POR CAUSA DO TAMANHO DELE, O CHEFÃO DA MÁFIA ERA REJEITADO POR TODAS AS MULHERES — ATÉ UMA CONFEITEIRA DESAJEITADA ACEITAR SE TORNAR SUA NOIVA

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Chapter 3

Fiquei sozinha na biblioteca por o que pareceram horas, embora provavelmente tenham sido apenas minutos, ouvindo vozes abafadas do outro lado da casa, nenhuma delas claramente reconhecível através das paredes grossas.

Quando a porta finalmente se abriu, não era Luca.

Era Elena, o rosto pálido, fechando a porta rapidamente atrás de si.

— Não temos muito tempo — ela disse, se aproximando. — Vittorio Conti é um rival antigo do nosso pai. Ele soube do casamento através de alguém dentro da nossa própria segurança.

— Por que isso importa tanto?

— Porque, Sofia, esse casamento nunca foi só sobre uma dívida do seu pai. Meu irmão precisa se casar antes do final do mês, ou perde o controle de uma parte significativa do território da família para Vittorio, de acordo com um acordo antigo que nosso pai fez anos atrás.

Aquela revelação caiu sobre mim como um balde de água fria.

— Espera. Então esse casamento é sobre negócio, não sobre a dívida do meu pai?

— É sobre ambos. Seu pai devia dinheiro para Luca. Luca precisava se casar rápido. As duas coisas se encaixaram perfeitamente para os dois lados, exceto que ninguém te contou a segunda parte.

— Por que isso é segredo? Por que Luca não me contou isso pessoalmente?

— Porque meu irmão tem orgulho demais para admitir que precisa se casar por necessidade, não por escolha. Ele preferiria que você acreditasse que era só sobre a dívida, do que saber que ele estava tão desesperado quanto seu pai.

Senti uma mistura complicada de raiva e compreensão se formando dentro de mim.

— E Vittorio? O que ele quer agora?

— Ele veio ver com os próprios olhos se o casamento é real, ou só uma manobra desesperada para atrasar o prazo.

— E é real?

Elena me olhou com atenção.

— Isso, Sofia, só você e meu irmão podem decidir.

Antes que eu pudesse processar completamente aquela informação, a porta se abriu novamente, dessa vez revelando Luca, o rosto tenso, mas controlado.

— Elena, saia, por favor.

Ela obedeceu, mas não sem antes trocar um olhar significativo comigo, uma promessa silenciosa de que a conversa não tinha terminado.

Assim que ficamos sozinhos, Luca se aproximou, parando a uma distância respeitosa, como se sentisse que qualquer proximidade agora precisasse ser conquistada, não assumida.

— Você sabe — falei, antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.

— Elena contou.

— Por que você não me contou antes?

Ele suspirou, esfregando o rosto com uma mão enorme.

— Porque eu já estava pedindo demais de você, Sofia. Casar com um estranho, mudar de vida completamente numa única noite. Não queria acrescentar a isso o peso de saber que eu também precisava desesperadamente desse casamento.

— Isso não muda o fato de que você escondeu algo importante de mim.

— Eu sei. E sinto muito por isso.

— O que Vittorio quer exatamente?

— Ele quer ver o casamento acontecer esta noite, com testemunhas dele presentes, ou ele vai declarar que a promessa da minha família com seu pai é inválida, e vai tomar o território que nos pertence por direito há gerações.

— E se eu disser não agora?

Luca ficou em silêncio por um longo momento, os olhos carregando um peso que eu não esperava ver num homem tão poderoso.

— Então eu perco tudo que minha família construiu, e seu pai perde a proteção que esse casamento oferecia contra os próprios credores dele.

A magnitude daquela decisão me atingiu com força total.

— Isso não é justo. Você está me colocando numa posição impossível.

— Eu sei. E se você quiser ir embora agora, vou providenciar para que você chegue em casa em segurança, sem nenhuma consequência para você.

— E para meu pai?

Ele não respondeu, e o silêncio dele foi resposta suficiente.

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