Assim que ela mandou a mensagem, a realidade voltou com tudo.

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Chapter 3

Mila sentiu as pernas fraquejarem, e dessa vez não era o álcool.

— Você está dizendo que aquele homem no bar… estava atrás de mim de propósito?

— Estou dizendo que é uma possibilidade real demais para eu ignorar.

Luca já estava se movendo, checando as janelas do apartamento, avaliando cada entrada e saída com uma precisão que só alguém acostumado a pensar em segurança constantemente poderia ter.

— Quem é esse inimigo que você está falando? — ela perguntou, tentando processar tudo.

— Salvatore Conti. Nós disputamos os mesmos contratos de importação há dois anos, e recentemente as coisas ficaram… pessoais.

— Pessoais como?

— Ele perdeu um acordo importante para mim há três meses. Um acordo que valia mais do que ele podia se dar ao luxo de perder.

— E você acha que ele quer se vingar usando… eu?

Luca parou de se mover pela primeira vez, olhando diretamente para ela.

— Eu acho que Salvatore descobriu que você é minha assistente, e provavelmente também descobriu que você é uma das poucas pessoas que tem acesso a informações que eu nunca compartilho com mais ninguém. Se ele conseguisse se aproximar de você, te manipular, ou pior, te usar como refém…

— Ele teria acesso a você.

— Exatamente.

O peso daquilo caiu sobre Mila como um balde de água fria, dissolvendo qualquer resquício de álcool que ainda restava no sistema dela.

— Aquele homem no bar… ele pareceu tão normal. Educado. Nada ameaçador.

— Esse é exatamente o tipo de homem que Salvatore contrataria. Alguém que não levanta suspeita.

O celular de Luca vibrou de novo, e dessa vez ele virou a tela para ela poder ver: uma foto granulada, tirada de longe, mostrando claramente o homem do bar parado do lado de fora do prédio dela, conversando ao telefone.

— Ele está aqui embaixo — Luca disse, a voz baixa e controlada, mas com uma tensão nova por trás de cada palavra.

Mila sentiu o pânico voltar com força total.

— O que a gente faz agora?

Luca já estava discando um número, dando instruções rápidas e precisas para alguém do outro lado da linha — reforçar a segurança do prédio, monitorar cada saída, identificar o homem parado lá embaixo antes que ele tivesse qualquer chance de se aproximar.

Quando desligou, ele se virou para ela, a expressão mais suave do que a urgência da situação sugeria.

— Você vai ficar bem, Mila. Eu não vou deixar nada acontecer com você.

— Como você pode prometer isso?

— Porque essa é a primeira coisa que eu garanto sempre que assumo responsabilidade por alguém.

— E você está assumindo responsabilidade por mim?

Ele hesitou, só por um segundo, antes de responder.

— Eu assumi isso há muito mais tempo do que você imagina, Mila. Só nunca tive coragem de admitir isso em voz alta.

Aquela confissão pairou no ar entre os dois, pesada e frágil ao mesmo tempo, até ser interrompida por batidas firmes na porta do apartamento.

Luca imediatamente se posicionou entre Mila e a entrada, a mão indo instintivamente para dentro do paletó.

— Quem é? — ele perguntou, a voz cortante.

— Segurança do Sr. Romano — uma voz respondeu do outro lado. — Encontramos o homem que estava observando o prédio. Ele quer falar diretamente com o senhor. Diz que tem uma mensagem de Salvatore Conti.

Luca trocou um olhar com Mila, e pela primeira vez ela viu, claramente, o conflito entre o homem frio que todo mundo temia e algo mais humano, mais protetor, batalhando por controle atrás daqueles olhos escuros.

— Fica atrás de mim — ele disse, baixinho. — Aconteça o que acontecer.

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