Chapter 5
Olhei para Dominic, ainda ajoelhado, minha mão presa entre as dele, e depois olhei para Adrian, que parecia genuinamente curioso com o que eu ia fazer.
— Levanta, Dominic — falei, baixinho.
Ele levantou, devagar, os olhos ainda presos nos meus, esperando o veredito.
— Eu não vou responder agora — falei, alto o bastante para o salão inteiro ouvir. — Nem para você, nem para ele, nem para essa dívida idiota que dois homens decidiram sozinhos há oito meses.
Um silêncio diferente tomou conta da sala. Não era mais tensão. Era surpresa.
— Claire… — Dominic começou.
— Não terminei.
Ele fechou a boca.
— Por oito meses, minha vida inteira foi decidida por outras pessoas. Meu pai decidiu que valia mais a pena me trocar por uma dívida. Você decidiu me tratar como um contrato. E agora Adrian decide que tem o direito de usar minha vida pessoal como arma contra você.
Adrian abriu a boca para responder, mas alguma coisa no meu olhar o fez fechar de novo.
— Eu estou cansada de ser a peça que os homens da minha vida movem no tabuleiro deles.
Virei para Dominic.
— Se você realmente sente o que acabou de dizer, prove. Não aqui, não na frente de testemunhas, não por causa de uma cláusula. Prove amanhã, na segunda-feira que vem, daqui a um ano. Prove todos os dias, sem ninguém olhando.
— E a dívida? — Adrian perguntou, quase desapontado que a cena não tivesse terminado do jeito que ele esperava.
Encarei ele.
— A dívida é problema seu e dele para resolverem como homens de negócio que vocês tanto gostam de ser. Não vou deixar vocês usarem meu casamento, real ou falso, como moeda de barganha nunca mais.
Me virei para a saída, e o salão inteiro se abriu para me deixar passar, como se todos ali entendessem que aquele não era mais um momento para assistir.
Dominic me seguiu até o carro, em silêncio, e só falou quando estávamos os dois dentro, longe dos olhos de todos.
— Para onde vamos? — ele perguntou.
— Para casa. Meu irmão precisa de mim amanhã cedo, e eu preciso dormir.
Ele assentiu, ligando o carro, e por um bom tempo nenhum dos dois disse nada.
Foi só quando entramos na estrada, as luzes de Chicago passando pela janela, que ele finalmente falou de novo.
— Eu vou provar, Claire. Todos os dias. Sem plateia.
— Eu sei que você vai tentar — respondi. — Mas confiança não se recupera numa noite, Dominic. Nem com um discurso bonito na frente dos inimigos.
— Eu sei.
— Então vamos com calma. Sem contrato me obrigando a nada. Sem dívida pendurada sobre nossas cabeças. Só nós dois, decidindo de verdade, dia a dia, se isso vale a pena.
Ele olhou para mim, rapidamente, os olhos brilhando de um jeito que eu nunca tinha visto antes naqueles oito meses.
— E se eu provar?
Sorri, olhando para frente, para a estrada, para a vida que ainda não sabia exatamente como seria.
— Então talvez, um dia, eu tire esse vestido vermelho do fundo do guarda-roupa de novo. Mas dessa vez, por escolha minha, não por vingança.
Nos meses que se seguiram, os papéis da dívida foram resolvidos entre advogados, longe de mim, exatamente como eu tinha exigido.
Adrian nunca mais apareceu na nossa vida — soube, meses depois, que ele tinha problemas maiores para resolver do que um casamento que não conseguiu destruir.
E Dominic, devagar, sem plateia, sem discursos grandiosos, começou a chegar em casa na hora certa. Começou a perguntar sobre meu dia. Começou a dormir na suíte principal, no lado da cama que sempre esteve vazio.
Não foi da noite para o dia. Não foi perfeito.
Mas foi real.
E, no fim, foi isso que eu escolhi acreditar: não em discursos feitos sob pressão, mas em ações repetidas todos os dias, sem ninguém observando.
Quantas vezes vocês já aceitaram menos do que mereciam, só porque tinham medo de descobrir que podiam pedir mais?
