Dois anos depois de a bala de um atirador de elite roubar o movimento das minhas pernas, todo mundo dentro da minha propriedade tinha aprendido a me temer

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Chapter 4

O relatório sobre o guarda chegou uma semana depois, e o nome que Luke trouxe até meu escritório fez o sangue gelar nas minhas veias — o que restava de circulação nelas, ao menos.

— Marco Alvarez — Luke disse, jogando uma pasta sobre minha mesa. — Contratado há seis meses pelo departamento de segurança. As referências eram falsas. Investigamos mais a fundo depois de perceber que ele andava tirando fotos que não deveria.

— Trabalha pra quem?

— Isso é a parte ruim, Danny. — Luke hesitou, algo raro nele. — Ele trabalha pros Kozlov.

O nome pousou no escritório como um peso morto. Os Kozlov eram a família que, dois anos atrás, tinha contratado o atirador que me deixou paralítico — numa guerra territorial que eu achava ter vencido quando o atirador foi encontrado morto três dias depois do atentado, supostamente eliminado pela própria organização deles para cobrir rastros.

— Achei que tínhamos resolvido isso — eu disse, a voz baixa e perigosa.

— Achávamos. Aparentemente, eles nunca desistiram completamente. Só esperaram você ficar vulnerável o suficiente pra tentar de novo.

— E encontraram a vulnerabilidade.

— Encontraram a Emma.

A raiva que senti não tinha comparação com nada que eu tinha experimentado nos últimos dois anos — nem mesmo a fúria impotente da paralisia se comparava ao terror gelado de perceber que a pessoa que eu tinha começado, contra toda lógica, a amar, estava em perigo por minha causa.

— O que eles querem?

— Não sabemos ainda com certeza. Mas o padrão é claro: identificar quem você ama, usar isso como alavanca. Provavelmente vão tentar sequestrá-la, ou ameaçá-la, pra forçar você a ceder território, ou pior.

— Onde está Marco agora?

— Desaparecido. Sumiu depois de mandar a última mensagem que interceptamos.

Chamei Emma ao escritório naquela noite, o coração pesado com o que precisava contar a ela.

— Preciso que você fique aqui. Na propriedade. Full-time, com segurança total, até resolvermos isso.

— O quê? Por quê?

Expliquei tudo — os Kozlov, o atentado de dois anos atrás, Marco, o perigo real que agora pairava sobre ela por estar próxima de mim.

Emma ficou em silêncio por um longo momento, processando a magnitude daquilo. — E minha mãe? Eu não posso simplesmente abandonar as visitas dela.

— Vou mandar segurança para a instituição também. Discreta, mas presente.

— Isso é loucura, Danny. — Era a primeira vez que ela usava meu primeiro nome, e o peso disso não passou despercebido por nenhum dos dois. — Eu sou uma faxineira. Não deveria estar no meio de uma guerra entre famílias criminosas.

— Eu sei. — Peguei a mão dela. — E sinto muito por ter te colocado nessa posição só por existir na sua vida.

— Você não me colocou em posição nenhuma. Eu escolhi ficar. Cada vez que eu ficava até tarde, trazia chá, sentava pra conversar — eu escolhi isso, Danny. Ninguém me forçou.

— Mesmo sabendo o risco?

— Eu não sabia o risco completo até agora. — Ela apertou minha mão de volta. — Mas mesmo sabendo, acho que ainda escolheria ficar.

As palavras dela quebraram algo dentro de mim — uma parte que tinha se fechado completamente desde o atentado, convencida de que ninguém jamais escolheria ficar perto de um homem quebrado voluntariamente.

— Eu te amo — eu disse, as palavras saindo antes que eu pudesse contê-las. — Percebi isso na noite que te encontrei dormindo na minha cama, mais preocupado com o fato de você estar exausta do que com qualquer invasão de privacidade.

Emma sorriu, lágrimas brilhando nos olhos. — Eu também te amo. Mesmo sabendo que isso é a coisa mais irresponsável que já senti na vida.

O momento foi interrompido pelo celular de Luke tocando alto no corredor, seguido pelos passos apressados dele entrando no escritório sem bater.

— Danny. Encontraram Marco.

— Onde?

— Morto. Num beco perto da instituição de memória da mãe da Emma.

O sangue de Emma sumiu do rosto completamente. — Minha mãe…

— Ela está bem — Luke se apressou em dizer. — A segurança chegou a tempo. Mas o recado é claro: os Kozlov sabem exatamente onde encontrar as pessoas que você ama, Danny. E não têm medo de eliminar os próprios homens pra mandar uma mensagem.

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