Chapter 1
Meu chefe da máfia apareceu na minha porta 10 minutos antes da meia-noite — e confessou que tinha deixado um salão de baile cheio de gente porque não conseguia parar de pensar em mim
Eu tinha passado cada Réveillon sozinha desde que me lembro. Mas dez minutos antes da meia-noite, meu poderoso chefe apareceu na porta do meu apartamento de smoking, mais nervoso do que eu jamais tinha visto — e o que ele disse depois mudou tudo.
Meu nome é Elena Morrison, e a solidão tinha se tornado uma tradição que eu nunca pedi.
Naquele Réveillon, eu estava exatamente onde sempre estava: sozinha no meu apartamento minúsculo, em Queens, Nova York.
Vestia um pijama ridículo de pinguim.
Uma garrafa de vinho barato sobre a mesinha de centro.
Uma tigela de pipoca ao meu lado.
E minha única companhia era uma suculenta quase morta chamada Steve.
— Mais um feriado glamouroso, Steve — suspirei.
A planta não respondeu.
Óbvio.
Uma comédia romântica passava na TV enquanto fogos brilhavam na tela. Lá fora, a cidade fervia de celebração, mas dentro do meu apartamento, tudo parecia quieto.
Foi então que o interfone tocou.
Congelei.
Ninguém nunca me visitava.
Muito menos em feriados.
O interfone tocou de novo.
E uma terceira vez.
Devagar, caminhei até o interfone.
— Alô?
Por um instante, só estática.
Depois, uma voz familiar.
— Elena. Aqui é o Sal. Posso subir?
Meu coração quase parou.
Salvatore Rizzo.
Meu chefe.
O homem cuja agenda eu organizava.
O homem cujas ligações eu filtrava.
O homem que eu amava em segredo havia dois anos.
E o homem que todo mundo na cidade parecia temer.
Ele deveria estar numa festa de Réveillon exclusiva em Manhattan, cercado de políticos, empresários e mulheres lindas.
Em vez disso, estava parado do lado de fora do meu prédio.
Às 23h50.
— Elena? — ele perguntou, baixinho. — Por favor.
Aquela única palavra despedaçou todo pensamento racional na minha cabeça.
Abri a porta do prédio pelo interfone.
O pânico tomou conta imediatamente.
Olhei em volta do apartamento.
Cesto de roupa suja.
Xícaras sujas.
Cobertor jogado no chão.
Planta meio morta.
Corri para o banheiro, joguei água no rosto e tentei arrumar o cabelo.
O esforço falhou na hora.
Alguns instantes depois, três batidas suaves ecoaram pelo apartamento.
Abri a porta.
E lá estava ele.
Salvatore Rizzo, parado no corredor, usando um smoking impecavelmente alinhado sob um sobretudo escuro. A gravata-borboleta pendia solta no pescoço, e gotas de chuva brilhavam nos ombros dele.
Mas não foi a aparência dele que me chocou.
Foi a expressão no rosto.
Ele parecia nervoso.
— Oi — disse ele.
— Oi.
O olhar dele passou rapidamente pelo meu pijama de pinguim.
Depois sorriu.
Não de forma zombeteira.
Nem mesmo de forma divertida.
Era o tipo de sorriso que me fazia sentir bonita quando eu não tinha direito nenhum a isso.
— Posso entrar?
Dei um passo para o lado.
Sal entrou em silêncio, observando o apartamento pequeno.
O sofá.
O filme.
O vinho.
A planta.
— O Steve parece pior — comentou ele.
Pisquei.
— Você lembra do Steve?
— Você me contou sobre ele há seis meses.
Fiquei olhando para ele.
— Você realmente lembrou?
Os olhos dele encontraram os meus.
— Eu lembro de tudo que você me conta.
Meu pulso acelerou.
Lá fora, vozes distantes começaram a contar os últimos segundos do ano.
Engoli em seco.
— Sal… o que você está fazendo aqui?
Ele se virou completamente para mim.
— Eu não consegui ficar na festa.
— Por quê?
Ele hesitou.
Depois deu um passo à frente.
— Porque eu estava parado numa sala com duzentas pessoas, e só conseguia pensar em você.
As palavras me atingiram como uma onda.
Nenhum dos dois falou nada.
A contagem regressiva lá fora ficava cada vez mais alta.
Dez.
Nove.
Oito.
Sal levou a mão ao bolso interno do paletó.
Prendi a respiração.
A expressão dele mudou.
O nervosismo desapareceu.
Algo sério tomou seu lugar.
Devagar, ele tirou um envelope grosso.
Um envelope selado com um símbolo que eu reconheci na hora, dos sussurros que corriam pelo escritório, mas que eu nunca tinha tido coragem de perguntar sobre.
Então ele colocou o envelope sobre a mesinha de centro, ao lado da garrafa de vinho.
— Antes da meia-noite — disse ele, baixinho — tem uma coisa que você precisa saber sobre mim.
A multidão lá fora gritava a contagem final.
Três.
Dois.
Um.
Fogos explodiram pela cidade.
Mas eu não conseguia tirar os olhos do envelope.
Porque, no momento em que vi o nome escrito na frente dele, entendi que meu chefe não tinha vindo confessar seus sentimentos.
Ele tinha vindo me contar um segredo que podia colocar a vida de nós dois em perigo…
