A garrafa de champanhe ainda estava gelada na minha mão quando ouvi Chloe rindo atrás da porta entreaberta do quarto de Nico Casaro.

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Chapter 3

Nico ficou parado no meio da sala, os punhos cerrados, os olhos alternando entre mim e seu pai como se estivesse tentando decifrar um quebra-cabeça que se recusava a fazer sentido.

“Você está com pena dela,” Nico disse finalmente, a voz carregada de acusação. “É isso?”

“Eu estou fazendo o que deveria ter feito há oito meses,” Leo respondeu, a voz firme. “Contando a verdade para ela sem esconder atrás do seu orgulho.”

“Isso não tem nada a ver com orgulho,” Nico retrucou. “Ela é minha namorada.”

“Era,” eu disse, a palavra saindo mais forte do que eu esperava.

O silêncio que se seguiu foi pesado o suficiente para cortar.

“Myra,” Nico disse, a voz suavizando instantaneamente, aquele charme calculado que eu tinha confundido com amor por tanto tempo. “Você não pode simplesmente terminar tudo por causa de um mal-entendido.”

“Mal-entendido?” — repeti, incrédula. “Você fez uma aposta sobre me levar pra cama, Nico. Não existe mal-entendido nisso.”

“Foi antes de eu realmente te conhecer,” ele insistiu, dando um passo à frente. “As coisas mudaram entre nós.”

“Mudaram o suficiente para você continuar mentindo sobre quem realmente salvou meu pai?” — perguntei, vendo-o hesitar pela primeira vez.

Leo observava tudo em silêncio, mas eu podia sentir a tensão crescendo nele a cada palavra que Nico dizia.

“Eu deixei ela acreditar naquilo porque…” — Nico começou, mas parou, incapaz de terminar a mentira que já tinha sido exposta.

“Porque você queria o crédito sem ter feito nada para merecê-lo,” Leo terminou por ele, a decepção em sua voz mais afiada que qualquer grito.

Nico se virou para o pai, a raiva finalmente explodindo através da fachada controlada. “Você sempre faz isso. Sempre me faz parecer menor perto de você.”

“Eu não preciso fazer nada para isso acontecer,” Leo respondeu, calmo, mas cortante. “Você consegue sozinho, toda vez que escolhe mentira em vez de verdade.”

Decidi que já tinha ouvido o suficiente daquela discussão entre pai e filho, uma briga que claramente vinha crescendo havia anos, muito antes de mim.

“Eu vou para casa,” eu disse, me virando novamente em direção à porta.

“Myra, espera,” Leo disse, seguindo alguns passos atrás de mim. “Pelo menos deixa eu providenciar um carro para você.”

“Eu consigo cuidar de mim mesma,” respondi, mas a voz saiu mais cansada do que determinada.

“Eu sei que consegue,” ele disse, algo gentil na voz dele que me fez parar de novo. “Mas você não precisa fazer isso sozinha só porque meu filho é um idiota.”

Um riso pequeno e surpreso escapou de mim, o primeiro desde a noite anterior.

Nos dias seguintes, Nico tentou entrar em contato inúmeras vezes — ligações, mensagens, até flores entregues no meu apartamento com cartões cheios de desculpas vazias.

Eu ignorei tudo.

Leo, por outro lado, mantinha distância respeitosa, apenas garantindo através de mensagens curtas e formais que eu estava bem, que precisava de alguma coisa, que a família continuaria honrando o compromisso com o tratamento do meu pai independente do que acontecesse entre mim e Nico.

Foi numa dessas trocas de mensagens que ele finalmente escreveu algo diferente: “Eu gostaria de te ver. Não para falar sobre o Nico. Só para garantir que você está realmente bem.”

Fiquei olhando para aquelas palavras por um longo tempo, sentindo algo se mexer dentro de mim que eu não sabia se tinha o direito de sentir.

Respondi que sim.

E assim, sem perceber completamente, comecei a caminhar em direção a algo que mudaria tudo entre mim e a família Casaro para sempre.

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