— Finge que é minha esposa. Dança comigo agora.

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Chapter 4

Giovanni conheceu Lily num domingo de tarde, no parquinho perto do nosso apartamento, sem terno, sem nenhum daqueles homens de suéter apertado que normalmente andavam com ele a alguns passos de distância.

— Ela vai gostar de mim? — ele perguntou, genuinamente nervoso, um homem que aparentemente não hesitava diante de nada, exceto uma criança de cinco anos.

— Ela gosta de qualquer pessoa que empurre o balanço no ritmo certo. Você consegue empurrar um balanço, Giovanni?

— Acho que sim.

Ele conseguia, e muito bem, e em vinte minutos Lily já estava rindo alto o suficiente pra chamar atenção das outras mães no parque.

— Ele é seu namorado? — Lily perguntou depois, no caminho de volta pra casa, a mãozinha dela na minha, olhando de rabo de olho pra Giovanni, que caminhava alguns passos atrás, dando espaço de propósito.

— Ele é um amigo especial, amor.

— Ele empurra balanço melhor que o Tyler.

Aquilo doeu e alegrou ao mesmo tempo, de um jeito complicado que só quem cria filho sozinho entenderia.

Enquanto isso, Renata não desistia.

Ela contratou um investigador particular, tentando provar que o casamento era falso, que eu era uma “golpista aproveitadora”, palavras que ela usou abertamente numa ligação que Giovanni acidentalmente deixou no viva-voz.

— Sua tia realmente me odeia — falei, depois de ouvir aquilo.

— Minha tia odeia qualquer coisa que ela não controla.

— E a Isabella?

— Isabella está brava porque perdeu o acordo que garantiria à família dela acesso aos nossos contratos de importação. Não é sobre mim. Nunca foi.

Um mês depois da ligação, Renata apareceu no meu trabalho, elegante e fria como sempre, esperando por mim na saída do plantão.

— Vamos conversar, Jessica.

— Estou exausta, Renata. Foi um plantão de doze horas.

— Isso não vai demorar. Sei que esse casamento é uma farsa.

— Não é da sua conta.

— Vou fazer disso minha conta. E quando eu provar, meu sobrinho vai perceber que desperdiçou meses da vida dele com uma enfermeira comum, em vez de fechar um acordo que salvaria a família inteira de problemas financeiros sérios que ele não te contou.

Aquilo me pegou de surpresa.

— Que problemas financeiros?

Renata sorriu, satisfeita por finalmente ter encontrado uma brecha.

— Pergunte a ele. Se ele confia tanto em você quanto finge confiar, ele vai contar a verdade.

Fui pra casa de Giovanni naquela noite, ainda de uniforme, exigindo respostas.

— Que problemas financeiros, Giovanni?

Ele suspirou, se sentando pesadamente numa cadeira da cozinha ampla e impessoal demais pra alguém que tinha tanto dinheiro.

— O negócio de importação da família está com dívidas sérias. O acordo com a família da Isabella resolveria isso, injetando capital que precisamos com urgência.

— E você recusou isso por mim?

— Recusei isso porque não queria casar com alguém só por dinheiro, mesmo sabendo os riscos.

— Giovanni, isso é loucura. Você está colocando o futuro da sua família inteira em risco por causa de um contrato falso comigo.

— Não é mais totalmente falso, é? — ele perguntou, olhando pra mim de um jeito que fez meu estômago revirar de um jeito completamente diferente do medo.

Não tive resposta pra aquilo, porque, de alguma forma, nas últimas semanas, a linha entre farsa e realidade tinha ficado perigosamente borrada.

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