O Chefão da Máfia a Ouviu Insultá-lo em Italiano — Depois Sussurrou Algo que Mudou Tudo

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Chapter 4

Lorenzo a levou até um escritório privado, menor, no fundo do prédio, trancando a porta atrás deles.

De uma gaveta trancada, tirou uma pasta antiga, as bordas amareladas pelo tempo.

— Isso pertence aos arquivos da minha família, guardados há mais de quinze anos.

Ele entregou a pasta a Anna, as mãos dela tremendo levemente ao abrir.

Dentro, fotografias antigas, desbotadas — um homem jovem, de sorriso largo, que ela reconheceria em qualquer lugar do mundo, mesmo depois de tantos anos.

Seu pai.

— Salvatore Conti trabalhava pra minha família em Palermo, como contador — Lorenzo explicou, a voz cuidadosa. — Ele descobriu, na época, que meu tio estava desviando dinheiro da organização, incriminando outras pessoas pra cobrir os rastros.

O coração de Anna disparou.

— O que aconteceu com ele?

— Ele tentou expor a verdade pro meu pai, na época o verdadeiro chefe da família. Meu tio, descobrindo isso antes que a verdade chegasse, forjou provas fazendo parecer que era Salvatore quem estava roubando.

— Isso é mentira. Meu pai nunca roubaria ninguém.

— Eu sei disso agora, Anna. Porque, três anos atrás, descobri documentos que provam que foi meu próprio tio quem forjou tudo. Mas, na época, meu pai, acreditando nas provas falsas, ordenou que Salvatore fosse… removido.

O mundo de Anna pareceu desabar.

— Removido como?

Lorenzo hesitou, os olhos carregados de um peso que ela não esperava ver num homem como ele.

— Executado, Anna. Numa ordem que meu próprio pai deu, baseado em mentiras que meu tio construiu.

Lágrimas começaram a escorrer, incontroláveis.

— Você está me dizendo que a família Moretti matou meu pai?

— Estou te dizendo que minha família cometeu um erro terrível, baseado em manipulação, e que sua mãe fugiu com você porque temia, corretamente, que vocês duas também fossem alvos, caso alguém decidisse que testemunhas da verdade precisavam ser silenciadas.

Anna sentiu raiva, dor e confusão se misturando de um jeito insuportável.

— E você sabia disso o tempo todo? Desde quando?

— Descobri completamente há três anos, quando assumi o controle da organização depois da morte do meu pai. Meu tio já tinha morrido antes disso, então não pude puni-lo diretamente, mas localizei todas as famílias afetadas pelos erros dele, tentando, discretamente, corrigir o que fosse possível.

— E por que você não me procurou antes, se sabia quem eu era?

— Porque eu não sabia quem você era, Anna. Até essa noite, até você me insultar em napolitano de rua no saguão daquele hotel, eu nunca tinha conectado o rosto de Salvatore Conti com uma concierge de Manhattan.

Ela ficou em silêncio, absorvendo tudo aquilo, a raiva competindo com uma dor antiga, nunca completamente resolvida.

— O que você pretende fazer agora, sabendo disso? — perguntou, finalmente.

— Vou corrigir o que der pra corrigir. Vou reconhecer publicamente, dentro da nossa organização, que Salvatore Conti foi injustamente acusado e executado. Vou garantir compensação financeira pra você e sua mãe, e, se você quiser, vou revelar a verdade completa sobre quem realmente cometeu os crimes que destruíram a reputação do seu pai.

— Isso não vai trazer ele de volta.

— Não vai. Mas pode trazer justiça, mesmo que atrasada quinze anos.

Anna encarou aquele homem — poderoso, perigoso, mas com uma sinceridade genuína que ela não esperava encontrar ali.

— Por que você está fazendo isso? Você poderia simplesmente ter escondido tudo isso de mim.

— Porque, Anna, eu passei minha vida inteira limpando os erros que meu tio e, indiretamente, meu próprio pai cometeram. E porque, desde o momento em que te vi no saguão daquele hotel, eu soube que você merecia mais do que mentiras herdadas de uma geração que já não está mais aqui pra se explicar.

Antes que Anna pudesse responder, o celular de Lorenzo vibrou, uma mensagem urgente aparecendo na tela.

O rosto dele endureceu instantaneamente.

— O que foi? — ela perguntou, o medo voltando.

— A família que veio negociar hoje. Parece que eles não aceitaram tão bem a derrota quanto pensávamos. Alguém plantou uma bomba de fumaça no saguão do hotel onde você trabalhava, como retaliação simbólica.

— Meu Deus. Alguém se machucou?

— Não, felizmente. Mas isso é um aviso, Anna. Um aviso de que, agora que você esteve na minha reunião, você se tornou visível pra pessoas que preferem resolver desacordos com violência.

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