Oito meses depois do meu casamento arranjado, meu marido — chefe da máfia — finalmente olhou nos meus olhos e disse: “Eu não te quero como esposa, Claire. Nunca quis.”

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Chapter 4

Fiquei parada, tentando entender o tamanho do que tinha acabado de ouvir.

— Espera — falei, olhando para Dominic. — Você disse “eu não te quero como esposa” há uma hora. Isso conta como o casamento terminando?

Dominic ficou branco.

— Não. Não necessariamente. Palavras não são um divórcio, Claire.

— Mas ele — apontei para Adrian — está aqui, na frente de testemunhas, dizendo que existe uma cláusula. E parece bem feliz com isso.

Adrian ergueu a taça, num brinde silencioso a si mesmo.

— Eu simplesmente adoro quando os planos das pessoas desmoronam na hora certa.

— Você planejou isso — Dominic disse, entendendo алgo. — Você sabia que eu ia brigar com ela hoje.

— Eu não sabia de nada, Russo. Só sei ler pessoas. E vocês dois, juntos naquela casa fria, sem trocar duas palavras verdadeiras em oito meses? Isso não durava.

Olhei para Dominic, buscando alguma explicação, qualquer coisa que fizesse sentido daquilo tudo.

— Existe alguma forma de anular essa cláusula? — perguntei, direto.

— Existe — Adrian respondeu no lugar dele, claramente gostando de ser o centro da atenção. — Se o casamento for reafirmado publicamente. Diante de testemunhas. Nos próximos… digamos, vinte e quatro horas.

— Reafirmado como? — perguntei.

— Um gesto. Uma declaração. Algo que prove que o casamento é real, e não só um pedaço de papel assinado sob pressão.

Dominic olhou para mim, e pela primeira vez em oito meses, vi alguma coisa quebrar naquele rosto sempre controlado.

— Claire, eu sinto muito.

— Não. — Levantei a mão, parando ele. — Não faz isso agora. Não finge que se importa na frente de todo mundo só porque tem uma dívida em jogo.

— Não é sobre a dívida.

— Então é sobre o quê, Dominic? Porque há uma hora você deixou bem claro que eu nunca fui nada além de um contrato para você.

Ele deu um passo na minha direção, ignorando Adrian, ignorando o salão inteiro observando.

— Eu menti.

As palavras caíram entre nós como pedras.

— O quê?

— Eu disse que nunca te quis porque era mais fácil do que admitir o contrário.

Meu coração batia tão forte que eu quase não conseguia ouvir o resto da sala.

— Mais fácil como, Dominic?

— Porque se eu admitisse que me importo com você, eu ia ter que admitir que sou fraco. E homens como eu não podem ser fracos. Não no meu mundo.

Adrian bufou, claramente achando aquilo tudo ridículo.

— Que comovente. Chorem juntos depois. Agora, tecnicamente, vocês têm um problema de vinte e quatro horas para resolver.

Ignorei ele completamente, olhando só para Dominic.

— Por oito meses você dormiu em outro quarto. Por oito meses você mal olhou para mim. E agora, porque tem uma dívida vencendo, de repente eu importo?

— Não é por causa da dívida.

— Prova.

Dominic olhou em volta, para o salão inteiro observando, para Adrian sorrindo satisfeito, e então, devagar, se ajoelhou na minha frente.

Um murmúrio percorreu a sala inteira.

— Claire Russo — ele disse, minha mão entre as dele, a voz falhando pela primeira vez em oito meses. — Eu passei oito meses fingindo que não sentia nada, porque sentir alguma coisa por você parecia mais perigoso do que qualquer inimigo que eu já enfrentei. Eu estava errado. E eu não quero te provar nada por causa de uma cláusula de contrato. Eu quero uma segunda chance porque, sem perceber, você virou a única coisa real na minha vida inteira.

Olhei para ele, sentindo lágrimas que eu não sabia que estavam ali.

Mas antes que eu pudesse responder qualquer coisa, Adrian deu uma risada seca.

— Bonito discurso, Russo. Só uma pergunta: ela vai acreditar em você, ou vai lembrar que você só disse isso depois de descobrir que ia perder dinheiro?

Todos os olhos se viraram para mim, esperando.

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