Cinco anos de lealdade terminaram com minha carta de demissão em cima da mesa de Roman Castell, enquanto quatrocentos convidados comemoravam o noivado dele lá embaixo

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Chapter 4

No escuro, a primeira coisa que ouvi foi o clique de um gatilho sendo armado.

“Ninguém se mexe,” a voz de Chloe soou diferente agora — mais dura, sem o sotaque suave que ela usava nas festas.

Senti a mão de Roman encontrar meu braço e me puxar para trás, colocando o próprio corpo entre mim e o som daquele gatilho.

“Você trouxe homens pra dentro da minha casa,” Roman disse, a voz baixa.

“Trouxe backup,” Chloe corrigiu. “Existe diferença.”

Um facho de luz cortou a escuridão — a lanterna de um celular. E foi aí que eu vi: não era só Chloe. Havia mais duas silhuetas na porta, ambas armadas.

Meu peito apertou.

“Marcus vai perceber a queda de energia em menos de um minuto,” Roman disse, quase casual, como se estivesse jogando cartas.

“Um minuto é tempo suficiente,” Chloe respondeu.

Foi então que tudo aconteceu rápido demais para eu processar em ordem.

Roman se moveu primeiro, empurrando Chloe contra a estante, o som de vidro quebrando enquanto alguma escultura caía no chão. Um dos homens na porta avançou, mas eu já tinha pegado o abridor de cartas pesado da mesa de Roman — a única coisa ao meu alcance — e acertei o braço dele com toda a força que tinha.

A arma dele caiu.

“Tessa, o cofre!” Roman gritou, ainda lutando com o segundo homem.

Corri até o cofre ainda aberto, joguei os documentos dentro de uma pasta que estava largada perto da mesa e fechei a porta de metal com um baque surdo.

As luzes voltaram no mesmo instante que Marcus e mais três seguranças entraram pela porta, armas em punho.

Chloe estava presa contra a estante, o batom borrado, a respiração pesada, mas ainda com aquele olhar de quem não tinha terminado de jogar.

“Vocês não vão sair impunes disso,” ela disse, olhando direto pra mim. “Você acha que é a única pessoa que ele já usou pra fazer o trabalho sujo dele?”

As palavras dela ficaram penduradas no ar, afiadas.

“Do que você está falando?” perguntei, sem conseguir esconder a hesitação na voz.

Chloe sorriu, mesmo com um dos seguranças segurando seu braço com força.

“Pergunta pra ele quem assinava as ordens de execução antes de você aparecer na vida dele,” ela disse. “Pergunta quantas ‘Tessas’ já vieram antes de você.”

Olhei para Roman.

Pela primeira vez em cinco anos, ele não conseguiu me olhar nos olhos.

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