Chapter 5
— Isso não é verdade — falei, a voz mais afiada do que eu pretendia. — Eu estava no escritório com o Dante o tempo todo.
— Posso confirmar isso — disse Dante imediatamente, num tom que não deixava espaço pra discussão.
A expressão de Sabrina vacilou — decepção, rapidamente disfarçada de dor. — Talvez eu tenha me confundido — disse ela. — Aconteceu tudo tão rápido.
Vivian chegou minutos depois, avaliando a cena com a calma de uma mulher que já tinha visto coisa muito pior na vida.
— Levem ela pro médico — ordenou a um segurança. Depois, se virando pra Dante e pra mim, baixou a voz. — Isso não foi acidente. Sabrina não se “confunde” em nada. Ela está se protegendo de admitir alguma coisa.
— Admitir o quê? — perguntei.
— Que ela mesma se empurrou — disse Vivian, simplesmente. — Ou arranjou pra parecer isso. Uma mulher desesperada o bastante pra casar nesta família por causa da dívida do pai é desesperada o bastante pra fabricar compaixão — ou fabricar culpa contra uma rival.
Fiquei enjoada. — Ela estava tentando me incriminar.
— Quase certamente — disse Vivian. — O que me diz que Sabrina Cole é mais perigosa do que eu imaginava. Vou resolver a dívida da família dela separadamente, e com discrição. Ela não vai participar do anúncio do noivado.
Naquela noite, a mansão fervilhava de preparativos pra um anúncio que eu ainda nem tinha aceitado. Em algum ponto entre o medo pelo meu pai e aquela confiança estranha e involuntária que começava a nascer com Dante, percebi que já não tinha mais certeza do que eu queria.
Encontrei Dante sozinho no terraço, olhando pro jardim escuro.
— Me diz a verdade — falei, me juntando a ele na grade. — Se eu fosse embora hoje — de verdade, embora — o que aconteceria com meu pai?
Dante não respondeu na hora.
— Minha mãe continuaria considerando a dívida pendente — admitiu ele. — Mas eu ia protegê-lo de qualquer jeito. Essa parte não depende mais de você casar comigo.
— Então por que tudo isso ainda precisa acontecer? — perguntei. — O noivado. O casamento. Tudo.
— Porque minha mãe construiu um império não deixando nenhuma ponta solta — disse Dante. — Um filho solteiro é uma ponta solta pros homens que adorariam ver esta família cair. Uma esposa — principalmente uma que provou a lealdade dela do jeito que você provou — fecha essa porta de vez.
— Então eu seria proteção. Não uma pessoa.
Dante se virou pra me encarar de frente.
— Você seria a primeira pessoa nesta casa em uma década que não mentiu pra mim — disse ele. — Isso não é pouca coisa, Clara. Não pra mim.
Estudei ele, procurando o cálculo que eu esperava encontrar, a manipulação que Vivian usava com tanta facilidade.
Não encontrei.
— Se eu topar isso — falei devagar —, preciso que seja de verdade. Não um acordo de negócios vestido de noiva. Se a gente vai fazer isso, você não vai poder desaparecer nos planos da sua mãe e me deixar sem saber o que é real e o que é estratégia.
— Combinado — disse Dante, sem hesitar. — Estou cansado de adivinhar também.
Dois dias depois, o noivado foi anunciado num jantar com mais homens armados do que convidados de verdade. Repórteres foram mantidos nos portões. Flores chegaram de famílias que eu nunca tinha ouvido falar, cada arranjo uma mensagem silenciosa de aliança ou aviso.
No meio da celebração, Miguel me puxou pra um canto, o rosto pálido.
— Clara — sussurrou ele, urgente. — O filho do Frank Territo não está mais só fazendo perguntas.
— O que ele está fazendo?
— Ele está do lado de fora dos portões agora mesmo — disse Miguel. — E está dizendo que tem provas do que realmente aconteceu com o pai dele há quinze anos. Provas que citam seu pai diretamente.
Meu estômago despencou.
— O Dante sabe?
— Ainda não — disse Miguel. — Mas a Vivian sabe. E não acho que ela pretenda deixar isso terminar com calma.
Do outro lado do salão, vi Vivian se desculpar de uma conversa, a expressão dela mudando pra algo que eu nunca tinha visto antes — não o controle calmo de sempre, mas um cálculo tomado de preocupação real.
Fosse o que fosse que estava prestes a acontecer, estava prestes a acontecer rápido.
