A meia-noite deveria me dar apenas um beijo inofensivo com um encontro às cegas que eu provavelmente nunca mais veria.

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Chapter 4

A propriedade de Lucas ficava a quarenta minutos da cidade, cercada por muros altos, câmeras discretas escondidas entre as árvores, e um nível de segurança que fez qualquer dúvida remanescente sobre quem ele realmente era desaparecer por completo.

Noah, ainda confuso com a mudança abrupta de ambiente, se agarrou ao cobertor pesado que Lucas, de alguma forma, tinha conseguido trazer da casa antes de sairmos, e passou a manhã sentado num canto silencioso da nova casa, observando tudo com aquela atenção cuidadosa que só ele tinha.

— Ele vai ficar bem? — perguntei a Lucas, observando meu filho à distância.

— Ele vai precisar de tempo. Mudança brusca é difícil, mesmo quando é pra segurança dele.

— Você fala como quem realmente entende isso.

— Eu passei anos aprendendo tarde demais o que meu irmão precisava. Não vou cometer o mesmo erro de novo, se puder evitar.

Àquela tarde, Marcus — o homem que parecia coordenar toda a segurança de Lucas — trouxe notícias que fizeram o clima da casa mudar completamente.

— Localizamos o esconderijo temporário dos homens de Rossi — disse ele, espalhando um mapa sobre a mesa. — Eles estão reunindo mais gente. Isso não é só vigilância. Estão se preparando pra fazer um movimento.

— Que tipo de movimento? — perguntei, a voz tremendo apesar de mim mesma.

Lucas e Marcus trocaram um olhar que respondeu antes mesmo das palavras.

— Rossi quer forçar uma reunião — disse Lucas, finalmente. — Provavelmente usando vocês dois como garantia de que eu vou aparecer, sozinho, nos termos dele.

— Um sequestro.

— Uma tentativa de um.

Senti o chão se abrir sob meus pés.

— Isso não pode estar acontecendo. Meu filho não devia fazer parte disso, ele não escolheu nada disso, ele só—

— Eu sei.

Lucas se aproximou, e pela primeira vez desde a noite anterior, tomou minhas mãos entre as dele, um gesto que parecia estranhamente natural apesar de tudo.

— E é exatamente por isso que ele nunca vai sair dessa propriedade sem seis homens ao redor até isso terminar completamente.

Naquela mesma noite, os homens de Rossi tentaram.

Um veículo se aproximou do portão principal por volta das dez, seguido de perto por outro, ambos ignorando os avisos de segurança até que o sistema automático bloqueou completamente o acesso, luzes e alarmes despertando toda a propriedade de uma vez.

Corri pro quarto de Noah, o coração na garganta, encontrando-o já acordado, as mãos nos ouvidos, o corpo balançando no ritmo que eu conhecia bem demais.

— Está tudo bem — sussurrei, me ajoelhando ao lado dele sem tocá-lo, do mesmo jeito que tinha visto Lucas fazer. — Mamãe está aqui. Está tudo bem.

Lá fora, ouvi vozes, passos rápidos, e depois — silêncio.

Lucas apareceu na porta minutos depois, sem casaco, a camisa amassada, mas inteiro, sem nenhum ferimento visível.

— Está terminado — disse ele, a voz ainda tensa da adrenalina. — Capturamos dois dos homens antes que chegassem perto do portão. O resto recuou quando perceberam que a segurança aqui era mais forte do que Rossi tinha calculado.

— E Rossi? Ele vai tentar de novo?

Lucas se ajoelhou ao lado de Noah e meu, respeitando a mesma distância cuidadosa de sempre.

— Não. Porque amanhã de manhã, eu vou até ele pessoalmente, com provas suficientes da tentativa de sequestro de hoje pra garantir que as próprias famílias que ele responde vão decidir que ele se tornou um problema

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