— Finge que é minha esposa. Dança comigo agora.

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Chapter 1

— Finge que é minha esposa. Dança comigo agora.

O estranho ao lado da minha cadeira disse aquilo como se fosse uma ordem, a mão estendida na minha direção enquanto meu ex-marido observava do outro lado do salão, ao lado da prima que ele tinha se casado depois de me abandonar grávida.

Três minutos antes, eu estava segurando as lágrimas sozinha na Mesa Doze.

O casamento da minha irmã Sophia ocupava o último andar do Bellmont Grand, com vista pro rio Chicago, rosas brancas, lustres de cristal e duzentos convidados vestidos melhor do que eu me sentia. Meu lugar ficava perto da porta da cozinha, no que minha prima Sandra chamava de “área extra da família”.

A noite inteira, eu aguentei perguntas sobre por que tinha vindo sozinha.

Minha mãe suspirou durante o coquetel:

— Você podia ter trazido alguém, Jessica.

— Não estou namorando ninguém.

— Isso não é algo que você devia anunciar com tanta naturalidade.

Minha filha de cinco anos, Lily, tinha ficado em casa com minha melhor amiga porque me disseram que crianças poderiam ser “difíceis” na recepção. Lily chorou quando soube que não podia usar o vestido vinho de brechó que a gente tinha escolhido juntas, então prometi trazer um pedaço de bolo pra ela.

Essa promessa foi o único motivo de eu ainda estar ali.

Foi quando Tyler Brooks apareceu perto da minha mesa.

— Dança comigo, Jess.

— Não.

Ele sorriu daquele jeito que um dia me convenceu de que me amava.

— Vamos lá. Somos família.

— Você casou com minha prima. Isso não faz a gente ser família.

A esposa grávida dele, Vanessa, estava por perto, uma mão sobre a barriga.

Tyler baixou a voz.

— Você sempre pune as pessoas por seguirem em frente.

— Você foi embora três dias depois de eu te contar que estava grávida.

— Eu tinha vinte e quatro anos.

— Eu também tinha.

— Você escolheu manter o bebê.

— Nossa filha tem nome.

Ele olhou pro meu vestido de loja de departamento, pros meus sapatos remendados duas vezes.

— Você ia virar médica. Em vez disso, trabalha dobrado e cria uma criança num apartamento de um quarto.

— Sou enfermeira pediátrica. Salvo a vida de crianças.

— E mal consegue pagar suas contas.

As palavras pesaram mais do que eu queria admitir.

Aí ele completou:

— Eu e a Vanessa somos diferentes. Ela não jogou o futuro dela fora.

Ele voltou pra perto dela.

Vanessa olhou direto pra mim, colocou as duas mãos ao redor da barriga e sorriu.

Sentei antes que meus joelhos cedessem.

Foi quando notei o homem perto do bar.

Alto, ombros largos, talvez uns quarenta e dois anos, cabelo escuro, uma cicatriz no queixo. Homens se aproximavam dele com cautela, mulheres o observavam abertamente, e de alguma forma ele parecia ao mesmo tempo separado do salão inteiro e completamente no controle dele.

Então ele caminhou até mim.

Agora a mão dele estava estendida.

— Você nem sabe meu nome — sussurrei.

— Jessica Hale. Vinte e nove anos. Enfermeira pediátrica. Mãe da Lily, cinco anos. Irmã mais velha da noiva.

Meu pulso disparou.

— Como você sabe disso tudo?

Os olhos âmbar dele passaram rápido por Tyler.

— Porque agora mesmo, você precisa de um aliado tanto quanto eu.

— Isso é loucura.

— Provavelmente.

— Por que você precisa de uma esposa falsa?

— Minha tia está tentando me casar com a filha de um sócio.

Olhei pra uma morena elegante que nos observava como se quisesse me apagar do mapa.

— Isso parece inconveniente.

— Ela concorda com o arranjo.

Ele estendeu a mão de novo.

— Se eu dançar com outra mulher, minha família acha que estou resistindo. Se eu apresentar uma esposa que eles não sabiam que existia, a discussão acaba.

— Você espera que eles acreditem que você se casou em segredo com uma estranha?

— Eu espero que as pessoas acreditem no que eu digo.

Alguma coisa no jeito calmo que ele disse aquilo apertou meu estômago.

— Qual é o seu nome?

— Giovanni Fierro.

Na mesa ao lado, um homem mais velho parou de falar imediatamente.

A esposa dele baixou a taça de champanhe.

Eu notei.

Giovanni notou que eu tinha notado.

— Esse nome deveria significar alguma coisa pra mim?

— Não hoje.

A orquestra mudou pra uma música lenta.

Giovanni olhou por cima do meu ombro.

— Seu ex-marido está olhando.

Olhei pra trás.

Tyler estava encarando.

— A mulher que minha tia escolheu também está — Giovanni completou. — Temos uns dez segundos antes que isso pare de ser convincente.

— Você está contando?

— Nove.

Mesmo contra minha vontade, quase sorri.

— Oito.

Olhei pra mão dele.

Depois pro Tyler.

Depois pra expressão convencida da Vanessa.

— Sete.

Coloquei minha mão na de Giovanni.

Os dedos dele se fecharam ao redor da minha.

E de repente, todas as pessoas que sabiam exatamente quem era Giovanni Fierro começaram a se virar na nossa direção.

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