Eu entrei num leilão privado porque meu irmão mais novo precisava de uma cirurgia de duzentos mil dólares que eu jamais conseguiria pagar sozinha.

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Chapter 2

Peguei a fotografia com as mãos tremendo, olhando pra imagem congelada no tempo: um Diego mais novo, talvez uns doze anos, sorrindo ao lado de um Sebastian visivelmente mais jovem, os dois em frente a uma casa que eu nunca tinha visto.

— Isso não faz sentido — falei. — Diego nunca mencionou conhecer você.

— Ele não sabe que me conhece. Não do jeito que você está pensando.

— Então explica.

Sebastian se sentou na poltrona em frente a mim, os dedos entrelaçados, escolhendo as palavras com o cuidado de quem sabia que estava prestes a derrubar tudo que eu acreditava sobre minha própria família.

— Meu pai, Richard Blackwood, teve um caso antes de se casar com minha mãe. Com uma mulher chamada Elena Santos.

O nome da minha mãe.

O ar saiu dos meus pulmões de uma vez.

— Isso é impossível.

— Elena engravidou. Meu pai, sendo quem era, decidiu que o escândalo custaria caro demais pra família. Pagou pra ela desaparecer da vida dele, com a condição de nunca revelar quem era o pai da criança.

— Diego.

— Diego.

Levantei, as pernas fracas demais pra continuar sentada.

— Você está dizendo que Diego é seu… irmão?

— Meio-irmão. Por parte de pai.

— E você sabia disso o tempo todo?

— Descobri há oito meses, quando meu pai estava morrendo e decidiu, finalmente, aliviar a consciência antes de partir.

Andei até a janela, olhando pra cidade lá embaixo sem realmente enxergar nada.

— Por que você nunca procurou a gente? Se sabia há oito meses…

— Eu procurei. Descobri o endereço de vocês, o hospital, tudo. Mas quando cheguei perto o suficiente pra decidir como me apresentar, descobri sobre a doença dele.

— E decidiu ficar de longe, observando.

— Decidi que aparecer do nada, dizendo “sou seu meio-irmão bilionário”, num momento tão frágil, seria cruel demais. Pra ele e pra você.

— Então você foi pro leilão.

— Catherine Wells trabalha, na verdade, pra minha empresa de investigações. Foi assim que eu soube do leilão, e soube que você estaria lá.

Virei pra ele, a raiva finalmente encontrando palavras.

— Você manipulou tudo isso? Todo esse leilão, esse teatro?

— Eu não manipulei o leilão em si. Ele já existia, já ia acontecer com ou sem mim. Eu só garanti que seria eu a dar o lance vencedor, pra poder finalmente falar com você em particular, sem levantar suspeitas na frente de estranhos.

— Você podia ter marcado um café, Sebastian. Uma reunião normal. Qualquer coisa menos isso.

— Você teria aceitado se conhecer o herdeiro dos Blackwood pra “conversar sobre seu irmão”? Ou teria fechado a porta na cara antes mesmo de ouvir uma palavra, achando que era golpe, chantagem, qualquer coisa menos a verdade?

Aquilo me pegou de jeito, porque ele provavelmente tinha razão.

— Isso ainda não desculpa o teatro todo. Você me deixou pensar, por alguns minutos horríveis, que tinha comprado uma noite comigo.

— Eu sei. E lamento por cada segundo disso. Mas eu precisava ter certeza de quem você era antes de revelar qualquer coisa. Muita gente tentaria se aproveitar de uma herança como a de Diego.

— Herança?

Sebastian hesitou, e pela primeira vez desde que eu tinha entrado naquela sala, pareceu genuinamente incerto sobre como continuar.

— Meu pai deixou uma cláusula específica no testamento antes de morrer. Vinte por cento da fortuna Blackwood vai pra Diego, reconhecido oficialmente como filho, assim que ele completar dezoito anos ou assim que uma emergência médica justificar liberação antecipada.

O chão pareceu se mover sob meus pés.

— Vinte por cento é quanto, exatamente?

— O suficiente pra pagar a cirurgia dele mil vezes e ainda garantir o futuro de vocês dois pra sempre.

Sentei de novo, as pernas finalmente cedendo.

— Por que você simplesmente não me contou isso direto? Por que passar por todo esse leilão, esse mistério?

— Porque nem todo mundo na minha família concorda com a decisão do meu pai, Maria. E eu precisava descobrir até onde vocês dois estavam seguros antes de trazer luz pública sobre a existência de Diego.

— Quem discorda?

Sebastian olhou pra porta, como se tivesse medo de que alguém estivesse ouvindo do outro lado.

— Minha meia-irmã, Victoria. Ela nunca vai aceitar dividir a herança com um filho ilegítimo que ela nem sabia que existia até oito meses atrás.

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