Chapter 4
Luca abriu a porta apenas o suficiente para ver dois de seus seguranças segurando firmemente o homem do bar, agora sem o sorriso educado de horas atrás, o rosto pálido e claramente apavorado.
— Fala logo o que você tem para dizer — Luca ordenou, a voz gelada.
O homem engoliu em seco, os olhos pulando entre Luca e Mila atrás dele.
— Salvatore só queria mandar um recado. Disse que sabe que você finalmente encontrou algo que realmente te importa depois de anos. E que isso muda o jogo entre vocês dois.
— Que jogo? — Mila perguntou, sem conseguir se conter, mesmo com o corpo tenso de medo.
O homem hesitou, olhando para Luca antes de responder, como se buscasse permissão silenciosa.
— Fala — Luca ordenou.
— Salvatore quer uma reunião. Amanhã à noite. Ele diz que, se você não aparecer, ele vai garantir que a Srta. Mila descubra em primeira mão o que acontece com pessoas próximas de Luca Romano.
O corpo de Mila gelou por completo.
Luca, por outro lado, ficou impossivelmente calmo, uma calma que parecia mais perigosa do que qualquer explosão de raiva.
— Diz a Salvatore que eu vou aparecer. Sozinho. E diz também que, se qualquer coisa acontecer com Mila antes disso, seja o que for, eu vou garantir que ele passe o resto da vida entendendo exatamente o significado da palavra arrependimento.
O homem assentiu freneticamente, sendo levado embora pelos seguranças de Luca, o alívio de estar longe daquele apartamento visível em cada passo apressado.
Assim que a porta se fechou, Mila finalmente deixou as pernas cederem, sentando-se pesadamente no sofá.
— Isso é loucura — ela sussurrou. — Há duas horas eu só estava bêbada e sozinha num réveillon. Agora tem gente ameaçando minha vida por sua causa.
— Eu sei. — Luca se ajoelhou na frente dela, os olhos carregados de uma culpa genuína. — E eu sinto muito por isso, Mila. Você nunca devia ter sido arrastada para o meu mundo dessa forma.
— Mas eu já estava nele, não estava? Desde o primeiro dia que comecei a trabalhar para você.
— De forma segura. Distante. Nunca assim, tão exposta.
Mila olhou para ele, tentando entender seus próprios sentimentos em meio a todo aquele caos.
— Você vai mesmo se encontrar com ele amanhã?
— Vou. É a única forma de garantir que ele não chegue perto de você de novo.
— Isso é perigoso demais.
— Minha vida inteira é perigosa, Mila. Sempre foi. A diferença é que, até essa noite, eu nunca tinha tido tanto medo de perder alguém no processo.
As palavras dele pousaram entre eles com um peso que roubou o fôlego de Mila.
— Luca…
— Eu sei que isso não é o momento certo — ele interrompeu, a voz mais suave. — Sei que você está assustada, que a noite inteira foi um turbilhão de coisas que você nunca pediu. Mas eu preciso que você saiba: o que eu sinto por você não é novo. E não vai desaparecer só porque Salvatore decidiu usar isso como arma.
Mila sentiu lágrimas se formando, uma mistura de medo, exaustão e algo mais quente crescendo dentro do peito.
— E se alguma coisa der errado amanhã?
— Não vai dar.
— Você não pode prometer isso.
Luca segurou o rosto dela com as duas mãos, o gesto mais íntimo que eles já tinham compartilhado em todos aqueles anos de trabalho lado a lado.
— Eu prometo que vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para voltar para você amanhã à noite. E prometo que, depois disso, se você ainda quiser, eu quero fazer isso direito. Sem pressa, sem bebida, sem crise. Só nós dois, decidindo o que isso significa de verdade.
Ela fechou os olhos, permitindo-se, pela primeira vez naquela noite inteira, sentir alguma coisa que não fosse medo.
— Então volta para mim amanhã, Luca.
— Eu vou.
