Chapter 2
O silêncio depois daquela frase durou mais do que eu conseguia suportar.
“O que você quer dizer com ‘nunca poder sair dessa casa hoje à noite’?” perguntei, com a voz mais firme do que eu sentia por dentro.
Roman não respondeu de imediato. Ele contornou a mesa devagar, como se estivesse escolhendo cada palavra antes de dizer.
“Chloe Bishop não é quem você pensa que é,” ele disse finalmente.
“Ela é sua noiva.”
“Ela é uma Bishop.”
O sobrenome caiu entre nós como uma pedra. Eu conhecia esse nome. Todo mundo que trabalhava para Roman conhecia esse nome.
Os Bishop tinham sido inimigos da família Castell por quase vinte anos. Uma guerra silenciosa, feita de acordos quebrados, territórios perdidos e, pelo menos três vezes que eu sabia, sangue derramado.
“Isso é impossível,” eu disse. “Você checou o passado dela. Eu mesma revisei a papelada.”
“A papelada estava limpa porque foi feita para estar limpa.”
Meu estômago revirou.
“Então por que você está se casando com ela?”
Roman segurou o envelope preto novamente, girando-o entre os dedos como se pesasse uma decisão que já tinha tomado há muito tempo.
“Porque assim eu sei exatamente onde ela está,” ele disse. “E porque, em duas semanas, a única forma dos Bishop pararem de tentar me matar era um deles entrar direto na minha casa.”
Eu me sentei devagar na cadeira atrás de mim, as pernas de repente sem força.
“Você está usando um casamento como armadilha.”
“Estou usando um casamento para proteger as pessoas que ainda me importam,” ele disse, olhando direto para mim quando falou.
Não precisei perguntar quem ele quis dizer.
“E a ordem de execução?” perguntei, apontando para o envelope.
“Assinada essa manhã. Válida a partir do momento em que ela confirmar o que eu já sei.”
“Que é o quê?”
“Que ela veio aqui para me matar na minha própria festa de noivado.”
As palavras dele pairaram no ar como fumaça.
“Você tem certeza?”
“Tenho um homem lá embaixo, agora, vigiando o bolso interno do vestido dela,” Roman disse. “Tem uma seringa lá dentro. Veneno suficiente para parar meu coração em quatro minutos.”
Minhas mãos tremeram de novo, mas dessa vez não era raiva.
“Roman, se você sabia disso, por que ainda está lá embaixo com ela, sorrindo pras câmeras?”
“Porque preciso que ela pense que está vencendo,” ele disse. “Até o momento certo.”
Alguém bateu na porta trancada. Duas batidas, uma pausa, mais uma. Um código que eu reconheci na hora.
Era Marcus, o chefe de segurança de Roman.
Roman destravou a porta só o suficiente para ouvir o sussurro apressado de Marcus do outro lado.
Quando ele fechou a porta de novo, o rosto dele tinha mudado.
“O que foi?” perguntei, já de pé.
“Ela sumiu,” Roman disse. “Chloe sumiu da festa há sete minutos.”
