tocando os lábios.

Conversamos sobre coisas simples no início — meu pai, a recuperação dele, como as coisas estavam correndo no meu trabalho. Era estranhamente fácil conversar com Leo, algo que eu nunca tinha experimentado com Nico, mesmo nos melhores momentos do nosso relacionamento.

“Posso te perguntar uma coisa?” — eu disse, depois que o garçom trouxe nosso café.

“Claro.”

“Por que você nunca contou a verdade? Sobre ter pago as contas do meu pai?”

Leo ficou em silêncio por um momento, os dedos girando a xícara na mesa. “Porque eu não fiz aquilo esperando reconhecimento. Fiz porque era a coisa certa a fazer.”

“Mas você deixou Nico levar o crédito,” eu disse. “Por que permitir isso?”

“Porque eu não sabia que ele estava usando aquilo para te manipular,” Leo respondeu, a voz carregando um peso genuíno de arrependimento. “Se eu soubesse, teria interferido muito antes.”

Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou com uma mensagem de Nico: “Precisamos conversar. É sobre meu pai e você. Encontro amanhã na festa de aniversário da família. Todo mundo vai estar lá.”

Mostrei a mensagem para Leo, que franziu a testa ao ler.

“Ele está planejando alguma coisa,” Leo disse, a preocupação evidente em sua voz.

“Que tipo de coisa?”

“Conhecendo meu filho,” Leo respondeu, “provavelmente algo público, algo que force você a escolher um lado na frente de pessoas importantes.”

“E se eu simplesmente não for?” — perguntei.

“Ele vai encontrar outro jeito de causar problemas,” Leo disse. “É melhor enfrentarmos isso de frente, nos nossos termos.”

Percebi, pela primeira vez, que Leo tinha dito “nossos termos”, como se já tivéssemos nos tornado uma equipe sem perceber completamente quando isso tinha acontecido.

“Você vai comigo?” — perguntei, surpresa com a própria pergunta.

“Se você quiser,” ele respondeu, os olhos sérios. “Mas Myra, preciso que você entenda uma coisa antes de decidir.”

“O quê?”

“Se eu for com você àquela festa, ao lado dele, todo mundo vai perceber o que realmente sinto,” Leo disse, a voz baixa, quase vulnerável de um jeito que eu nunca tinha visto no homem mais temido da cidade. “E isso vai criar um problema muito maior do que uma aposta cancelada.”

Meu coração acelerou ao entender completamente o que ele estava admitindo.

“Leo…”

“Eu sei que é loucura,” ele continuou, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. “Você era a namorada do meu filho. Isso é… complicado, no mínimo.”

“Complicado,” eu concordei, “mas não impossível.”

Ele ergueu os olhos para mim, surpreso com minha resposta, e por um longo momento, ficamos apenas nos olhando, ambos entendendo que algo tinha mudado entre nós de forma irreversível.

“Vou com você amanhã,” ele disse finalmente. “E vamos enfrentar o que quer que Nico esteja planejando, juntos.”

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