Chapter 5
Chegamos ao campus em quarenta minutos, um trajeto que normalmente levaria uma hora.
Dominic dirigiu como se o carro fosse capaz de romper o próprio tempo.
Dois seguranças já esperavam perto do dormitório de Noah, tensos, de mãos vazias — sinal de que, por enquanto, nada tinha acontecido.
Encontramos Noah são e salvo, sentado na sala comum, mexendo no celular, sem a menor ideia do que quase tinha acontecido.
“Claire?” Ele se levantou, confuso. “O que você está fazendo aqui essa hora?”
Eu o abracei tão forte que ele riu, sem entender.
“Você está bem,” eu disse, mais pra mim mesma do que pra ele. “Você está bem.”
Dominic ficou um passo atrás, observando, o alívio visível nos ombros dele.
Foi só depois, no carro de volta, com Noah alojado numa casa segura da família Russo por precaução, que Dominic e eu finalmente ficamos sozinhos de novo.
“Isso não pode se repetir,” eu disse.
“Não vai.”
“Como você tem tanta certeza?”
Dominic ficou quieto por um momento, olhando pra estrada.
“Porque amanhã de manhã eu vou até Adrian Cross e vou fazer o que deveria ter feito há dez anos,” ele disse. “Não com violência. Com verdade. Vou contar pra ele o que realmente aconteceu na noite em que o pai dele morreu — que eu implorei pro meu pai parar, e apanhei por isso na frente de todo mundo. Ele nunca soube.”
“Por que você nunca contou?”
“Porque contar pareceria fraqueza. E eu passei a vida toda fugindo de parecer fraco.” Ele me olhou. “Foi por isso que também fugi de você.”
Chegamos em casa quando o céu já começava a clarear.
A mesa do jantar ainda estava lá, do jeito que eu tinha deixado.
Dominic se aproximou dela, olhou pras velas apagadas, pro risoto frio, e fez algo que eu nunca esperava: começou a arrumar tudo de novo, com as próprias mãos, tirando os pratos velhos, pegando louça limpa no armário.
“O que você está fazendo?”
“Terminando o jantar que você começou,” ele disse. “Oito meses atrasado, mas terminando.”
Sentamos os dois, à mesa, pela primeira vez desde o casamento.
“Isso não conserta tudo,” eu disse.
“Eu sei.”
“Vai levar tempo.”
“Eu sei disso também.” Ele hesitou. “Mas eu gostaria de tentar. De verdade dessa vez. Sem dívida, sem meu pai, sem nada nos obrigando. Só nós dois escolhendo, todo dia, se ainda faz sentido continuar.”
Eu olhei pra ele — pro homem que tinha me machucado, que também tinha crescido dentro de uma ferida que nunca cicatrizou, que hoje, pela primeira vez, escolheu me proteger antes de proteger o próprio orgulho.
“Um dia de cada vez,” eu disse, finalmente. “Sem promessas grandes. Só isso.”
Dominic assentiu, e por baixo daquele controle todo que ele sempre carregava, eu vi, talvez pela primeira vez, alguma coisa parecida com esperança.
Lá fora, o sol nascia sobre Lake Forest, e pela primeira vez em oito meses, a casa não parecia mais gelada.
Quantas vezes, na sua própria vida, você já teve que decidir entre proteger seu orgulho ou proteger quem você ama?
