Chapter 3
O peso daquela informação me atingiu como um soco no estômago.
— Que mala? — perguntei, tentando acompanhar o raciocínio de Dante enquanto ele já se movia em direção à porta, destrancando-a com um gesto rápido.
— A mala que ele devia ter deixado aqui, com o pagamento parcial da dívida — Dante respondeu, sem se virar para mim. — Parece que ele decidiu que fugir com o dinheiro era mais fácil do que pagar.
Meu coração disparou.
— Ele está roubando você?
— Ele está cometendo um erro que a maioria dos homens só comete uma vez na vida.
Dante saiu da sala, os quatro guardas o seguindo instantaneamente, e por um segundo fiquei sozinha, sem saber se devia correr na direção oposta ou seguir aquele grupo de homens perigosos rumo a um confronto que, de alguma forma, ainda envolvia minha própria vida.
Decidi segui-los.
Talvez fosse loucura. Talvez fosse a adrenalina ainda correndo forte demais no meu corpo para permitir decisões racionais. Mas eu precisava ver com meus próprios olhos o que estava acontecendo.
Encontrei Caleb perto da saída dos fundos do clube, a mala apertada contra o peito, Cloé ao lado dele puxando o braço em direção à porta.
— Precisamos ir agora — ela sibilava, o pânico evidente na voz.
Foi então que Dante apareceu, os guardas se posicionando silenciosamente ao redor da saída, cortando qualquer rota de fuga.
Caleb congelou.
— Dante — ele disse, a voz tremendo. — Eu ia te procurar amanhã, eu juro, eu só…
— Você ia fugir com meu dinheiro — Dante completou, a voz perigosamente calma. — Foi isso que você ia fazer.
Cloé, percebendo minha presença atrás do grupo de guardas, empalideceu instantaneamente.
— Rafaela — ela sussurrou, o nome saindo como uma confissão de culpa.
— Não fala meu nome — respondi, a raiva finalmente encontrando voz depois de horas engolida pelo choque. — Você perdeu esse direito quando decidiu enfiar a língua na boca do meu noivo.
— Rafaela, eu posso explicar…
— Você pode explicar por que estava me ajudando a escolher flores para o casamento enquanto dormia com ele pelas minhas costas?
Caleb, tentando desviar a atenção da própria situação desesperadora, se virou para mim com uma expressão que misturava súplica e desespero.
— Rafaela, por favor, não deixa ele fazer nada comigo. Eu vou pagar tudo, eu prometo, só preciso de mais tempo.
— Isso não é mais problema meu, Caleb.
— Você não pode simplesmente virar as costas para mim depois de três anos juntos!
— Três anos que você passou construindo uma mentira com minha melhor amiga.
Dante observava toda aquela troca com um interesse quase clínico, como se estivesse estudando cada reação, cada palavra, guardando informações que provavelmente usaria depois.
— Comovente — ele finalmente disse, a voz cortando a tensão do momento. — Mas isso não muda o fato de que você tentou roubar de mim, Caleb.
— Eu vou devolver tudo, Dante, juro por Deus.
— A mala já está na minha frente. Isso não é devolver, é ser pego.
Um dos guardas avançou, tirando a mala das mãos trêmulas de Caleb, que não ofereceu resistência alguma, o desespero visivelmente consumindo qualquer resquício de coragem.
— O que vai acontecer comigo agora? — Caleb perguntou, a voz reduzida a um sussurro.
Dante olhou para mim antes de responder, uma pergunta silenciosa passando entre nós que eu não soube interpretar imediatamente.
— Isso depende de uma coisa — ele disse, finalmente, voltando o olhar para Caleb. — De quanto sua ex-noiva se importa com o que acontece com você essa noite.
Todos os olhos se voltaram para mim, incluindo os de Caleb, agora carregados de uma súplica desesperada que, algumas horas atrás, teria me quebrado o coração.
Mas agora, olhando para aquele homem que tinha destruído tudo que eu pensava conhecer sobre lealdade e amor, senti apenas um vazio frio onde antes existia afeto.
— Eu não me importo — respondi, a voz surpreendentemente firme. — Faça o que precisar fazer.
O silêncio que se seguiu àquela declaração carregava um peso que eu sentiria pelo resto da noite, e provavelmente pelo resto da vida.
