Chapter 5
Lorenzo dobrou a segurança ao redor de Anna imediatamente, insistindo que ela ficasse na propriedade dele até a situação com a família rival ser completamente resolvida.
— Isso é ridículo — ela protestou, mesmo sabendo, no fundo, que ele provavelmente tinha razão. — Eu ajudei numa única reunião. Isso não deveria me tornar alvo de retaliação.
— No nosso mundo, Anna, uma única reunião é suficiente pra mudar completamente como as pessoas te enxergam. Você não é mais só uma concierge. Agora você é vista como alguém próxima de mim, o que te torna, automaticamente, relevante estrategicamente.
Nos dias seguintes, enquanto Lorenzo trabalhava incansavelmente pra neutralizar a ameaça da família rival, Anna passou a conhecer, aos poucos, um lado dele que contrastava completamente com a frieza calculista do primeiro encontro.
Ele checava, todas as noites, se ela tinha jantado direito.
Trazia livros sobre história italiana que ele achava que ela poderia gostar, deixando-os discretamente na mesinha ao lado da cama de hóspedes.
Perguntava, com genuína curiosidade, sobre as memórias que ela ainda guardava de Palermo, tentando entender melhor a mulher que sua família tinha, indiretamente, tanto prejudicado.
— Você não precisa fazer isso — Anna disse, numa dessas noites, encontrando ele na biblioteca, revisando relatórios de segurança.
— Fazer o quê?
— Compensar os erros da sua família cuidando de mim como se eu fosse… importante.
Lorenzo fechou o relatório, encarando-a com uma intensidade que a deixou sem fôlego.
— Anna, eu não estou fazendo isso só por culpa herdada. Estou fazendo isso porque, cada dia que passa, eu descubro mais motivos genuínos pra querer que você fique por perto, independente de qualquer história do passado.
O coração dela disparou.
— Isso é perigoso, Lorenzo. Nos dois sentidos.
— Eu sei. Mas, pela primeira vez em muito tempo, acho que vale o risco.
A confrontação final com a família rival aconteceu duas semanas depois, num encontro tenso organizado num terreno neutro, com Lorenzo trazendo provas concretas de que o ataque simbólico ao hotel tinha violado acordos estabelecidos entre as famílias há décadas.
— Vocês atacaram um estabelecimento civil, colocando inocentes em risco, por causa de uma negociação que perderam de forma justa — Lorenzo declarou, a voz fria e controlada. — Isso quebra qualquer trégua que possamos ter tido.
O líder da família rival, encurralado pelas próprias evidências, foi forçado a recuar publicamente, aceitando pesadas concessões territoriais como forma de reparação.
Quando tudo finalmente se resolveu, Lorenzo encontrou Anna no terraço da propriedade dele, observando as luzes de Manhattan brilhando à distância.
— Está tudo resolvido — ele disse, se aproximando. — Você está segura agora, de verdade.
— E o que isso significa pra mim agora? Eu volto pro hotel, finjo que nada disso aconteceu?
Lorenzo hesitou, algo vulnerável cruzando o rosto dele pela primeira vez desde que ela o conhecia.
— Só se for isso que você quiser. Mas, se você quiser ficar, eu adoraria muito mais te conhecer de verdade, sem urgências, sem ameaças, sem heranças de família pesando entre nós.
Anna olhou pra ele, pensando em tudo que tinha acontecido em apenas algumas semanas — a raiva, a dor da verdade sobre o pai, o medo, mas também aquela conexão inesperada que tinha crescido entre eles, genuína demais pra ignorar.
— Eu não vou ficar por dívida, nem por culpa herdada, Lorenzo. Se eu ficar, vai ser porque eu escolhi.
— Isso é exatamente tudo que eu poderia pedir.
Ela se aproximou, tocando o rosto dele com cuidado.
— Então acho que, por enquanto, eu escolho ficar.
Ele sorriu, genuíno, livre de qualquer cálculo estratégico pela primeira vez desde que Anna o conhecia, e a puxou pra perto, selando aquela escolha com um beijo que carregava tudo que as palavras ainda não tinham conseguido dizer completamente.
Meses depois, com a verdade sobre Salvatore Conti finalmente reconhecida publicamente dentro da organização, e um fundo de reparação estabelecido em nome dele pra ajudar outras famílias injustamente prejudicadas ao longo dos anos, Anna e Lorenzo construíram, aos poucos, algo genuíno entre as ruínas de um passado que nenhum dos dois tinha escolhido.
Quantas vezes a verdade sobre quem realmente somos está enterrada nas escolhas e nos erros de gerações inteiras antes de nós, esperando só a coragem de alguém pra finalmente vir à tona?
