O Chameleia Club tinha cheiro de dinheiro antigo, bourbon derramado e desespero silencioso.

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Chapter 4

— Ele voltou — Leo repetiu, a voz ainda presa na garganta. — Doze anos escondido atrás de fundos de investimento e testas de ferro, e agora decide aparecer usando você.

Clara sentiu um arrepio subir pela espinha. — Ricky disse que ele matou sua família.

— Matou. — A palavra saiu seca, cortante. — Incendiou a casa onde meus pais e minha irmã dormiam. Eu tinha vinte e dois anos. Estava numa reunião do outro lado da cidade quando recebi a ligação. Cheguei a tempo só de ver os bombeiros tirando os corpos.

Ela nunca tinha visto aquela versão dele — não o chefe frio, calculista, mas um homem carregando uma ferida que nunca fechou.

— Por que ele fez isso?

— Meu pai recusou vender o território dele pra organização do Volkov. — Leo passou a mão pelo rosto, cansado de um jeito que não tinha nada a ver com sono. — Fui eu quem reconstruiu tudo depois. Fui eu quem jurou que Volkov ia pagar. E em doze anos, nunca consegui chegar perto o suficiente. Ele se escondeu bem.

— E agora ele usou minha mãe pra chegar em você.

— Não. — Leo balançou a cabeça, os olhos endurecendo. — Ele usou você pra chegar em mim. Sua mãe é só o instrumento.

O peso daquilo caiu sobre Clara como um bloco de concreto. — Então isso é minha culpa.

— Não. — A resposta veio rápida, firme, sem hesitação. — Isso é culpa dele. E minha, por deixar que alguém como você chegasse perto o suficiente pra virar alvo.

— Você está dizendo que devia ter me mantido longe.

— Estou dizendo que devia ter te protegido melhor. — Ele se aproximou, as mãos hesitando no ar antes de pousarem levemente nos ombros dela. — E vou consertar isso agora.

— Como?

— Vou descobrir onde Volkov está escondido. E dessa vez, não vou errar.

Clara sentiu o medo apertar o peito. — E se ele descobrir que você sabe? E se ele for atrás da minha mãe primeiro? Do Tommy?

— Não vai chegar perto deles. — A voz de Leo era um juramento, não uma promessa vazia. — A partir de hoje, tem gente vigiando o hospital da sua mãe e a faculdade do seu irmão. Vinte e quatro horas.

— Isso não resolve o problema de fundo, Leo.

— Eu sei. — Ele fechou os olhos por um segundo, como se estivesse reunindo forças para dizer o próximo pensamento. — Por isso preciso ir atrás dele antes que ele venha atrás de mim.

— Isso é loucura. Você vai se matar tentando vingança.

— Não é vingança. — Os olhos dele se abriram, frios de novo, mas com algo por trás que ela reconheceu como determinação pura. — É sobrevivência. Enquanto Volkov estiver vivo, ninguém que eu amar vai estar seguro.

A palavra pousou entre os dois antes que ele percebesse o que tinha dito. Clara prendeu a respiração.

— O que você disse?

Leo ficou em silêncio por um longo momento, como se estivesse decidindo se recuava ou seguia em frente. Escolheu seguir em frente.

— Eu amo você, Clara. Percebi isso na noite que quebrei um cinzeiro na cabeça de um homem por causa de um sorriso. Só demorei pra admitir.

Ela sentiu os olhos arderem, uma mistura confusa de medo e algo mais quente, mais perigoso do que qualquer ameaça de Volkov.

— Isso complica tudo.

— Eu sei.

— Não posso perder mais ninguém, Leo. Já perdi meu pai. Estou perdendo minha mãe aos poucos. Não posso… — a voz dela quebrou. — Não posso me apaixonar por um homem que pode morrer amanhã caçando um fantasma de doze anos.

Leo puxou-a para perto, as mãos segurando o rosto dela com uma delicadeza que contradizia tudo que ela sabia sobre o que aquelas mãos eram capazes de fazer.

— Então vem comigo. Não pra caçada — ele se apressou em dizer, vendo o pânico nos olhos dela. — Pra um lugar seguro, enquanto eu resolvo isso. Uma casa que ninguém conhece, fora da cidade. Você, sua mãe, Tommy. Todos protegidos até isso acabar.

— E se não acabar do jeito que você espera?

Ele não respondeu na hora, e o silêncio dizia mais do que qualquer palavra.

— Leo.

— Vai acabar — ele disse por fim, a voz de aço de volta. — De um jeito ou de outro, vai acabar.

Do lado de fora do prédio, um carro escuro estacionado na esquina ligou os faróis por um segundo antes de apagá-los de novo. Dentro dele, um homem de terno impecável observava a janela iluminada do apartamento de Clara através de um binóculo, um sorriso fino nos lábios.

Ele discou um número.

— Encontrei os dois juntos — disse, a voz calma, quase entediada. — Parece que o Castelli finalmente achou algo que ama de verdade. — Uma pausa, ouvindo a resposta do outro lado. — Sim, senhor. Vou preparar tudo para amanhã à noite.

Ele desligou o telefone e ficou observando a janela por mais um momento antes de dar a partida no carro e desaparecer na escuridão da rua.

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