Chapter 2
As portas se abriram com força total.
Dominic Russo entrou no salão como se o mundo inteiro tivesse combinado de parar para ele.
O terno estava amassado, a gravata solta no pescoço, e os olhos dele encontraram os meus antes de qualquer outra coisa naquela sala.
Por um instante, ninguém respirou.
Adrian Cross foi o primeiro a quebrar o silêncio. Deu um passo à frente, ainda com a taça na mão, um sorriso lento se formando no rosto.
— Russo. Que surpresa agradável.
— Tire as mãos da minha esposa — Dominic disse, sem nem olhar para ele.
Só que Adrian nem tinha encostado em mim.
Eu estava sozinha no meio daquele salão, de vestido vermelho, com todos os olhos em cima de mim, e Dominic falando como se eu fosse propriedade dele outra vez.
— Sua esposa? — repeti, baixinho, só para mim mesma.
Ele finalmente olhou nos meus olhos.
— Claire. Vem comigo. Agora.
— Não.
A palavra saiu mais firme do que eu esperava.
Um murmúrio passou pela sala. Ninguém dizia “não” para Dominic Russo em público. Eu nunca tinha dito.
Adrian se aproximou, gentil, quase divertido com a cena.
— A dama disse não, Dominic.
— Isso não é da sua conta, Cross.
— Ah, mas ela está na minha casa. Isso torna da minha conta, sim.
Dominic deu um passo na direção dele. Os seguranças de Adrian se moveram junto, discretos, prontos.
Eu senti o coração bater na garganta, mas não recuei.
— Dominic — eu disse. — Há uma hora você me disse que nunca me quis. Agora está aqui, na frente de todo mundo, me chamando de sua esposa. Escolhe uma versão e continua nela.
O rosto dele se fechou.
— Não é hora nem lugar para isso.
— Você que fez virar o lugar errado. Eu só vim para uma festa.
Alguém no fundo do salão riu, baixinho, tentando disfarçar.
Adrian aproveitou o silêncio tenso para se colocar ao meu lado, só um pouco mais perto do que deveria.
— Sabe, Claire — ele disse, olhando para Dominic o tempo todo —, você é bem-vinda aqui sempre que quiser. Ao contrário do meu amigo Russo, eu sei reconhecer quando uma mulher merece ser tratada como rainha.
— Não brinca com isso, Adrian — Dominic falou, a voz baixa, perigosa.
— Não estou brincando com nada. Só estou impressionado que você tenha deixado ela sair de casa vestida assim. Foi descuido seu, ou ela decidiu sozinha?
Dominic não respondeu. A mandíbula travada, os punhos fechados ao lado do corpo.
Eu olhei para os dois homens — o marido que nunca me quis, e o inimigo que parecia querer demais, rápido demais.
— Eu decidi sozinha — falei, alto o bastante para todos ouvirem. — Da mesma forma que decidi vir aqui. Ninguém me trouxe. Ninguém vai me levar embora se eu não quiser.
Dominic finalmente olhou para mim, e por um segundo, só um segundo, algo diferente passou pelos olhos dele. Não era raiva.
Era medo.
Mas antes que eu pudesse entender o que aquilo significava, Adrian ergueu a taça mais uma vez.
— Já que estamos todos aqui — ele anunciou para o salão inteiro —, que tal brindarmos à esposa mais corajosa de Chicago?
Ninguém se moveu.
Dominic deu mais um passo à frente, agora sem se importar com os seguranças.
— Claire vem comigo. Agora. E você, Cross, devia lembrar por que nunca convido você para nada.
— E você devia lembrar — Adrian respondeu, a voz de repente sem nenhum traço de humor — que existe uma dívida entre nossas famílias que não tem nada a ver com sua esposa. Uma dívida que talvez ela devesse conhecer.
O salão inteiro pareceu prender a respiração.
Dominic ficou branco.
— Não. Faça. Isso.
Adrian sorriu, devagar, olhando para mim.
— Quer saber a verdadeira história de como você virou esposa dele, Claire?
