Chapter 3
Na manhã seguinte, me mudaram pra uma ala da mansão que eu nem sabia que existia — um corredor de suítes com papel de parede de seda e janelas que não abriam, discretamente vigiado por homens que fingiam não estar vigiando nada.
Miguel me ajudou a carregar as últimas malas, o rosto tenso de preocupação.
— Você precisa tomar cuidado nesta casa — ele murmurou, apoiando a mala no chão. — Principalmente com as outras mulheres.
— Que outras mulheres?
— As quatro que acharam o anel antes de você. Vivian não mandou elas embora, disse que ia ter uma “decisão final” no jantar de noivado hoje à noite.
Meu sangue gelou. — Por que ela faria isso?
— Porque Vivian Moretti não acredita em vitórias fáceis — disse Miguel. — Ela quer que o Dante veja exatamente o que está escolhendo, e o que está recusando.
Naquela noite, me deram um vestido vermelho escuro que eu não tinha trazido e um par de brincos de diamante que eu tinha medo até de perguntar o preço. Quando entrei no salão de jantar, quatro pares de olhos se viraram pra mim com uma hostilidade tão forte que dava pra sentir fisicamente.
Marissa Vale me olhou de cima a baixo primeiro, o sorriso venenoso.
— Então você é a moça da lavanderia — disse ela. — Que engenhosa a Vivian, achando entretenimento entre os funcionários.
— Eu devolvi uma coisa que não era minha — falei, mantendo a calma. — Não sabia que isso me tornava entretenimento.
Brielle Kensington riu, um som curto e cortante. — Querida, tudo nesta casa é entretenimento pra Vivian. Você vai aprender isso logo.
Lauren Whitaker não disse nada, só me observou com os olhos estreitos, calculando.
Sabrina Cole se inclinou na minha direção enquanto eu me sentava. — Um conselho — sussurrou. — Mulheres que chegam muito perto do Dante Moretti costumam sofrer acidentes. Carro. Escada. Passeio de barco. É bom pensar bem sobre o quanto você quer isso.
Senti o coração disparar, mas mantive o rosto firme. A voz da vovó Ruth ecoou na minha cabeça: *Você pode servir na casa de alguém sem deixar que essa pessoa seja dona da sua alma.*
— Eu não pedi nada disso — falei baixinho. — Nenhuma de vocês parece entender isso.
— Nenhuma de nós se importa — retrucou Marissa.
Vivian entrou então, deslizando até a cabeceira da mesa com Dante um passo atrás, indecifrável como sempre.
— Senhoras — disse Vivian, com calor na voz, como se não tivesse acabado de orquestrar uma guerra silenciosa naquela sala. — Vamos comer.
O jantar foi uma atuação de gentilezas forçadas e facas escondidas. Cada pergunta dirigida a mim vinha envolta numa insinuação sutil; cada resposta minha era medida contra as quatro mulheres esperando eu falhar.
No meio da refeição, um garçom tropeçou levemente ao encher minha taça de vinho, e o copo virou, derramando vinho tinto na toalha branca, em direção ao meu colo.
Consegui me esquivar da maior parte, mas não antes de notar uma coisa: a mão de Natalie Russo, apoiada casualmente perto da base da minha taça segundos antes, e o brilho de satisfação no rosto dela quando o copo caiu.
— Cuidado — disse Natalie, com doçura. — Não ia querer fazer bagunça na frente do Dante.
Os olhos de Dante saíram do vinho derramado e foram direto pro rosto de Natalie, e algo frio passou pela expressão dele.
— Natalie — disse ele, calmamente —, por que você não conta pra minha mãe o que me contou semana passada, sobre a construtora da sua família precisar de um favor da minha?
A mesa ficou em silêncio. O rosto de Natalie perdeu a cor.
— Não sei do que o senhor está falando — disse ela, rígida.
— Acho que sabe — disse Dante. — Acho que você estava esperando que casar nesta família resolvesse um problema de dívida que você não mencionou pra ninguém nesta mesa.
O olhar de Vivian se aguçou de interesse, e percebi, observando ela, que aquele jantar inteiro tinha sido planejado exatamente pra este momento — pra ver quem revelaria as verdadeiras intenções sob pressão.
— Acredito — disse Vivian, suavizando a tensão — que isso encerra o jantar de hoje. Marissa, Brielle, Lauren, Natalie — obrigada pela atenção de vocês. O Miguel vai providenciar transporte pra vocês pela manhã.
Só Sabrina Cole continuou sentada, sorrindo de leve, como se já esperasse esse desfecho.
— A senhora não vai me mandar embora? — perguntou ela pra Vivian.
— Não — disse Vivian. — Você, eu ainda tenho uso.
Não entendi o que aquilo significava. Ainda não.
Mais tarde naquela noite, voltando pro meu quarto pelo corredor, Sabrina caminhou ao meu lado.
— Você deveria ter aceitado meu conselho no jantar — disse ela, baixinho.
— Sobre os acidentes?
— Sobre o quanto você quer isso — disse ela. — Porque agora que as outras foram embora, você é o único obstáculo entre mim e tudo que eu realmente vim buscar aqui.
Ela sorriu e desapareceu no corredor antes que eu conseguisse perguntar o que ela queria dizer.
