Chapter 4
Deixei Marco e uma equipe de segurança de confiança com Elena, e segui direto para a sede da Mercer Group ao amanhecer, o arquivo de áudio guardado com segurança em três lugares diferentes, incluindo um servidor que nem Nathaniel saberia como acessar.
O prédio ainda estava quase vazio quando cheguei, exceto pelo décimo oitavo andar, onde as luzes do escritório de Nathaniel já estavam acesas.
Ele me esperava, aparentemente. Ou pelo menos fingia perfeitamente essa surpresa quando entrei sem bater.
— Luke — disse, com um sorriso fácil demais para ser genuíno. — Soube que teve uma noite difícil.
— Você sabe exatamente o tipo de noite que eu tive — respondi, fechando a porta atrás de mim com um clique que ecoou pela sala silenciosa.
O sorriso dele vacilou, apenas por uma fração de segundo, mas o suficiente para confirmar tudo que eu já suspeitava.
— Do que você está falando?
Coloquei o tablet sobre a mesa dele, apertando o play sem dizer mais nenhuma palavra.
Sua própria voz, gravada meses atrás, preenchendo a sala com cada detalhe do plano que ele tinha arquitetado com tanto cuidado.
Nathaniel ficou pálido, os dedos se apertando levemente contra a mesa de mogno.
— Isso pode significar qualquer coisa fora de contexto — ele tentou, a voz perdendo a confiança de segundos atrás.
— Corta essa, Nathaniel — falei, sentindo cada resquício de paciência se esgotar. — Você forjou ameaças contra a mulher que eu amava. Me fez assiná-la em cinco palavras de trás, achando que a estava protegendo, enquanto você mesmo destruía a vida dela pedaço por pedaço.
— Você não entende a pressão que eu sofri a vida inteira — ele disparou, a máscara finalmente rachando por completo. — Sendo o filho “errado”, o segundo lugar em tudo, enquanto você recebia automaticamente o que eu trabalhei a vida inteira para merecer.
— Isso não te dá o direito de quase matar uma mulher grávida por negligência calculada — retruquei, a voz tremendo de fúria contida.
— Ela não devia sequer estar grávida — Nathaniel cuspiu, sem qualquer remorso aparente. — Se ela tivesse desistido daquela gravidez sozinha, isolada, sem apoio, tudo teria se resolvido sem essa cena dramática toda.
Algo dentro de mim quase se quebrou completamente ao ouvir aquilo, mas Marco, que tinha entrado silenciosamente logo atrás de mim, colocou uma mão firme no meu ombro antes que eu fizesse algo do qual me arrependeria.
— Você tem uma escolha a fazer agora, Nathaniel — falei, forçando cada palavra através da fúria que ameaçava me consumir por completo. — Ou você confessa tudo, formalmente, perante o conselho e as autoridades competentes, ou eu solto essa gravação para todos os canais de imprensa que cobrem a Mercer Group, junto com um processo criminal detalhado por assédio, fraude, e tentativa de homicídio culposo.
— Você não tem provas suficientes para homicídio culposo — ele respondeu, mas a voz já tremia, a confiança evaporando rapidamente.
— Tenho provas suficientes de negligência premeditada que quase matou uma mulher grávida e o próprio bebê — retruquei. — E, confie em mim, qualquer promotor ambicioso vai adorar processar esse caso, considerando o sobrenome envolvido.
Nathaniel olhou entre mim e Marco, calculando rapidamente as próprias opções, cada uma pior que a anterior.
— O que você quer? — ele finalmente perguntou, a derrota entrando lentamente na voz dele.
— Quero que você renuncie a qualquer cargo na empresa, hoje mesmo — respondi, sem hesitar. — Quero que você assine um acordo transferindo qualquer participação que ainda tenha para um fundo de compensação em nome da Elena e do nosso filho. E quero que você desapareça completamente da nossa vida, permanentemente.
— E se eu recusar?
— Então você vai descobrir exatamente o tipo de homem que eu costumava ser antes de tentar me tornar alguém melhor por causa da Elena — respondi, a frieza na minha própria voz me surpreendendo. — E confia em mim, Nathaniel, esse homem não tinha piedade nenhuma por quem machucava pessoas inocentes.
Um silêncio pesado preencheu a sala, quebrado apenas pela respiração irregular de Nathaniel, finalmente compreendendo o tamanho real da própria derrota.
— Tudo bem — ele sussurrou, os ombros caindo em completa rendição. — Eu assino tudo.
Levou o resto da manhã inteira para formalizar cada documento, cada renúncia, cada transferência, com advogados da empresa presentes para garantir que tudo fosse legalmente irrevogável.
Quando finalmente saí daquele prédio, o peso nos meus ombros parecia, pela primeira vez em meses, um pouco mais leve.
Voltei direto para o hospital, onde encontrei Elena sentada na cama, ainda fraca, mas visivelmente mais forte do que na noite anterior.
— Como foi? — ela perguntou, cautelosa.
— Terminou — respondi, sentando ao lado dela com cuidado. — Ele nunca mais vai chegar perto de você, ou do nosso filho.
Ela ficou em silêncio por um longo momento, processando a notícia.
— Isso não desfaz os últimos meses, Luke.
— Eu sei — respondi, sem tentar minimizar a dor dela. — E eu não espero que desfaça. Só espero ter a chance de mostrar, todos os dias daqui para frente, que eu realmente entendi o tamanho do erro que cometi ao te deixar sozinha.
Ela olhou para mim, longamente, avaliando cada palavra com o cuidado de quem já tinha sido enganada demais para confiar facilmente de novo.
— Vamos ver isso um dia de cada vez — ela finalmente disse. — Sem promessas grandes demais para cumprir.
Concordei, sentindo que, pela primeira vez em meses, aquele acordo simples e cauteloso já era mais do que eu merecia.
