Chapter 3
O carro chegou em doze minutos, não quinze.
Um homem alto, ombros largos, um corte de cabelo militar e olhos que nunca paravam de vasculhar a rua, abriu a porta de trás para ela.
— Sou o Marcus — disse ele, a voz baixa, quase gentil, contrastando com o tamanho do corpo. — Trabalho com o Sr. DeMarco. Vou levá-la até ele.
Olivia entrou sem dizer nada, as mãos apertadas uma na outra no colo.
A cidade passava pela janela em borrões de luz amarela, e ela tentava, sem sucesso, organizar os pensamentos.
Vinte minutos depois, o carro parou diante de um prédio antigo de tijolos, sem placa, sem número visível.
Adrian estava na porta, esperando.
Ele não usava mais o terno cinza-chumbo do café.
Camisa preta, mangas dobradas até o cotovelo, uma expressão que ela nunca tinha visto nele — nua, sem qualquer controle por trás.
— Olivia.
Ela correu até ele, e por um segundo, o mundo pareceu se resumir àquele abraço breve e tenso, dois estranhos que se conheciam havia apenas uma semana se agarrando como se fossem os únicos pontos fixos um do outro.
— Me fala tudo — ela disse, se afastando. — Tudo. Eu não aguento mais só pedaços de informação.
Adrian a levou para dentro.
O que ela viu não era o que os filmes tinham ensinado a esperar.
Não havia mesa de bilhar com homens fumando charuto.
Havia telas de computador, mapas da cidade marcados com alfinetes vermelhos, uma sala cheia de gente séria trabalhando em silêncio absoluto.
— Essa é minha organização — disse Adrian. — O que resta de segurança, informação e recursos que eu ainda controlo depois de três anos de guerra com os Volkov.
— Volkov?
— A família que mandou o homem da tatuagem. Eles administram tráfico de armas na costa leste. Nós disputamos território há anos. Eu tentei, várias vezes, encerrar isso sem mais sangue. Eles não têm o mesmo interesse.
— E agora eles têm meu irmão.
— Sim.
A palavra caiu como pedra.
— Por quê, Adrian? Me explica de verdade. Por que um jantar de quarenta minutos e um muffin fazem meu irmão de nove anos virar refém?
Adrian se sentou à sua frente, os cotovelos nos joelhos, olhando para as mãos como se tentasse encontrar ali uma resposta que fizesse sentido.
— Porque há três anos eu não deixo ninguém chegar perto. Ninguém. Ex-namoradas, amigos, até minha própria irmã eu mantenho a uma distância segura. Isso é sobrevivência, no meu mundo. Quem se aproxima de mim vira alvo.
— E eu me aproximei sem saber de nada.
— E eu deveria ter te afastado, no minuto em que percebi que estava sorrindo pela primeira vez em anos.
Ela sentiu o peito apertar, mas empurrou o sentimento para o lado — não havia espaço para isso agora.
— Como vamos achar o Noah?
Uma mulher entrou na sala, tablet na mão, cabelo preso, expressão tensa.
— Adrian, temos algo.
— Essa é a Sofia — ele apresentou rapidamente. — Cuida da nossa inteligência.
Sofia colocou o tablet na mesa.
Uma imagem de câmera de segurança, granulada, mostrando um carro preto entrando em um galpão às margens do rio.
— Reconhecemos a placa. Registrado em nome de uma empresa de fachada que já rastreamos até os Volkov duas vezes.
— Então sabemos onde ele está — disse Olivia, já de pé.
— Sabemos onde o carro foi — corrigiu Sofia. — Não temos confirmação de que o menino ainda está lá.
— Ainda?
A palavra saiu da boca de Olivia como um grito sufocado.
Adrian colocou a mão no ombro dela, e pela primeira vez, ela não se afastou do gesto.
— Vamos confirmar antes de fazer qualquer movimento. Se agirmos errado, colocamos ele em mais risco, não menos.
— Eu não posso simplesmente esperar.
— Eu sei.
— Você não sabe. Você não tem noção de como é esperar por alguém que não entende por que o mundo mudou de repente. O Noah vai estar contando os quadrados do teto, ou repetindo o nome dos passarinhos que ele conhece, tentando se acalmar sozinho, e ninguém aí vai entender o que ele precisa.
A voz dela quebrou na última frase.
Sofia trocou um olhar rápido com Adrian — um olhar que Olivia não soube interpretar, mas que carregava um peso estranho.
— Vou verificar as câmeras do perímetro do galpão — disse Sofia, se retirando depressa demais.
Adrian observou a porta se fechar atrás dela.
— O que foi isso? — perguntou Olivia.
— O quê?
— Esse olhar entre vocês dois.
Adrian hesitou — um segundo a mais do que deveria.
— Sofia está comigo há oito anos. Ela é uma das únicas pessoas em quem confio de verdade.
— Isso não responde minha pergunta.
Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, um dos homens da sala ao lado gritou algo, e todos se moveram ao mesmo tempo, como um único organismo alarmado.
Adrian se levantou.
— O que houve?
Marcus apareceu na porta, o rosto pálido de um jeito que Olivia nunca tinha visto em um homem daquele tamanho.
— Recebemos uma mensagem. Do Volkov.
— E?
Marcus olhou para Olivia, depois de volta para Adrian, como se pedisse permissão para continuar na frente dela.
— Fala — disse Adrian.
— Eles sabem sobre o esconderijo. Sabem sobre essa sala. Sabem sobre a Sofia.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
— Isso é impossível — disse Adrian, a voz baixando a um registro que Olivia nunca tinha ouvido. — Ninguém fora deste prédio sabe da localização exata.
— Alguém sabe — disse Marcus. — Porque eles mandaram uma foto da fachada. Tirada de dentro do perímetro de segurança.
Adrian ficou imóvel por um longo momento, os olhos fixos em algum ponto distante, e Olivia entendeu, sem que ninguém precisasse dizer em voz alta, que a pergunta que pairava agora naquela sala não era mais só onde estava Noah.
Era quem, entre as pessoas em quem Adrian confiava havia anos, tinha aberto a porta para o inimigo entrar.
