O Chefão da Máfia a Ouviu Insultá-lo em Italiano — Depois Sussurrou Algo que Mudou Tudo

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Chapter 3

Anna encerrou a ligação rapidamente, prometendo à mãe que explicaria tudo depois, o coração ainda martelando no peito enquanto o carro avançava pelas ruas de Manhattan.

Lorenzo observava ela em silêncio, os olhos atentos demais pra parecerem casuais.

— Sua mãe reconheceu o sobrenome também.

Não era pergunta.

— Todo napolitano da geração dela reconhece, aparentemente.

— E o que exatamente ela reconheceu?

Anna olhou pela janela, tentando decidir o quanto revelar.

— Minha mãe fugiu de Palermo comigo quando eu tinha oito anos. Nunca me contou os detalhes completos, só que tinha a ver com dívidas, com gente perigosa, e com meu pai desaparecer uma noite e nunca mais voltar.

O rosto de Lorenzo, pela primeira vez desde que ela o conhecia, mostrou algo genuíno — não surpresa exatamente, mas um reconhecimento cauteloso.

— Qual era o nome do seu pai?

— Salvatore Conti. Por quê?

Lorenzo ficou em silêncio por um momento longo demais pra ser confortável.

— Esse nome me é familiar, de uma forma que eu preciso confirmar antes de dizer qualquer coisa precipitada.

— Você conhece meu pai?

— Eu conheço histórias sobre um Conti que trabalhou pra minha família há mais de quinze anos, em Palermo, antes de qualquer coisa se mudar pra Nova York. Mas preciso verificar se é a mesma pessoa antes de te dar falsas esperanças, ou falsos medos.

O carro parou em frente a um prédio discreto no Upper East Side, sem placa nenhuma identificando o que era.

— Onde estamos? — Anna perguntou.

— Um dos meus escritórios privados. É aqui que a reunião vai acontecer.

Dentro, o ambiente era surpreendentemente elegante, longe do clichê que Anna esperava de um escritório ligado à máfia — mais parecido com a sede discreta de uma empresa de investimentos de alto padrão.

— A reunião é com quem, exatamente? — ela perguntou, seguindo Lorenzo por um corredor silencioso.

— Representantes de uma família napolitana que está tentando expandir influência em Nova York sem minha permissão. Eles só falam napolitano de rua, deliberadamente, pra testar quem realmente entende os códigos e quem está só fingindo entender por respeito superficial.

— E você precisa de mim porque…

— Porque eu falo o dialeto formal, aprendido, mas você fala o dialeto de rua, de verdade, do jeito que só quem cresceu ali fala. Isso vai fazer com que eles subestimem sua presença, o que me dá vantagem.

— Então eu sou, o quê, uma arma secreta?

Lorenzo parou, virando-se pra encará-la diretamente.

— Você é alguém cuja inteligência e instinto eu reconheci em três minutos de conversa no saguão de um hotel. Isso não é pouca coisa, Anna.

Antes que ela pudesse responder, a porta da sala de reuniões se abriu, revelando três homens de terno escuro, expressões duras, claramente esperando por eles.

O homem mais velho, de cabelos grisalhos, olhou pra Anna com uma curiosidade calculista.

— Quem é essa? — ele perguntou, em napolitano fechado, claramente testando se ela entendia.

Anna respondeu no mesmo dialeto, sem hesitar, a voz firme.

— Alguém que entende perfeitamente cada palavra que vocês pensam que só nós, italianos de verdade, conseguimos entender.

Um silêncio tenso se instalou na sala, os três homens trocando olhares surpresos.

Lorenzo, ao lado dela, mal conseguiu esconder um sorriso satisfeito.

A reunião prosseguiu, tensa, cheia de meias palavras e ameaças veladas em dialeto, com Anna traduzindo nuances que Lorenzo, apesar de fluente, não captava completamente — expressões regionais específicas, códigos de respeito entre famílias antigas, sutilezas que só quem tinha vivido aquilo na pele conseguia decifrar.

No fim da reunião, os representantes saíram visivelmente menos confiantes do que tinham chegado, a vantagem completamente do lado de Lorenzo.

— Você acabou de evitar uma guerra territorial que ia custar meses de negociação — Lorenzo disse, assim que ficaram sozinhos.

— Fico feliz em ajudar. Isso encerra nosso acordo de uma noite?

Ele a encarou, algo indecifrável cruzando o rosto dele.

— Antes de você ir, preciso te mostrar uma coisa. Sobre seu pai.

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