Chapter 5
Três semanas se passaram antes que Olivia conseguisse dormir a noite inteira sem acordar de repente, verificando se Noah ainda estava no quarto ao lado.
Os Volkov recuaram depois daquela manhã — não por bondade, mas porque Adrian, com provas suficientes reunidas por anos de vigilância cuidadosa, entregou informações sobre a rota de armas da família para os federais através de um contato que devia um favor antigo. Não era o tipo de guerra que se resolvia com tiros. Era o tipo que se resolvia tirando o motivo de continuar existindo.
Duas semanas depois, three dos líderes da organização Volkov foram presos numa operação que fez as manchetes locais sem que ninguém jamais soubesse o nome de Adrian DeMarco por trás dela.
Sofia foi embora.
Não presa — Adrian não quis isso, apesar de tudo — mas afastada, com dinheiro suficiente para tirar o irmão da dívida e recomeçar em algum lugar longe, sob a condição clara de nunca mais aparecer na vida de nenhum deles.
— Ela cometeu um erro terrível — disse Adrian a Olivia, numa tarde em que ambos estavam sentados na varanda da nova casa, um lugar discreto, cercado de árvores, longe do centro da cidade. — Mas ela também passou seis meses tentando proteger o irmão dela do mesmo jeito que você passou anos protegendo o Noah. Isso não desculpa o que ela fez. Só explica.
Olivia observou Noah no jardim, deitado de bruços na grama, olhando pelo binóculo novo que Adrian tinha comprado para ele — não como pedido de desculpas, insistiu ele, mas porque tinha visto os olhos do menino brilharem ao mencionar aves de rapina.
— Você mudou depois disso tudo — disse ela.
— Como assim?
— Você fala mais. Explica as coisas. No café, você mal completava uma frase.
Um leve sorriso, raro, cruzou o rosto de Adrian.
— Passar quase perder tudo tem esse efeito.
Ela se virou para encará-lo.
— O que acontece agora? Com você, quero dizer. Com esse mundo todo que você comanda.
Adrian ficou em silêncio por um momento, olhando para as próprias mãos, como fizera na noite em que tudo começou a desmoronar.
— Estou entregando parte da operação para gente de confiança. Não posso simplesmente desaparecer — tenho responsabilidades com pessoas que dependem de mim há anos, e sumir de repente colocaria muita gente em risco. Mas posso reduzir. Posso parar de estar na linha de frente.
— Por quê?
— Porque quase perdi vocês dois numa única manhã, e descobri que não existe território, não existe poder, que valha esse risco de novo.
Olivia sentiu o peito apertar de um jeito completamente diferente daquele medo de semanas atrás.
— Isso é uma declaração, Adrian DeMarco?
— É uma constatação. — Ele hesitou, e depois completou, mais baixo: — Mas também pode ser uma declaração, se você quiser que seja.
Do jardim, Noah gritou, sem tirar os olhos do binóculo:
— Tem um pica-pau ali! Olivia, vem ver, tem um pica-pau de verdade!
Ela riu, os olhos ainda úmidos, e se levantou para atender ao chamado do irmão, mas não sem antes segurar a mão de Adrian por um segundo a mais do que o necessário.
— Vem — disse ela. — Vem ver o pica-pau com a gente.
E ele foi.
O homem que homens armados temiam, que delegados tratavam com cautela calculada, que durante anos não permitiu que ninguém chegasse perto o suficiente para machucá-lo — esse mesmo homem atravessou o jardim e se ajoelhou ao lado de um menino de nove anos, aprendendo, pela primeira vez em muito tempo, o que significava simplesmente estar presente, sem agenda, sem cálculo, sem nada a proteger além do momento em si.
Naquela noite, depois que Noah finalmente dormiu, exausto de tanto observar pássaros, Olivia ficou na varanda olhando as estrelas ao lado de Adrian, os dois em silêncio, um silêncio que já não doía.
— Sabe o que eu penso? — disse ela, por fim. — Eu só me sentei naquela cadeira porque estava cansada demais para procurar outra mesa. Nunca imaginei que uma decisão tão pequena pudesse mudar tanta coisa.
Adrian olhou para ela, a mesma surpresa genuína de semanas atrás, agora sem nenhum peso escondido por trás.
— Às vezes as menores decisões são as que mais importam. A gente só não sabe disso na hora.
Ela apoiou a cabeça no ombro dele, e os dois ficaram ali, observando o céu escuro sobre uma vida que nenhum dos dois tinha planejado, mas que, de alguma forma, parecia certa.
E você? Já teve alguma decisão pequena — sentar numa cadeira, puxar assunto com um estranho, dizer sim quando podia ter dito não — que acabou mudando o rumo da sua vida inteira?
