Dez minutos depois de flagrar meu noivo com minha melhor amiga, entrei correndo na sala VIP errada, bati a porta atrás de mim, e me deparei com cinco homens armados me encarando ao lado de uma maleta cheia de dinheiro e um guardanapo manchado de sangue

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Chapter 6

O peso daquela revelação me atingiu com força total.

— O que isso significa exatamente? — perguntei, tentando manter a voz firme apesar do medo crescente.

— Significa que alguém está usando a situação do Caleb como desculpa para tentar me extorquir, e essa pessoa sabe que você esteve envolvida na noite em que tudo aconteceu.

— Como alguém saberia disso?

— Vazamentos acontecem. Nesse mundo, segredos raramente permanecem segredos por muito tempo.

Dante se levantou, caminhando até a janela, observando a rua abaixo com uma tensão que eu nunca tinha visto nele antes, nem naquela primeira noite apavorante.

— Você precisa ficar mais um tempo aqui — ele disse, sem se virar. — Até eu resolver essa situação completamente.

— Dante, eu não posso ficar escondida para sempre.

— Não é para sempre. É até garantir sua segurança.

Duas noites depois, a situação escalou de forma que eu jamais teria previsto.

Um dos guardas de Dante apareceu no apartamento, o rosto tenso, trazendo notícias urgentes.

— Encontramos quem está por trás da ameaça — ele disse. — É um antigo sócio do pai de Dante, alguém que sempre teve inveja do território que ele construiu.

Dante ficou em silêncio, processando aquela informação com uma calma que escondia, eu já conseguia perceber, uma fúria controlada por baixo da superfície.

— O que você vai fazer? — perguntei, o medo pela segurança dele superando qualquer preocupação com a minha própria.

— Vou resolver isso da única forma que esse mundo entende.

— Isso significa violência?

— Significa proteger o que é meu, incluindo você.

Aquela declaração, tão direta e possessiva, deveria ter me assustado.

Em vez disso, senti um calor inesperado se espalhar pelo peito.

Naquela noite, Dante saiu para resolver a situação, deixando dois guardas de confiança no apartamento comigo, a tensão da espera quase insuportável enquanto as horas se arrastavam sem notícias.

Perto do amanhecer, ele finalmente voltou, um corte superficial na sobrancelha, mas inteiro, vivo, a postura carregando o peso de uma noite difícil, mas resolvida.

— Está tudo acabado — ele disse, a voz cansada mas firme. — Ele não vai incomodar ninguém nunca mais.

Corri até ele sem pensar duas vezes, envolvendo-o num abraço que carregava semanas de tensão acumulada finalmente encontrando alívio.

— Fiquei apavorada — sussurrei contra o peito dele.

— Eu sei. Sinto muito por ter colocado você nessa posição.

— Você não me colocou em posição nenhuma, Dante. Eu que entrei correndo pela porta errada naquela noite.

Ele riu, um som baixo e cansado, mas genuíno, envolvendo os braços ao redor de mim com um cuidado que contrastava completamente com a reputação perigosa que o cercava.

Nas semanas seguintes, com a ameaça externa neutralizada e Caleb trabalhando silenciosamente para quitar sua dívida longe da minha vida, comecei finalmente a reconstruir uma existência que fazia sentido para mim, agora impossivelmente entrelaçada com o mundo complexo de Dante.

Numa tarde tranquila, sentados juntos na varanda do apartamento que, gradualmente, tinha deixado de ser apenas um esconderijo temporário para se tornar algo parecido com um lar, Dante segurou minha mão com um cuidado que eu nunca imaginaria de um homem tão perigoso quando o conheci.

— Sem arrependimentos? — ele perguntou, observando meu rosto com atenção.

— Nenhum — respondi, com uma certeza que me surpreendeu genuinamente. — Se Caleb nunca tivesse me traído, eu nunca teria entrado naquela sala. E nunca teria te conhecido.

— Então, de certa forma, ele fez um favor para nós dois.

— O único favor decente que ele fez em toda a nossa história juntos.

Rimos, um som leve que contrastava completamente com o terror daquela primeira noite, quando cinco homens armados e uma maleta cheia de dinheiro tinham mudado o curso da minha vida para sempre.

E ali, sentindo o calor da mão de Dante entrelaçada com a minha, olhando para o horizonte da cidade que quase tinha me destruído, mas que, de alguma forma retorcida, também tinha me dado exatamente o que eu nunca soube que precisava, me peguei pensando: quantas vezes a pior noite da nossa vida esconde, sem que a gente perceba na hora, o início exato de tudo que realmente importa?

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