— Finge que é minha esposa. Dança comigo agora.

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Chapter 3

Voltei pra casa naquela noite com a cabeça girando, o vestido ainda cheirando ao perfume caro de Giovanni Fierro.

Lily estava dormindo quando cheguei, um pedacinho de bolo de casamento embrulhado com cuidado esperando na geladeira, exatamente como eu tinha prometido.

Minha melhor amiga, Priya, me olhou da poltrona da sala, ainda de pijama, uma tigela de pipoca no colo.

— Você está estranha. O que aconteceu lá?

Contei tudo, do início ao fim, enquanto ela ia ficando com os olhos cada vez mais arregalados.

— Jess, isso é loucura. Você conhece esse homem há três horas.

— Eu sei.

— E ele é ligado à máfia?

— Aparentemente.

— E você está considerando aceitar a proposta dele?

— Eu não sei o que estou considerando, Priya. Só sei que o aluguel está atrasado, que Lily precisa de sapatos novos, que meu carro fez um barulho estranho semana passada que eu não tenho dinheiro pra consertar, e que um homem rico apareceu do nada oferecendo resolver tudo isso em troca de fingir ser minha esposa por alguns meses.

— Isso parece bom demais pra ser verdade.

— Eu sei disso também.

No dia seguinte, Giovanni apareceu no meu trabalho — sem aviso, elegante demais pro corredor bagunçado do hospital pediátrico, carregando um café que ele nem perguntou se eu queria.

— Como você sabe onde eu trabalho?

— Eu disse que sei tudo sobre você, Jessica.

— Isso continua sendo perturbador.

Ele sorriu, aquele sorriso raro que parecia genuinamente surpreso consigo mesmo.

— Você pensou na proposta?

— Pensei.

— E?

— Tenho condições.

— Diga.

— Você nunca aparece perto da Lily sem eu estar presente. Ela não sabe de nada disso além do que uma criança de cinco anos precisa saber, que é basicamente nada. E se em algum momento eu sentir que isso está colocando ela em perigo de qualquer jeito, eu saio, sem aviso, sem negociação.

— Aceito todas as condições.

— E eu quero isso em contrato. Por escrito. Não confio em promessas verbais de homens ricos, sem ofensa.

— Nenhuma ofensa recebida. Meu advogado prepara os papéis ainda essa semana.

Foi assim que, duas semanas depois, assinei um contrato numa sala de reuniões chique, formalizando um casamento que ninguém sabia que já tinha sido celebrado numa capela de Nevada, numa cerimônia rápida e estranhamente sincera que Giovanni insistiu em fazer real “pra proteger você legalmente, caso algo dê errado”.

Tyler descobriu do jeito mais dramático possível — através de um post que a própria Renata, tia de Giovanni, fez sem querer nas redes sociais, tentando desacreditar publicamente o casamento.

Ele apareceu no meu apartamento uma noite, batendo na porta com uma urgência que eu não via desde os primeiros meses depois que ele tinha ido embora.

— Você casou com um mafioso?

— Boa noite pra você também, Tyler.

— Jessica, isso é sério. Esse homem é perigoso.

— E você abandonar sua filha grávida de cinco meses não foi perigoso?

Ele hesitou, pego de surpresa pela resposta direta.

— Eu só estou preocupado com Lily.

— Você não se preocupou com Lily nos últimos cinco anos. Não comece agora.

— As pessoas estão falando, Jessica. Minha família está fazendo perguntas.

— Que bom que finalmente a sua família está prestando atenção em alguma coisa relacionada a mim.

Fechei a porta antes que ele conseguisse responder, o coração batendo forte, mas por um motivo diferente do medo dessa vez.

Era raiva.

E, de alguma forma estranha, também era orgulho.

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