A um passo da meia-noite e treze, Victor Russo entrou no próprio quarto e encontrou uma mulher dormindo na sua cama.

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Chapter 4

Chloe aceitou o adiantamento na sexta-feira.

O contrato foi assinado em silêncio, no escritório de Victor, com Marcus como testemunha e uma expressão que Chloe não conseguiu decifrar.

O dinheiro caiu na conta do hospital de Tommy na segunda-feira seguinte.

Pela primeira vez em cinco anos, Chloe dormiu uma noite inteira sem calcular números na cabeça.

Duas semanas se passaram.

Alguma coisa mudou entre ela e Victor — pequena, quase imperceptível, mas real.

Ele passou a jantar mais cedo, nos dias em que ela ainda estava na propriedade.

Ela passou a deixar o café dele quentinho de propósito, sabendo o horário exato em que ele descia.

Nenhum dos dois nomeou o que estava acontecendo.

Até a noite em que tudo mudou.

Marcus entrou no escritório de Victor sem bater, o rosto tenso de um jeito que Victor conhecia bem.

— Temos um problema.

— Que tipo?

— Danilo Volkov quer uma reunião.

Victor ficou rígido.

— Sobre o quê?

— Sobre o carregamento do porto. Ele acha que você tá segurando informação.

— Eu não tô segurando nada. O carregamento atrasou por causa da alfândega.

— Ele não acredita nisso. E, Victor… ele mencionou a empregada.

O sangue de Victor gelou.

— Que empregada?

— A Bennett. Ele sabe o nome dela. Sabe que ela mora na propriedade. Sabe do irmão doente.

Victor se levantou tão rápido que a cadeira bateu na parede atrás dele.

— Como ele sabe disso?

— Eu não sei. Mas se Volkov sabe, é porque ele quer que você saiba que ele sabe. Isso é mensagem, Victor. Ele tá te dizendo que consegue chegar perto de qualquer coisa que você valorize.

Victor ficou parado, a mandíbula travada.

— Onde ela está agora?

— No quarto de serviço. Por quê?

Victor já estava andando.

Encontrou Chloe no corredor, carregando uma pilha de roupa de cama.

Ela sorriu ao vê-lo — um sorriso pequeno, natural, do tipo que só existia entre eles agora.

O sorriso morreu quando viu a expressão dele.

— O que aconteceu?

— Você precisa ficar dentro da casa principal a partir de agora. Não saia sozinha. Não vá ao mercado, não visite seu irmão sem escolta.

— Victor, você tá me assustando.

— Bom. Você deveria estar assustada.

— Por quê?

Ele hesitou — e Chloe percebeu, pela primeira vez, que Victor Russo hesitava muito pouco na vida.

— Existe um homem chamado Danilo Volkov. Ele é meu concorrente, e não é do tipo que joga limpo. Ele descobriu quem você é. Descobriu sobre Tommy.

O sangue de Chloe gelou.

— Como ele sabe sobre o meu irmão?

— Eu não sei. Mas vou descobrir.

— Victor, se alguma coisa acontecer com o Tommy por sua causa…

— Não vai acontecer. Eu prometo.

— Você não pode prometer isso.

— Eu posso, e eu vou cumprir.

Chloe sentiu as pernas fraquejarem.

— Eu devia ter recusado o dinheiro.

— Isso não teria mudado nada. Volkov já estava de olho em mim há meses. Você só virou uma peça conveniente no jogo dele.

— Uma peça.

— Não é assim que eu vejo você. Mas é assim que ele vê.

Naquela noite, Victor colocou dois homens armados discretamente no perímetro da casa.

Marcus organizou uma reunião de emergência com os aliados de Victor.

E, às três da manhã, o telefone de Chloe tocou.

Número desconhecido.

Ela hesitou antes de atender.

— Alô?

Uma voz de sotaque pesado, calma demais pra ser tranquilizadora.

— Srta. Bennett. Que bom finalmente ouvir sua voz.

Chloe se levantou da cama, o coração disparado.

— Quem é?

— Um amigo do seu chefe. Ou melhor, um inimigo, mas isso é só semântica. Eu queria que você soubesse de uma coisa.

— O quê?

— Vidas ligadas a Victor Russo tendem a ser curtas. Pergunte ao irmão dele. Pergunte ao pai dele. Em breve, talvez você mesma tenha uma boa história pra contar. Se sobreviver pra contar.

A ligação caiu.

Chloe ficou parada no meio do quarto, o telefone tremendo na mão.

Ela correu pelo corredor até o escritório de Victor, batendo na porta com força.

Ele abriu antes mesmo dela terminar de bater, já com a arma na cintura visível.

— O que houve?

— Ele ligou pra mim. Volkov. Ele sabe meu número, Victor. Ele sabe onde eu durmo.

O rosto de Victor ficou de pedra.

— Repete exatamente o que ele disse.

Ela repetiu, a voz tremendo.

Quando terminou, Victor ficou em silêncio por um longo momento.

— Chloe.

Era a primeira vez que ele usava o primeiro nome dela sem pensar duas vezes.

— Eu vou resolver isso. Mas preciso que você confie em mim, mesmo que o que eu fizer pareça errado do lado de fora.

— O que você vai fazer?

Ele não respondeu.

Só pegou o casaco e saiu pra noite, deixando Chloe sozinha com o eco da própria pergunta.

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