POR CAUSA DO TAMANHO DELE, O CHEFÃO DA MÁFIA ERA REJEITADO POR TODAS AS MULHERES — ATÉ UMA CONFEITEIRA DESAJEITADA ACEITAR SE TORNAR SUA NOIVA

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Chapter 1

POR CAUSA DO TAMANHO DELE, O CHEFÃO DA MÁFIA ERA REJEITADO POR TODAS AS MULHERES — ATÉ UMA CONFEITEIRA DESAJEITADA ACEITAR SE TORNAR SUA NOIVA

Cheguei à mansão nas montanhas esperando me casar com um chefão da máfia que eu nunca tinha visto na vida.

Em vez disso, tropecei na própria mala, agarrei a camisa cara dele, e quase o puxei para os meus braços.

Todo mundo na sala ficou me encarando.

Mas o olhar dele não era de raiva.

Era o olhar de um homem que já esperava ser rejeitado.

E, de algum jeito, decidi que seria a primeira mulher que não o rejeitaria.

O carro do aeroporto subiu por quarenta minutos até os portões da propriedade aparecerem, ferro e pedra antiga entalhados na encosta da montanha acima do Lago Como. Passei a viagem inteira ensaiando o que dizer para um homem a quem meu pai tinha me prometido por causa de uma dívida que nunca explicou direito.

Nunca cheguei a usar nada daquilo.

O motorista abriu minha porta. A roda da mala travou errado na cascalho, e eu cambaleei até a entrada na frente de dois homens de terno preto que nem piscaram.

— Senhorita Bennett? — um deles disse.

— Sou eu. Desculpa. Voo longo.

Ele não sorriu. A casa atrás dele também não — três andares de pedra clara, com janelas altas demais para serem confortáveis, o tipo de lugar construído para lembrar aos visitantes exatamente o quão pequenos eles eram.

Lá dentro, o hall de entrada cheirava a cera de abelha e mármore frio. Uma mulher de maçãs do rosto marcantes me observava da escada, a expressão indecifrável.

— Você é menor do que eu imaginava — ela disse.

— Escuto isso bastante. Geralmente seguido de um elogio que eu não pedi.

Aquilo arrancou um leve tremor no canto da boca dela.

— Sou Elena.

— Sofia.

— Eu sei quem você é.

Antes que eu pudesse perguntar o que aquilo significava, uma porta no fim do corredor se abriu, e eu o ouvi antes de vê-lo — uma voz, grave, terminando uma ligação em italiano sem se despedir.

Então ele atravessou o vão da porta, e o vão pareceu pequeno.

Quase dois metros de altura. Ombros que preenchiam o vão dos dois lados. Um terno bem cortado que não conseguia fazer um homem daquele tamanho parecer nada além do que ele realmente era.

Os olhos dele encontraram os meus.

E se prepararam para o impacto.

Vi acontecer — ele inteiro se preparando, do jeito que a gente se prepara para uma porta bater com força, para um rosto do outro lado da sala desmoronar do mesmo jeito que outros cinco rostos já tinham desmoronado antes do meu.

A roda da minha mala travou no tapete.

Caí rápido, a mão disparando em busca de qualquer coisa firme, e o que ela encontrou foi a camisa dele. Duas mãos cheias de tecido. Por um segundo absurdo, fiquei ali pendurada, desequilibrada, puxando ele meio centímetro na minha direção antes que a mão dele fechasse em volta do meu cotovelo e me endireitasse como se eu não pesasse nada.

Silêncio. Do tipo que tem textura.

Depois, baixinho: — Você não vai comentar.

Levantei o olhar.

— Sobre a mala? É uma mala bonita. Não gostaria de ofender ela.

— Sobre mim.

— Deveria?

Alguma coisa mudou por trás dos olhos dele — não era alívio. Ainda não. Mais parecido com um homem recebendo um roteiro numa língua que ele quase tinha esquecido como ler.

— Me disseram que você ia dar uma olhada em mim e pedir para ir embora — ele disse.

— Quem disse isso?

— Experiência.

Cinco palavras, e eu entendi toda a forma dele. Cinco mulheres. Cinco portas que tinham se aberto exatamente para aquele homem e se fechado por causa de alguém menor em tudo que realmente importava.

— Luca Moretti — ele disse, estendendo a mão como se já esperasse que eu recusasse.

Apertei a mão dele.

— Sofia Bennett. Faço bolos de casamento. Caio o tempo todo. Falo demais quando estou nervosa, o que estou, extremamente, agora mesmo.

O canto da boca dele fez algo que claramente não estava acostumado a fazer.

Marco pigarreou perto da porta.

— Signor Moretti. O padre está perguntando se a cerimônia ainda é hoje à noite.

O maxilar de Luca travou. Ele olhou para mim do jeito que um homem olha para a última página de um livro que já leu cinco vezes, já certo do final.

Abri a boca para responder.

Elena se colocou entre nós primeiro, a voz baixando ao ponto de só eu conseguir ouvir.

— Antes de você dizer sim — ela sussurrou — tem uma coisa sobre esse casamento que você precisa saber. Uma coisa que meu irmão não sabe que eu sei.

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