Dois anos depois de a bala de um atirador de elite roubar o movimento das minhas pernas, todo mundo dentro da minha propriedade tinha aprendido a me temer

Written by

in

Chapter 3

Levei três dias para descobrir a verdade, e quando descobri, a fúria que senti foi diferente de qualquer coisa que já tinha experimentado desde o atentado.

Mandei Luke investigar discretamente, e o relatório voltou pior do que eu esperava: Emma devia dinheiro para um agiota de bairro chamado Petrov, um homem pequeno na hierarquia do crime, mas cruel o suficiente para machucar quem não pagava em dia. A dívida original era da mãe dela — remédios não cobertos pelo seguro, tratamentos experimentais que a instituição de memória tinha empurrado como última esperança.

Emma tinha pego emprestado de Petrov quando os hospitais recusaram mais crédito. E agora, com juros compostos que beiravam a usura criminosa, a dívida tinha triplicado.

— Ele mandou capangas até o apartamento dela — Luke relatou, o rosto sério. — Deram um susto. Um deles a segurou com força demais no braço quando ela disse que não tinha o dinheiro esse mês.

Algo gelado e absoluto se instalou dentro de mim.

— Quanto ela deve?

— Quarenta e dois mil.

Peguei o telefone sem hesitar. — Quero o endereço do Petrov. Hoje à noite.

— Danny, pensa bem. Você ainda está se recuperando, não pode ir pessoalmente…

— Não vou pessoalmente. Vou mandar você e dois homens. Quero o dinheiro dela quitado, a dívida zerada, e quero que Petrov entenda, de forma muito clara, que Emma Carter está sob minha proteção agora.

Luke hesitou. — Isso vai atrair atenção, Danny. Um homem que ninguém vê há dois anos, de repente, protegendo abertamente uma faxineira? As pessoas vão perguntar por quê.

— Deixa perguntarem.

Naquela noite, Emma chegou para o turno parecendo mais abatida do que nunca, os olhos vermelhos de quem tinha chorado escondido.

— Sente-se — eu disse, assim que ela entrou no escritório.

— Tenho trabalho pra fazer, senhor Castellano.

— Sente-se, Emma. Por favor.

A palavra “por favor” pareceu surpreendê-la o suficiente para obedecer.

— Eu sei sobre a dívida — eu disse diretamente. — Sei sobre Petrov. Sei que ele mandou alguém machucar você.

O rosto dela empalideceu. — Como você…

— Eu sei de tudo que acontece perto de mim, Emma. É assim que sobrevivo. — Fiz uma pausa, escolhendo as palavras com cuidado. — A dívida está quitada. Meus homens visitaram Petrov essa noite.

Ela ficou em silêncio, o choque visível no rosto. — Você não tinha o direito de fazer isso sem me perguntar.

— Eu tinha o direito de proteger alguém que está sendo machucada por causa de dinheiro que devia ter vindo de mim há semanas.

— Eu não sou sua responsabilidade!

— Você virou minha responsabilidade no momento em que decidiu limpar meu corredor mesmo eu gritando pra você parar. — Minha voz subiu, mais alta do que pretendia. — Você acha que eu não percebi como você trabalha até cair, como se sacrifica pela sua mãe sem pedir nada em troca? Eu tenho mais dinheiro do que jamais vou conseguir gastar, Emma, e você está se afundando em dívida com um agiota de bairro por causa de orgulho.

Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela, a fachada de controle finalmente rachando. — Você não entende. Se eu aceito ajuda de você, isso me torna… isso significa que eu sou só mais uma pessoa usando você pelo dinheiro. E eu não quero ser isso.

— Você nunca foi isso.

— Como você sabe?

— Porque você é a única pessoa nessa casa que nunca pediu nada. — Aproximei minha cadeira dela, parando perto o suficiente para segurar a mão dela, um gesto que eu não fazia com ninguém havia dois anos. — Deixa eu fazer isso por você. Não porque eu tenho pena. Porque eu me importo com o que acontece com você.

Ela olhou para nossas mãos entrelaçadas, depois para meu rosto, procurando alguma mentira escondida ali. Não encontrou nenhuma.

— Isso é perigoso — ela sussurrou. — Se as pessoas descobrirem que você se importa comigo…

— Eu sei.

— Elas vão usar isso contra você.

— Eu sei disso também.

— E mesmo assim você fez o que fez.

— Mesmo assim.

Ela se inclinou, apoiando a testa contra a minha mão, um gesto de rendição que carregava mais intimidade do que qualquer palavra poderia expressar.

Nenhum dos dois percebeu que, do lado de fora do escritório, um dos guardas — um homem relativamente novo na organização, contratado há apenas seis meses — observava a cena pela fresta da porta entreaberta, o celular já discretamente gravando tudo.

Ele saiu silenciosamente, digitando uma mensagem enquanto se afastava pelo corredor: O chefe encontrou uma fraqueza. Vale muito dinheiro pra quem souber usar isso direito.

← Capítulo AnteriorPróximo Capítulo →

Lista de Capítulos