Chapter 2
“Hannah,” a garçonete repetiu, a bandeja quase escorregando das mãos dela. “Meu Deus, é você mesmo.”
Fiquei parada, tentando lembrar de onde conhecia aquele rosto. Levou um segundo.
“Priscilla?” perguntei, hesitante. “Do St. Agnes?”
“Não acredito que ainda mora em Richmond,” ela disse, os olhos indo rápido de mim pra Ethan e voltando. “Depois de tudo que aconteceu, achei que você tivesse ido embora pra sempre.”
Senti o rosto esquentar.
“A gente pode conversar depois do meu turno?” perguntei, num tom que esperava fosse claro o suficiente.
Priscilla captou o recado, mas não sem antes lançar mais um olhar significativo na minha direção.
“Claro,” ela disse. “Foi bom te ver, Hannah.”
Ela se afastou, e eu evitei olhar pra Ethan por alguns segundos, fingindo estudar o cardápio que já tinha decorado.
“‘Depois de tudo que aconteceu’,” Ethan repetiu baixinho. “Isso soa como uma história.”
“Todo mundo tem uma história.”
“A minha inteira acabou de bater boca com você por dois segundos.”
Ergui os olhos pra ele.
“Achei que a gente tivesse um acordo. Sete minutos, torta, sem perguntas.”
“Os sete minutos acabaram há um tempo,” ele disse, olhando de leve pro relógio. “Tecnicamente, você está aqui por vontade própria agora.”
Ele não estava errado, e isso me irritou mais do que deveria.
Foi então que senti alguém se aproximando da mesa — o tipo de presença que fazia o ar ao redor mudar.
Lauren.
De perto, ela era ainda mais bonita do que parecia à distância, tudo nela cuidadosamente arrumado, do cabelo ao sorriso que não chegava aos olhos.
“Ethan,” ela disse, a voz doce demais pra ser sincera. “Não sabia que você tinha… companhia.”
“Hannah,” Ethan disse, a mão descansando de leve nas costas da minha cadeira, um gesto pequeno demais pra significar qualquer coisa e grande demais pra passar despercebido. “Essa é Lauren.”
“Prazer,” eu disse, sorrindo do jeito mais falso e educado que consegui.
Lauren me estudou por um momento longo demais, aquele tipo de olhar que avalia roupa, postura, tudo, calculando onde eu me encaixava naquela hierarquia invisível que ela claramente entendia melhor do que eu.
“Você trabalha com o Ethan?” ela perguntou.
“Não exatamente,” eu disse.
“Então como vocês se conheceram?”
Ethan abriu a boca, provavelmente pra inventar alguma resposta elegante, mas eu fui mais rápida.
“Num congresso de palhaços,” eu disse, sem piscar.
O silêncio que se seguiu durou só um segundo antes de Ethan soltar aquela risada de novo — real, descontrolada, a mesma que tinha feito Lauren notar da primeira vez.
O sorriso dela vacilou.
“Bom te ver, Ethan,” ela disse, rígida, e se afastou de volta pra mesa dela, onde o homem de jaqueta azul-marinho a esperava com uma expressão que eu não consegui decifrar direito.
Assim que ela ficou fora de alcance de audição, Ethan se virou pra mim.
“Congresso de palhaços,” ele repetiu, balançando a cabeça, ainda sorrindo. “Você realmente ia usar isso.”
“Eu disse que ia.”
Ele me olhou por um momento mais longo do que qualquer coisa relacionada a um acordo de sete minutos deveria durar.
“Quem é você, Hannah?” ele perguntou, e dessa vez não havia zombaria na pergunta.
Só curiosidade genuína.
E, talvez, um pouco de cautela.
