Chapter 6
Olhei pra Giovanni, pro salão inteiro em silêncio esperando minha resposta, pra Renata com o rosto ainda vermelho de raiva contida, pra Tyler sem palavras pela primeira vez em anos.
— Eu não vim aqui hoje pensando em me apaixonar por ninguém — falei, minha voz mais firme do que eu esperava. — Vim porque prometi um pedaço de bolo pra minha filha. Mas, de alguma forma, no meio de toda essa loucura, encontrei alguém que trata a minha filha com mais carinho do que o próprio pai dela jamais tratou.
Giovanni segurou minha mão, os olhos fixos nos meus, esperando.
— Então sim, Giovanni Fierro. Quero continuar isso com você. De verdade, sem contrato, sem farsa. Só porque eu escolho você também.
A sala explodiu em aplausos mistos — alguns genuínos, vindos de pessoas visivelmente emocionadas, outros claramente forçados, vindos de quem só queria parecer parte de um momento importante.
Renata, derrotada, sentou-se lentamente, percebendo que tinha acabado de perder publicamente uma batalha que ela mesma tinha começado.
Isabella saiu do salão sem se despedir de ninguém, o salto alto ecoando pelo chão de mármore.
Tyler ficou parado, sozinho, enquanto Vanessa, visivelmente constrangida com a cena toda, puxava o braço dele pra sair também.
Nos meses seguintes, Giovanni cumpriu cada palavra que tinha dito.
A empresa da família encontrou outra solução financeira, mais trabalhosa, mas honesta, sem precisar vender ninguém em casamento pra resolver dívidas.
Renata, aos poucos, começou a amolecer, principalmente depois que viu como Giovanni tratava Lily — com uma paciência e dedicação genuínas que nenhuma “noiva estratégica” jamais teria oferecido de verdade.
Larguei meu apartamento de um quarto, não porque precisava do dinheiro de Giovanni, mas porque, seis meses depois, decidimos, juntos, que fazia sentido morar todos sob o mesmo teto, incluindo Lily, que já chamava Giovanni de “Gio” havia tempos.
Tyler nunca mais apareceu com a mesma arrogância de antes.
De vez em quando, ele tentava alguma aproximação estranha e tardia com Lily, mas nunca com a consistência que uma criança realmente merece, e eu aprendi, aos poucos, a parar de esperar que ele mudasse.
Numa noite de inverno, quase um ano depois daquela dança na festa da minha irmã, Giovanni me encontrou na cozinha, terminando de arrumar a louça, Lily já dormindo no quarto ao lado.
— Lembra do nosso primeiro “sim”? — ele perguntou, se apoiando no balcão. — Aquela contagem regressiva na pista de dança?
— Como esquecer.
— Eu contei até sete porque tinha certeza que você ia recusar antes de chegar no um.
— E por que você continuou contando, então?
— Porque, mesmo achando que ia perder, eu queria aproveitar cada segundo até você dizer não.
Sorri, secando as mãos no pano de prato, encostando a testa no peito dele.
— Ainda bem que você nunca chegou no um, então.
Ele me abraçou, forte, do jeito que eu tinha aprendido a confiar completamente nos últimos meses, e por ali, na cozinha simples da nossa casa, entendi que às vezes as melhores histórias de amor não começam com flores ou promessas bonitas — começam com uma mão estendida no momento exato em que a gente menos espera ser salvo, e a coragem de aceitar, mesmo com medo, mesmo sem saber pra onde aquele “sim” vai levar.
Quantas vezes você já disse sim pra algo assustador só porque, no fundo, sabia que dizer não seria ainda pior?
