Dez minutos depois de flagrar meu noivo com minha melhor amiga, entrei correndo na sala VIP errada, bati a porta atrás de mim, e me deparei com cinco homens armados me encarando ao lado de uma maleta cheia de dinheiro e um guardanapo manchado de sangue

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Chapter 4

Cloé começou a chorar, o som alto e desesperado ecoando pelo corredor estreito.

— Rafaela, por favor, isso é loucura, você não pode simplesmente deixar eles machucarem ele!

— Você devia ter pensado nas consequências antes de trair sua melhor amiga — respondi, sem me virar para olhar para ela.

Dante fez um sinal discreto para os guardas, que começaram a levar Caleb para outra sala, os protestos dele ecoando cada vez mais fracos conforme se distanciavam.

— Espera — falei, de repente, surpreendendo até a mim mesma.

Dante ergueu uma sobrancelha, esperando.

— Eu não quero que ele morra — completei, a voz mais baixa. — Não importa o que ele fez comigo, eu não quero isso na minha consciência.

— Isso é misericórdia ou ainda é amor? — Dante perguntou, a pergunta carregada de uma curiosidade genuína.

— É nenhum dos dois. É só… eu não sou como ele. Não quero decisões tomadas por raiva ditando o resto da minha vida.

Dante me observou por um longo momento, algo mudando sutilmente na expressão dele.

— Ele vai pagar a dívida — Dante finalmente disse. — De um jeito ou de outro. Mas prometo que ele vai sair vivo dessa sala.

— Obrigada.

— Não me agradeça ainda. Ele vai trabalhar para mim até quitar cada centavo, e isso não vai ser fácil para ele.

Aquilo parecia justo o suficiente para eu conseguir viver comigo mesma.

Cloé, ainda chorando, se aproximou de mim, tentando tocar meu braço.

— Rafaela, eu sinto muito, de verdade…

Afastei o braço antes que ela conseguisse me tocar.

— Não. Você não tem esse direito. Nunca mais.

Um dos guardas a escoltou para fora do clube, as palavras dela se perdendo no barulho da música que ainda tocava, indiferente a todo o drama que tinha se desenrolado nos bastidores daquela noite.

Fiquei sozinha com Dante no corredor agora silencioso, a adrenalina finalmente começando a ceder espaço para um cansaço profundo que parecia vir de dentro dos ossos.

— Você devia ir para casa — Dante disse, observando minha exaustão evidente.

— Eu nem sei mais onde é minha casa agora. Caleb e eu íamos morar juntos depois do casamento. Eu larguei meu apartamento antigo semana passada.

Aquela revelação pareceu pegar Dante de surpresa.

— Você não tem para onde ir esta noite?

— Aparentemente não.

Ele ficou em silêncio por um momento, parecendo debater internamente algo que eu não conseguia adivinhar.

— Tenho um apartamento seguro que uso ocasionalmente. Você pode ficar lá esta noite, até decidir o que fazer.

— Por que você faria isso por mim?

— Porque você acabou de entrar no meio de uma bagunça que não era sua, e ainda assim escolheu não pedir sangue quando teve a chance. Isso diz alguma coisa sobre seu caráter.

Aceitei a oferta, exausta demais para questionar as motivações dele ou pensar em alternativas melhores.

O apartamento era discreto, elegante, claramente usado com pouca frequência, mas equipado com tudo que qualquer pessoa poderia precisar para uma estadia confortável.

— Amanhã vou providenciar alguém para buscar suas coisas na casa que você dividia com Caleb — Dante disse, já na porta, prestes a sair. — Você não precisa se preocupar com isso.

— Por que você está sendo tão gentil comigo? — perguntei, genuinamente confusa com a disparidade entre o homem que tinha visto trancar aquela porta horas atrás e o que estava na minha frente agora.

Dante parou, considerando a pergunta por um longo momento.

— Porque acho que você merece pelo menos uma pessoa nessa noite que não te traiu ou te usou.

Aquela resposta ficou ecoando na minha cabeça muito depois de ele ter saído, me deixando sozinha para processar tudo que tinha mudado em questão de poucas horas.

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