Meu chefe da máfia apareceu na minha porta 10 minutos antes da meia-noite — e confessou que tinha deixado um salão de baile cheio de gente porque não conseguia parar de pensar em mim

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Chapter 3

Corri até o interruptor e apaguei as luzes da sala, o coração martelando no peito.

Sal se moveu até a janela, afastando a cortina apenas um dedo, observando a rua lá embaixo.

— O que você está vendo? — sussurrei.

— Um carro parado do outro lado da rua. Motor ligado. Ninguém desceu ainda.

— Pode ser só… um carro qualquer.

— Às 23h58, num Réveillon, parado exatamente em frente ao seu prédio? Não acredito em coincidências, Elena. Nunca acreditei.

Meu celular, esquecido em cima da mesa, começou a vibrar.

Um número desconhecido.

— Não atenda — disse Sal, rápido.

Mas alguma coisa em mim precisava saber.

Atendi, colocando no viva-voz.

Uma voz masculina, calma, quase gentil, preencheu o cômodo silencioso.

— Elena Morrison. Que bom finalmente ouvir sua voz.

Sal fechou os olhos, reconhecendo o timbre antes mesmo de eu perguntar.

— Quem é você? — perguntei, tentando manter a voz firme.

— Meu nome não importa. O que importa é a mensagem: diga ao Salvatore que a família Castellano não esqueceu o que os Rizzo fizeram. E diga a ele que agora sabemos exatamente onde ele guarda o que mais importa.

A ligação caiu.

Fiquei parada, o telefone ainda na mão, sentindo o chão sumir sob meus pés.

— Eles sabem que estou aqui — disse Sal, a voz baixa, controlada, mas os olhos traindo um pânico que eu nunca tinha visto nele.

— O que fazemos agora?

— Precisamos sair daqui. Agora.

— Sal, é meia-noite de Réveillon! Para onde vamos?

— Qualquer lugar longe dessa janela.

Ele pegou minha mão, e nós dois corremos pelo corredor do apartamento, descendo pela escada de incêndio ao invés do elevador, o coração de ambos disparado.

Do lado de fora, a rua estava tomada por fogos de artifício e gente comemorando, o que, de forma estranha, nos ajudava a nos misturar à multidão.

— Meu carro está a duas quadras — disse Sal, guiando-me pela mão através da multidão animada.

Foi então que o vi: um homem de terno escuro, parado numa esquina, claramente fora do clima festivo, os olhos fixos em nós.

— Sal…

— Eu vi.

Aceleramos o passo, cortando por uma rua lateral.

— Sal, isso é loucura! Ontem minha maior preocupação era imprimir seus relatórios trimestrais!

— Eu sei. E sinto muito por ter te trazido para isso.

— Você não me trouxe. Eu escolhi ficar por perto, mesmo sabendo que tinha alguma coisa estranha em você.

Ele me olhou de relance, um sorriso triste no rosto, mesmo em meio ao perigo.

— Você sabia?

— Eu suspeitava. Só não queria acreditar.

Chegamos ao carro, um sedan preto discreto, e Sal ligou o motor antes mesmo de eu terminar de fechar a porta.

— Aonde vamos? — perguntei, ofegante.

— Tenho uma casa segura, fora da cidade. Ninguém sabe desse lugar, nem mesmo minha própria equipe.

Ao sairmos, avistei pelo retrovisor o mesmo carro que Sal tinha visto da janela, agora ligando os faróis, começando a nos seguir.

— Sal, eles estão vindo atrás de nós.

Ele apertou o volante, os nós dos dedos brancos.

— Então é melhor você se segurar.

O carro acelerou pelas ruas quase vazias, cortando sinais amarelos, enquanto atrás de nós os faróis continuavam colados, implacáveis.

— Sal, eu tenho medo.

— Eu sei. Eu também tenho. Mas prometo: vou te tirar disso viva, custe o que custar.

Viramos numa rua lateral escura, e por um instante os faróis desapareceram do retrovisor.

Sal soltou o ar que parecia estar segurando havia minutos.

— Acho que os despistamos.

Foi nesse exato momento que meu celular voltou a vibrar.

Uma mensagem de texto, do mesmo número desconhecido.

Continha apenas uma foto.

Da porta do meu apartamento.

Aberta.

E, ao fundo, meu vaso de suculenta — o pobre Steve — tombado no chão, os cacos de vidro espalhados pelo tapete.

Eles tinham entrado no meu apartamento minutos depois de sairmos.

— Sal — sussurrei, mostrando a tela para ele. — Eles estiveram lá dentro.

O rosto dele empalideceu.

— Isso não é mais um aviso, Elena. Isso é uma declaração de guerra.

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