Chapter 5
Marcus levou Chloe e os dois homens para fora sob escolta, e o escritório ficou em silêncio, exceto pela minha respiração ainda descompassada.
“Roman,” eu disse. “Olha pra mim.”
Ele olhou. E o que eu vi no rosto dele não era culpa — era exaustão. O tipo de exaustão de quem carrega um peso há anos demais.
“Antes de você,” ele começou, “existiram outras duas pessoas na sua posição. Uma delas se chamava Renata.”
Meu estômago apertou.
“O que aconteceu com ela?”
“Ela tentou vender informações pros Bishop,” ele disse. “Descobri antes que ela conseguisse.”
“E a outra?”
Roman hesitou, e essa hesitação me disse mais do que qualquer palavra.
“A outra se apaixonou por mim,” ele disse baixinho. “E eu não retribuí do mesmo jeito. Ela pediu demissão. Eu deixei ir embora sem entender por quê.”
O silêncio entre nós ficou pesado.
“Chloe queria que eu duvidasse de você,” Roman continuou. “Queria plantar a dúvida bem no momento em que eu mais precisasse confiar em você.”
“Funcionou,” admiti. “Por um segundo, funcionou.”
Ele deu um passo à frente, e dessa vez eu não recuei.
“Tessa, eu não te uso,” ele disse. “Eu preciso de você. Existe diferença, mesmo que eu tenha demorado cinco anos pra admitir isso em voz alta.”
Meus olhos ardiam, mas eu não deixei as lágrimas caírem.
“Você ia se casar com ela,” eu disse. “Mesmo sabendo o que ela era.”
“Porque era a única forma de proteger você,” ele respondeu. “Se os Bishop soubessem o que você significa pra mim, você seria o primeiro alvo, não o segundo.”
A porta do escritório se abriu de novo, e Marcus entrou, o rosto tenso.
“Chefe, precisa ver isso,” ele disse, estendendo o celular.
Era uma mensagem. Do número pessoal do pai de Chloe.
“Minha filha por seus documentos,” a mensagem dizia. “Você tem até o amanhecer.”
Roman leu duas vezes antes de erguer os olhos para mim.
“Isso não vai terminar essa noite do jeito que eu planejei,” ele disse.
“Então vamos mudar o plano,” respondi, surpreendendo até a mim mesma com a firmeza na minha voz.
Pela primeira vez desde que a festa tinha começado, Roman sorriu — só um pouco, cansado, mas real.
“Vamos precisar de você em cheio pra isso,” ele disse.
“Eu nunca saí, Roman,” respondi. “Aquela carta de demissão nunca foi sobre desistir de você.”
