Chapter 4
Dominic atendeu no viva-voz, a mão tão apertada no telefone que os nós dos dedos ficaram brancos.
“Fala.”
“Boa noite, Russo.” A voz de Adrian saía calma, quase alegre demais. “Espero não estar atrapalhando a reconciliação.”
“O que você quer?”
“Eu quero que você conte pra sua esposa a parte que você ia contar antes de eu ligar.” Uma pausa. “Ou eu conto.”
Dominic fechou os olhos.
“Adrian, não.”
“O pai dela, Russo. Conta.”
Eu me aproximei do telefone.
“O que tem o meu pai?”
Silêncio do outro lado. Depois, a voz de Adrian, quase gentil:
“Seu pai não devia dinheiro a bandidos aleatórios, querida. Ele devia dinheiro a mim. Eu que vendi a dívida pra família Russo, sabendo exatamente o que ia acontecer com você.”
O chão pareceu se mover debaixo dos meus pés.
“Isso é mentira,” eu disse, mas minha voz não saiu tão firme quanto eu queria.
“Pergunta pro seu marido.”
Eu me virei pra Dominic.
Ele não conseguiu me olhar nos olhos.
“É verdade,” ele disse, baixinho.
“Você sabia.” Minha voz tremeu. “Você sabia que ele vendeu a dívida sabendo o que ia acontecer comigo, e nunca me contou.”
“Eu queria te contar—”
“Quando? Depois de mais oito meses de silêncio?”
Do telefone, Adrian riu, satisfeito.
“Vejo que ainda tenho talento pra estragar o jantar dos outros,” ele disse. “Ah, e Claire — seu irmão, Noah. Ele está bem, seguro na faculdade, longe de tudo isso. Por enquanto.”
O sangue gelou nas minhas veias.
“É uma ameaça?” Dominic quase gritou no telefone.
“É um lembrete,” Adrian respondeu. “De que eu ainda tenho peças no tabuleiro que você esqueceu de proteger. Boa noite, Russo. Claire, foi um prazer te ver de vermelho.”
A ligação caiu.
O silêncio que ficou era o pior de todos.
“Você vai proteger o Noah,” eu disse, a voz tremendo de raiva e medo ao mesmo tempo. “Agora. Essa noite.”
“Já mandei dois homens pra perto do campus assim que ele mencionou o nome dele.” Dominic já estava digitando no celular, rápido, os dedos ágeis apesar do desespero no rosto. “Claire, eu juro que ele não vai chegar perto do Noah.”
“Como eu confio em você depois disso?”
“Você não precisa confiar em mim.” Ele finalmente ergueu os olhos pra mim. “Precisa só me deixar consertar isso. Depois, se você quiser ir embora, eu assino qualquer papel que você quiser.”
Aquilo me pegou de surpresa.
“Você me deixaria ir?”
“Eu deveria ter deixado há oito meses.” A voz dele quebrou de um jeito que eu nunca tinha ouvido. “Mas primeiro eu preciso garantir que o Noah e você fiquem em segurança. Depois disso, a escolha é sua.”
Meu celular vibrou na bolsa — uma mensagem de um número desconhecido.
Abri, e o ar saiu dos meus pulmões.
Era uma foto de Noah saindo da biblioteca da faculdade, tirada de longe, com uma legenda simples: “Ele é bonito. Seria uma pena.”
Mostrei a tela pra Dominic.
O rosto dele ficou branco, e pela primeira vez em oito meses, eu vi Dominic Russo com medo de verdade.
“Ele já está lá,” Dominic disse, pegando as chaves do carro. “Vamos agora.”
