Chapter 3
O silêncio no salão ficou pesado, quase físico.
Dominic deu mais um passo à frente, a voz baixa como uma ameaça guardada há anos.
— Adrian, eu juro que se você abrir a boca…
— Vai fazer o quê? — Adrian riu, sem humor nenhum dessa vez. — Na frente de todo mundo, na minha casa?
Eu olhei de um para o outro, sentindo que alguma coisa maior do que um casamento infeliz estava prestes a explodir ali.
— Alguém vai me explicar o que está acontecendo? — falei, e minha voz não tremeu dessa vez.
Adrian se virou para mim, o sorriso voltando, mas mais frio agora.
— Seu pai não devia dinheiro só para a família Russo, Claire.
Senti o chão balançar sob meus pés salto alto.
— Do que você está falando?
— Ele devia para mim primeiro.
Dominic fechou os olhos por um segundo, como se aquilo fosse a última coisa que ele queria ouvir sair da boca de Adrian.
— Isso é mentira — Dominic disse, mas a voz dele não soou tão segura quanto as palavras.
— Não é mentira nenhuma. — Adrian deu um passo na minha direção, ignorando Dominic completamente. — Seu pai perdeu dinheiro meu num negócio que deu errado. Eu ia cobrar a dívida do jeito que costumo cobrar. E foi Dominic quem apareceu antes de mim, comprou a dívida da minha frente, e ofereceu ao seu pai um acordo mais… civilizado.
— Casar comigo — completei, a voz quase um sussurro.
— Exatamente.
Olhei para Dominic. Ele não desviou o olhar, mas também não negou.
— Você sabia disso? — perguntei. — Sabia que era Adrian quem ia cobrar a dívida primeiro?
— Claire, não é tão simples quanto ele está fazendo parecer.
— Então explica. Simples.
Dominic passou a mão pelo rosto, cansado, como se estivesse carregando aquilo havia muito tempo.
— Eu soube que Adrian ia usar a dívida do seu pai para chegar até você. Ele tem esse hábito — usar mulheres como moeda de troca em acordos que não têm nada a ver com elas.
— E o que você fez foi diferente como? — perguntei. — Você também me usou. Só que com um contrato de casamento em vez de outra coisa.
— Eu te protegi.
— Você me trancou numa casa grande e bonita, e me disse “eu nunca te quis”. Isso não é proteção, Dominic. Isso é posse.
Adrian assistia àquilo tudo como quem assiste a um filme favorito.
— Ela tem razão, sabia — ele disse, se divertindo. — Você não a salvou. Só chegou primeiro.
— Cala a boca, Adrian.
— Não, deixa ele falar — eu disse, sem olhar para nenhum dos dois. — Eu quero ouvir tudo.
Adrian se aproximou mais um pouco, e dessa vez Dominic realmente se moveu, ficando entre nós dois.
— Não chega mais perto dela.
— Relaxa, Russo. Eu não vou tocar na sua esposa. — Adrian ergueu as mãos, num gesto de paz que não enganava ninguém. — Só vim aqui terminar o que devia ter terminado há oito meses.
— O que isso quer dizer? — perguntei.
Adrian olhou direto para mim, e pela primeira vez a voz dele perdeu o tom de brincadeira.
— Quer dizer que a dívida do seu pai nunca foi realmente paga, Claire. Dominic só… adiou o problema. E hoje, essa dívida vence.
O salão inteiro parecia estar prendendo a respiração junto comigo.
— Do que você está falando? — Dominic perguntou, e pela primeira vez na noite, a voz dele soou genuinamente perdida.
— Seu contrato com o pai dela tinha uma cláusula, Russo. Se o casamento terminasse antes de completar um ano… a dívida original — a minha — voltaria a valer. Com juros.
Senti as pernas fraquejarem.
— E como você sabe disso? — Dominic perguntou, os olhos estreitos.
Adrian sorriu, lento, satisfeito.
— Porque fui eu quem escreveu essa cláusula. E foi você quem assinou sem ler direito, com pressa demais para salvar a garotinha bonita.
Meu mundo inteiro pareceu se reorganizar naquele segundo.
Eu não era só peça de um acordo entre dois homens.
Eu era o gatilho de uma bomba que os dois tinham fingido desarmada por oito meses.
E há uma hora, no escritório da nossa casa, Dominic tinha acabado de dizer as palavras exatas que fariam aquela bomba explodir.
