O Chameleia Club tinha cheiro de dinheiro antigo, bourbon derramado e desespero silencioso.

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Chapter 6

O complexo industrial estava exatamente como os homens de Leo tinham descrito — galpões enferrujados, contêineres empilhados formando corredores estreitos, e um silêncio artificial demais para ser natural.

Leo avançou pela escuridão com os dois homens em quem confiava, os passos calculados, a respiração controlada. Doze anos de espera se resumiam àquela noite.

O primeiro contato veio rápido — dois capangas de Volkov surgiram entre os contêineres, e o confronto foi curto, brutal, silencioso. Leo não parou. Não havia tempo para parar.

Encontrou Volkov no escritório improvisado no segundo andar do galpão principal, sentado atrás de uma mesa velha como se estivesse esperando, um copo de conhaque na mão, absolutamente sem pressa.

— Demorou doze anos — Volkov disse, sem se levantar. Era um homem mais velho do que Leo imaginava, o cabelo grisalho, o rosto marcado por décadas de decisões cruéis. — Achei que tinha te ensinado a ser mais rápido.

— Você matou minha família e fugiu como um covarde. — A voz de Leo era gelo puro. — Isso não é sobre velocidade. É sobre paciência.

— E agora encontrou uma mulher pra recomeçar o ciclo. — Volkov deu um gole no conhaque, os olhos frios avaliando Leo. — Achei que fosse mais esperto que seu pai. Ele também morreu por amor a coisas que devia ter abandonado.

— Meu pai morreu porque um covarde incendiou a casa dele enquanto dormia. — Leo deu um passo à frente. — Não vou repetir o erro dele de subestimar você. Mas você cometeu o mesmo erro comigo.

Volkov ergueu uma sobrancelha. — Qual erro?

— Achar que eu vim sozinho pra negociar.

A porta atrás de Volkov se abriu, e dois dos homens de Leo entraram, armas em punho, cortando qualquer rota de fuga.

Volkov não pareceu surpreso — apenas resignado, o tipo de calma de um homem que sabia, no fundo, que aquele dia chegaria eventualmente.

— Então acabou — ele disse.

— Acabou. — Leo se aproximou da mesa, encarando o homem que tinha assombrado cada decisão da sua vida adulta. — Doze anos pensando em como seria esse momento. E agora que chegou, percebo que não sinto nada além de cansaço.

— A vingança nunca é o que a gente imagina.

— Não é vingança. — Leo pegou o copo de conhaque da mesa e o colocou de lado, longe do alcance de Volkov. — É justiça. E fechamento. Coisas que eu preciso pra poder viver o resto da minha vida sem carregar isso comigo.

O que aconteceu depois, Clara nunca soube em detalhes completos — Leo nunca contou, e ela nunca perguntou. Sabia apenas que ele voltou ao amanhecer, o colete à prova de balas manchado, os olhos carregados de um peso que parecia, finalmente, começar a se dissipar.

Ela correu ao encontro dele assim que o carro parou na garagem, os braços em volta do pescoço dele antes mesmo de ele sair completamente do veículo.

— Acabou — ele murmurou contra o cabelo dela. — De verdade dessa vez.

— Volkov?

— Não vai incomodar mais ninguém.

Ela não perguntou detalhes. Não precisava.

Nas semanas seguintes, a vida de Clara mudou de formas que ela nunca tinha imaginado possíveis. A dívida da mãe foi quitada por completo — não com o dinheiro sujo de Volkov, mas com os recursos legítimos que Leo começou a direcionar para negócios reais, tentando, aos poucos, transformar o império que tinha herdado em algo que não precisava mais de sangue para sobreviver.

Tommy conseguiu terminar a faculdade sem o peso constante da preocupação financeira pairando sobre cada decisão. A mãe de Clara, ainda fraca, mas estável, se mudou para uma casa menor, mais tranquila, onde podia receber tratamento sem o medo de ser despejada a qualquer momento.

Clara deixou o Chameleia Club — não porque Leo pediu, mas porque, pela primeira vez em anos, ela tinha a liberdade de escolher o que queria fazer da vida, em vez de simplesmente sobreviver ao dia seguinte. Começou um curso técnico que sempre tinha adiado por falta de tempo e dinheiro.

Leo continuava sendo quem era — um homem de passado violento, marcado por decisões que nunca conseguiria desfazer completamente. Mas com Clara, havia uma versão dele que só ela via: mais lento, mais paciente, disposto a aprender que nem tudo precisava ser controlado com punho de ferro.

Numa tarde tranquila, meses depois, os dois sentados na varanda da casa que tinha se tornado, aos poucos, um verdadeiro lar, Clara olhou para ele e perguntou:

— Você tem arrependimentos? De tudo o que fez pra chegar até aqui?

Leo pensou por um longo momento antes de responder, os olhos fixos no horizonte alaranjado do pôr do sol.

— Todos os dias. Mas também sei que sem cada decisão errada, cada escolha difícil, eu nunca teria chegado até você.

Clara apoiou a cabeça no ombro dele, sentindo, pela primeira vez em muito tempo, algo parecido com paz.

E você — já parou pra pensar no que estaria disposto a sacrificar por quem realmente ama?

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