Eu entrei num leilão privado porque meu irmão mais novo precisava de uma cirurgia de duzentos mil dólares que eu jamais conseguiria pagar sozinha.

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Chapter 1

Eu entrei num leilão privado porque meu irmão mais novo precisava de uma cirurgia de duzentos mil dólares que eu jamais conseguiria pagar sozinha.

Quando um milionário misterioso ofereceu meio milhão de dólares por uma única noite comigo, achei que finalmente tinha encontrado o milagre capaz de salvar o Diego.

Mas quando Sebastian Blackwood descobriu a verdade sobre por que eu estava ali, a primeira pergunta que ele fez me mostrou que ele não tinha me escolhido pelo motivo que todo mundo imaginava.

Eu estava dentro de um ônibus, atravessando Manhattan, quando mais uma mensagem do hospital apareceu no meu celular.

Três semanas.

Era esse o tempo que meu irmão mais novo ainda tinha antes que os médicos não pudessem mais garantir que a cirurgia funcionaria.

O custo era duzentos mil dólares.

Eu já tinha vendido quase tudo que possuía, pedido dinheiro emprestado a amigos, e trabalhado turnos duplos na galeria de arte.

Tinha vinte mil dólares guardados.

— Você parece estar carregando o mundo inteiro nas costas — disse minha colega de trabalho, Patricia, sentando ao meu lado.

Ela sabia sobre o Diego.

Foi então que ela me mostrou uma coisa que, a princípio, achei loucura.

Um leilão beneficente privado, onde pessoas ricas davam lances por acompanhantes pra jantares, festas e eventos sociais.

— Nenhuma intimidade é obrigatória — explicou Patricia. — Existem contratos, segurança. Você decide seus próprios limites.

— Eu não posso deixar estranhos darem lances por mim.

Três dias depois, eu estava dentro do Grand View Hotel, em Manhattan.

O desespero muda o significado da palavra impossível.

Catherine Wells, a organizadora, explicou tudo com cuidado. Os participantes eram verificados, os acordos documentados, e a intimidade física continuava sendo totalmente opcional.

Depois ela mencionou os valores.

— A maioria dos lances fica entre cinquenta e trezentos mil dólares.

Pensei no Diego, deitado sob as luzes do hospital, ainda me dizendo pra eu não me preocupar com ele.

Assinei o contrato.

Naquela noite, fiquei nos bastidores, cercada de mulheres que pareciam ter nascido pra estar em salões como aquele.

Eu não parecia.

Usava um vestido preto simples, maquiagem discreta, e o cabelo escuro solto sobre os ombros.

Quando chamaram meu nome, minhas pernas quase falharam.

O lance começou em cinquenta mil dólares.

Depois oitenta mil.

Cento e vinte mil.

Duzentos mil.

Meu coração disparou.

Aquilo já seria suficiente.

Foi então que uma voz masculina veio da escuridão.

— Quinhentos mil.

Silêncio total.

Até o leiloeiro hesitou por um segundo.

— Vendido. Licitante número doze. Quinhentos mil dólares.

Eu mal conseguia respirar.

Meio milhão de dólares.

O Diego podia fazer a cirurgia.

Catherine me puxou de volta pros bastidores, apressada.

— O senhor Blackwood quer te conhecer antes de finalizar tudo.

— Quem é ele?

A expressão dela mudou de um jeito estranho.

— Sebastian Blackwood. E isso é incomum. Ele nunca tinha participado de um desses leilões antes.

Minutos depois, entrei num salão privado.

Sebastian estava de pé perto das janelas, olhando pra Manhattan lá embaixo.

Quando ele se virou, entendi por que as pessoas o achavam intimidador. Alto, vestido impecavelmente, talvez trinta e oito anos, com a expressão controlada de alguém acostumado a fazer qualquer sala inteira se curvar ao seu redor.

Os olhos dele me estudaram.

Não o vestido.

O meu rosto.

— Maria Santos?

— Sim.

— Por que você está aqui?

Engoli em seco.

— Imagino que o senhor já saiba como funciona o leilão.

— Não foi isso que eu perguntei.

Alguma coisa na voz dele arrancou qualquer resposta ensaiada que eu tivesse preparado.

— Meu irmão está morrendo.

Sebastian ficou completamente parado.

— Ele precisa de uma cirurgia. Eu não consegui juntar dinheiro suficiente.

— Quanto?

— Duzentos mil.

A testa dele se franziu.

— E você concordou em passar uma noite com um estranho por causa disso?

— Eu concordei em acompanhar alguém a um evento social.

A expressão dele suavizou um pouco.

— Nada além disso?

O calor subiu pro meu rosto.

— Não.

Então ele perguntou, baixinho:

— Você já esteve com alguém?

Eu o encarei.

— Não.

A palavra pareceu surpreendê-lo.

Eu nunca tinha tido tempo nem confiança suficiente pra intimidade. Entre o trabalho, a família e cuidar do Diego, romance sempre pertenceu a alguma versão futura e distante da minha vida.

Sebastian desviou o olhar.

Por vários segundos, nenhum dos dois falou nada.

Depois ele pegou o celular.

— O acordo está cancelado.

Meu estômago despencou.

— O quê?

Ele fez uma ligação.

— Transfira quinhentos mil dólares pra conta do hospital listada nos documentos da senhorita Santos.

Eu não conseguia me mexer.

— O senhor não precisa fazer isso.

— Eu sei.

— Então por quê?

Sebastian me olhou devagar.

— Porque eu não dei lance em você por uma noite, Maria.

Meu pulso acelerou.

— Então por que deu o lance?

Ele tirou do paletó uma fotografia antiga e colocou sobre a mesa.

Minha respiração parou.

O Diego estava naquela foto.

E ao lado dele estava Sebastian.

— A história que a Catherine te contou sobre seu irmão — disse ele, baixinho — não é a verdade completa.

Fiquei olhando pra fotografia.

As próximas palavras de Sebastian saíram quase num sussurro.

— Antes de você aceitar meu dinheiro, você precisa saber quem o Diego realmente é.

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