Chapter 6
O armazém ficava numa rua sem iluminação, cercado por prédios abandonados, exatamente o tipo de lugar que eu tinha passado dois anos evitando em pesadelos.
Ethan não deixou eu entrar sozinha — na verdade, ele quase não deixou eu entrar de jeito nenhum, até eu apontar que era a única pessoa ali que reconheceria a voz de Victor Reyes com certeza absoluta.
Os homens de Ethan cercaram o perímetro em silêncio, e nós dois entramos pela porta lateral, o coração martelando no meu peito com cada passo.
Encontramos Victor e Grant numa sala nos fundos, debruçados sobre uma mesa cheia de papéis — os mesmos tipos de registro que eu tinha denunciado dois anos antes, agora reaparecendo em outro esquema.
“Hannah,” Victor disse, sem parecer nem um pouco surpreso, um sorriso frio se espalhando pelo rosto dele. “Finalmente.”
“Victor,” eu disse, a voz mais firme do que eu sentia por dentro.
“Você devia ter ficado escondida,” ele disse. “Teria vivido mais.”
Ethan deu um passo à frente, se colocando parcialmente entre nós.
“Victor Reyes,” ele disse, “você está preso numa teia que construiu sozinho. Cada documento nessa mesa é evidência federal. E eu tenho testemunhas suficientes agora pra garantir que você nunca mais chegue perto dela.”
Grant riu, nervoso.
“Você não tem prova de nada, Ethan.”
“Eu tenho gravação de você admitindo que sabia onde ela estava, há vinte minutos, ao telefone,” Ethan disse, calmo. “E tenho meus homens do lado de fora dessa sala agora.”
Victor olhou em volta, percebendo, pela primeira vez, que estava cercado.
“Isso não vai terminar bem pra você,” ele disse a Ethan.
“Já terminou,” Ethan respondeu. “Só falta você aceitar.”
A polícia chegou minutos depois — Ethan, apesar de tudo que era, tinha aprendido havia muito tempo que certas batalhas se venciam melhor com evidência do que com violência. Victor e Grant foram levados sob custódia, os documentos apreendidos como prova do esquema de lavagem de dinheiro que eu tinha denunciado dois anos antes.
Pela primeira vez em vinte e quatro meses, eu não tive que olhar por cima do ombro ao sair de um lugar.
Semanas depois, Ethan me encontrou de novo no mesmo Bellamy’s Grill, na mesma mesa perto da janela.
“Achei que você merecia terminar essa história do jeito certo,” ele disse, puxando a cadeira pra mim.
“Sem contrato de sete minutos dessa vez?” perguntei, sentando.
“Sem contrato nenhum,” ele disse. “Só eu, perguntando se você aceitaria jantar comigo porque eu quero, não porque preciso provar nada pra ninguém.”
Peguei o cardápio, escondendo o sorriso que insistia em aparecer.
“Vou querer torta,” eu disse. “De novo.”
“Com sorvete?”
“Sempre.”
Ele riu — aquela risada de verdade, a mesma que tinha mudado tudo entre nós na primeira noite.
Às vezes, a pessoa que a gente contrata pra fingir por sete minutos acaba sendo exatamente quem estava destinada a ficar pro resto da vida. Já aconteceu de algo que começou como mentira virar a verdade mais importante da sua história?
