Oito meses depois do nosso casamento arranjado, meu marido — chefe de uma das famílias mais poderosas de Chicago — finalmente me olhou nos olhos e disse: “Eu não te quero como esposa, Claire

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Chapter 2

As portas do salão se abriram com um estrondo, e o barulho das taças parou na hora.

Dominic Russo entrou como se a mansão de Adrian Cross fosse propriedade dele.

O paletó ainda estava com o primeiro botão fechado, a gravata ajeitada, mas os olhos — aqueles olhos que sempre pareciam calculados demais pra qualquer sentimento — estavam acesos de um jeito que eu nunca tinha visto.

Ele me encontrou no meio da multidão em menos de três segundos.

“Claire.”

Só isso. Meu nome, dito baixo, mas com um peso que fez até os seguranças de Adrian recuarem um passo.

“Dominic.” Eu sorri, do jeito mais calmo que consegui. “Não sabia que você também tinha sido convidado.”

“Eu não fui.”

Adrian se aproximou, com a taça ainda na mão, um sorriso satisfeito no rosto.

“Russo. Que surpresa agradável.” Ele olhou pra mim, depois pra Dominic. “Sua esposa é encantadora. Vermelho combina muito com ela.”

O maxilar de Dominic travou.

“Claire, vamos embora.”

“Ela pode ficar se quiser.” Adrian deu um passo à frente, se colocando quase entre nós dois. “A festa é minha. As regras também.”

Por um instante, o salão inteiro prendeu a respiração.

Eu conhecia aquele silêncio — era o mesmo silêncio que existia todas as noites entre mim e Dominic, só que agora tinha testemunhas.

“Você não tem ideia do que está fazendo,” Dominic disse, a voz baixa, quase um sussurro, mas dirigida só a Adrian.

“Tenho, sim.” Adrian sorriu mais ainda. “Estou fazendo exatamente o que você fez comigo há dez anos. Só que dessa vez, é a sua esposa quem escolheu entrar pela porta da frente.”

Alguma coisa passou pelo rosto de Dominic — não raiva. Alguma coisa mais funda. Mais antiga.

Eu olhei de um pra outro, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

“Do que ele está falando?” perguntei baixinho.

Dominic não respondeu.

“Ah, ela não sabe.” Adrian riu, um som seco, sem humor nenhum. “Claro que não sabe. Você nunca conta nada pra ninguém, não é, Russo?”

“Adrian.” A voz de Dominic tinha um aviso dentro.

“Relaxa.” Adrian ergueu as mãos, ainda sorrindo. “Não vou estragar a surpresa. Isso é história sua pra contar, se um dia você tiver coragem.”

Dominic segurou meu braço, gentil, mas firme.

“Vamos.”

Eu me soltei.

“Não.”

Os dois me olharam ao mesmo tempo.

“Você me disse hoje, na sua própria casa, que nunca me quis como esposa,” eu disse, olhando só pra Dominic agora, ignorando as dezenas de pessoas ao redor. “Então não tem mais nada que você possa me proibir de fazer.”

O silêncio que se seguiu doeu mais do que qualquer grito.

Adrian aproveitou a brecha.

“Fica,” ele disse, se virando pra mim. “Só por essa noite. Deixa eu te mostrar que existe vida fora da sombra dele.”

Dominic deu um passo à frente, e por um segundo achei que ele fosse acertar Adrian ali mesmo, na frente de todo mundo.

Mas ele parou.

Respirou fundo.

E quando falou de novo, a voz saiu diferente — não fria, não controlada. Quase quebrada.

“Claire, por favor.”

Foi a primeira vez, em oito meses, que ouvi ele dizer “por favor”.

Alguma coisa em mim vacilou.

Mas eu já tinha ido longe demais pra voltar sem entender o que estava escondido atrás daquele “por favor”.

“Eu vou,” eu disse. “Mas você vai me contar a verdade sobre o que existe entre vocês dois. Hoje. Sem editar nada.”

Dominic olhou pra Adrian, depois pra mim, e alguma coisa nos olhos dele parecia derrota.

“Tudo bem,” ele disse. “Vou contar tudo.”

Adrian ergueu a taça mais uma vez, sorrindo pro nada, enquanto Dominic me guiava pra fora, minha mão presa firme na dele — a primeira vez que ele me tocava assim em oito meses de casamento.

E enquanto atravessávamos o salão, senti os olhos de Adrian Cross grudados nas nossas costas, como quem só está começando o jogo.

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