Dez minutos depois de flagrar meu noivo com minha melhor amiga, entrei correndo na sala VIP errada, bati a porta atrás de mim, e me deparei com cinco homens armados me encarando ao lado de uma maleta cheia de dinheiro e um guardanapo manchado de sangue

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Chapter 2

Dante ficou parado por um tempo longo demais para ser coincidência, os olhos fixos na porta trancada como se estivesse calculando alguma coisa que eu não conseguia enxergar.

— Caleb o quê? — ele perguntou, a voz baixa, perigosamente controlada.

— Caleb Moore — respondi, ainda tentando entender por que aquilo importava tanto para um homem que, minutos atrás, eu nem sabia que existia.

Um dos guardas se moveu de forma quase imperceptível, trocando um olhar rápido com os outros.

— Você conhece esse nome? — perguntei, a voz ainda tremendo pelo choque de tudo que tinha acontecido naquela noite.

Dante não respondeu de imediato. Se levantou, caminhou até a mesa, e pegou o guardanapo manchado de sangue, observando por um momento antes de largar de volta sobre a madeira.

— Seu noivo tem uma dívida com essa casa — ele finalmente disse. — Uma dívida bem maior do que ele provavelmente contou para você.

O ar pareceu sumir dos meus pulmões.

— Que tipo de dívida?

— Do tipo que envolve apostas, empréstimos, e promessas que ele não tem como cumprir.

Senti o chão balançar debaixo de mim, como se a traição de Caleb, que já parecia o pior momento da minha vida, estivesse prestes a se transformar em algo ainda mais sombrio.

— Isso não faz sentido — sussurrei, mais para mim mesma do que para ele. — Caleb trabalha num escritório de contabilidade. Ele não tem esse tipo de dinheiro para perder em apostas.

— Exatamente por isso a dívida é um problema — Dante respondeu, se sentando novamente na cadeira à minha frente. — Homens desesperados fazem promessas que não sabem como cumprir.

— Quanto ele deve?

Dante hesitou, avaliando quanto revelar.

— O suficiente para eu estar interessado em saber onde ele está esta noite.

Aquela frase carregava um peso que me fez perceber, com um arrepio gelado, que eu tinha acabado de entrar em algo muito maior do que um coração partido.

— Ele está lá fora — falei, a voz ainda instável. — Na pista de dança, provavelmente ainda com Cloé.

— Cloé — Dante repetiu, o nome saindo com um tom diferente, quase reconhecendo alguma coisa.

— Minha melhor amiga — expliquei, a amargura voltando à tona. — Ou pelo menos, era.

— Interessante — ele murmurou, mais para si mesmo. — Porque uma mulher com esse nome também apareceu recentemente numa conversa sobre onde o dinheiro de Caleb estava desaparecendo.

Meu coração disparou.

— Você está dizendo que Cloé está envolvida na dívida dele?

— Estou dizendo que talvez seu noivo não seja o único mentindo para você esta noite.

Aquela possibilidade, que eu nem tinha considerado, se instalou no meu peito como um peso novo, empilhado sobre a traição que já doía o suficiente.

Dante observou minha reação com atenção clínica, como se estivesse decidindo o quanto eu era confiável.

— O que vai acontecer com ele? — perguntei, finalmente, tentando entender o alcance real daquela situação.

— Isso depende de quanto ele ainda vale para mim vivo, e quanto eu recupero se ele deixar de valer.

A frieza daquela resposta me fez perceber, pela primeira vez, o tipo de homem que estava sentado à minha frente.

— Você vai machucar ele.

— Eu vou cobrar o que é meu. O que acontece durante esse processo depende inteiramente das escolhas dele.

Fiquei em silêncio, tentando processar a ironia cruel daquela noite: eu tinha entrado naquela sala fugindo de uma traição, e agora estava sentada na frente do homem que decidia o destino do próprio traidor.

— Por que você está me contando tudo isso? — perguntei. — Eu sou só uma estranha que entrou na sala errada.

Dante se recostou na cadeira, os olhos me avaliando com uma intensidade que me deixou desconfortável de um jeito diferente do medo inicial.

— Porque você acabou de ver coisas que a maioria das pessoas nunca vive para contar. E porque, por algum motivo, prefiro decidir o que fazer com você tendo todas as informações na mesa, em vez de deixar você sair daqui com meias-verdades.

— Isso soa como uma ameaça.

— Soa como uma escolha. A diferença fica por sua conta interpretar.

Um dos guardas se aproximou, sussurrando algo no ouvido de Dante que eu não consegui entender.

O rosto dele se fechou ainda mais.

— O que foi? — perguntei, o medo voltando com força total.

— Parece que seu ex-noivo está prestes a sair do clube com sua ex-melhor amiga — Dante respondeu, se levantando devagar. — E, aparentemente, com uma mala que não pertence a ele.

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