Dois anos depois de a bala de um atirador de elite roubar o movimento das minhas pernas, todo mundo dentro da minha propriedade tinha aprendido a me temer

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Chapter 5

A instituição de cuidados de memória parecia diferente à noite — mais silenciosa, mais vulnerável, iluminada apenas por luzes de emergência espalhadas pelo corredor principal.

Cheguei o mais rápido que meu corpo permitia, a cadeira de rodas motorizada avançando pelos corredores enquanto Emma corria ao meu lado, o rosto marcado pelo terror puro.

Encontramos a mãe dela dormindo tranquilamente no quarto, sem saber da tempestade que quase a tinha engolido. Dois dos meus homens guardavam a porta, tensos, atentos.

— Ela está bem — um deles confirmou. — Não chegaram perto o suficiente pra fazer qualquer coisa. Encontramos o corpo do Marco antes que ele conseguisse entrar no prédio.

Emma desabou numa cadeira ao lado da cama da mãe, as mãos tremendo violentamente enquanto processava o quão perto tinha chegado de perder tudo.

— Isso não vai parar, vai? — ela perguntou, a voz quebrada. — Eles vão continuar vindo atrás de mim, da minha mãe, até conseguirem o que querem.

— Não. — Minha voz saiu mais dura do que pretendia. — Porque eu vou acabar com isso essa noite.

— Danny, você não pode nem andar. Como você vai…

— Não vou pessoalmente. — Peguei o celular, discando o número de Luke. — Mas vou usar cada recurso, cada conexão, cada favor que já acumulei em vinte anos nesse negócio pra garantir que os Kozlov entendam, de uma vez por todas, que atacar quem eu amo tem um preço que eles não vão querer pagar.

Luke atendeu na primeira chamada. — Diga.

— Reúna todos. Quero uma reunião de emergência com os chefes das outras famílias até amanhã de manhã. Vou propor uma aliança contra os Kozlov — eles quebraram a trégua duas vezes agora, primeiro comigo, depois indo atrás de civis inocentes. Isso viola todo código que sustenta esse negócio.

— Isso é guerra total, Danny.

— Não. Isso é justiça. E dessa vez, eu não vou negociar de uma cadeira de rodas escondido atrás de portas blindadas. Vou liderar isso de frente.

Nas horas seguintes, uma máquina que eu tinha deixado adormecer por dois anos inteiros voltou a girar com uma eficiência assustadora. Ligações foram feitas, favores cobrados, alianças reativadas. Ao amanhecer, cinco famílias diferentes tinham concordado, ainda que relutantes, que os Kozlov tinham ido longe demais ao atacar civis fora do jogo.

Emma observava tudo com uma mistura de horror e fascínio, vendo pela primeira vez a extensão real do poder que eu comandava.

— Isso é quem você realmente é — ela disse baixinho, enquanto eu desligava depois da última ligação. — Não o homem quebrado numa cadeira. Isso.

— Isso também é quem eu sou. — Segurei a mão dela. — Mas eu preferia mil vezes ser só o homem que te traz chá à noite, se isso significasse que você e sua mãe estariam seguras sem precisar de guerra nenhuma.

— Eu sei. — Ela apertou minha mão. — E é exatamente por isso que eu confio em você pra fazer o que precisa ser feito.

Os Kozlov caíram três dias depois — não através de violência direta, mas através do isolamento total orquestrado pela aliança temporária que eu tinha formado. Territórios cortados, fornecedores intimidados a parar de negociar com eles, informações vazadas para as autoridades sobre operações que os próprios Kozlov jamais imaginariam que alguém saberia.

Em uma semana, a organização deles tinha desmoronado, os líderes fugindo da cidade ou desaparecendo em prisões federais através de denúncias anônimas cuidadosamente plantadas.

Nenhuma bala foi disparada pessoalmente por mim. Mas a mensagem foi tão clara quanto qualquer tiro: quem eu amava estava, finalmente, protegido.

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