Chapter 4
— Preciso ligar para minha irmã — disse Angela, levantando-se de um salto. — Se os Castellano sabem sobre mim, podem ir atrás dela também.
— Já mandei uma equipe até a casa dela — informou Rafael, guardando o celular. — Discretamente, sem alarmá-la ainda.
— E a Miranda?
— Está sendo monitorada, mas ainda não abordada. Preciso entender o que ela sabe antes de agir.
Angela caminhou pela sala, a cabeça girando com informações demais para processar num único dia.
— Explica isso direito para mim. Quem são os Castellano, exatamente, e por que meu pai trabalhava para os dois lados?
Rafael se sentou, gesticulando para que ela fizesse o mesmo.
— Os Castellano são uma organização rival, baseada em Miami, que há anos tenta expandir operações para o território que minha família controla no leste. Seu pai, infelizmente, foi recrutado por eles há muitos anos, provavelmente através de dívidas de jogo que ele nunca conseguiu quitar.
— E ele trabalhava secretamente para os dois?
— Trabalhava para mim oficialmente, gerenciando algumas das minhas propriedades legítimas em Charleston. Mas os Castellano o pressionaram a desviar fundos através dessas propriedades, lavando dinheiro sujo disfarçado de lucros legítimos.
— E quando ele roubou os dez milhões…
— Ele essencialmente traiu os dois lados ao mesmo tempo. Escondeu dinheiro que pertencia à minha organização, provavelmente fundos que os Castellano esperavam receber como parte do esquema de lavagem.
— Por isso ele fugiu com a gente para o interior da Carolina do Sul, quando eu tinha doze anos.
— Fazia sentido, para um homem tentando escapar de duas organizações perigosas simultaneamente.
Angela sentiu uma onda de compaixão inesperada pelo pai que mal conhecera.
— Ele morreu tentando nos proteger, e eu passei a vida toda odiando a memória dele por ter ido embora.
Rafael observou-a com uma expressão que ela não conseguiu decifrar completamente.
— As pessoas raramente têm o luxo de explicações completas antes de julgarmos suas ações.
Antes que Angela pudesse responder, um dos homens de Rafael entrou apressado na sala.
— Senhor, localizamos Johnny Harris. Ele está tentando negociar diretamente com os Castellano, oferecendo informações sobre a localização da senhorita Fiore em troca de proteção.
O estômago de Angela revirou.
— Johnny está do lado deles agora?
— Parece que aceitar dinheiro de uma organização criminosa raramente vem sem obrigações adicionais — comentou Rafael, secamente.
— Precisamos impedi-lo antes que ele revele onde estamos.
— Já estou providenciando isso.
Rafael se levantou, dando ordens rápidas por telefone, coordenando uma operação que Angela mal conseguia acompanhar completamente.
Horas depois, veio a confirmação: Johnny tinha sido interceptado antes de conseguir passar qualquer informação relevante, e agora estava sob custódia dos homens de Rafael, aguardando decisão sobre seu destino.
Miranda, por sua vez, tinha sido finalmente confrontada, e confessara, entre lágrimas, que os Castellano a haviam recrutado anos atrás, prometendo ajuda financeira para a mãe doente dela em troca de informações sobre os movimentos de Angela, sempre que fosse relevante.
— Ela não sabia dos dez milhões — informou Rafael, voltando ao escritório onde Angela esperava, exausta emocionalmente. — Só sabia que deveria me avisar caso eu me aproximasse de você.
— Ela me traiu por dinheiro.
— Ela traiu você por desespero, tentando salvar a própria mãe. Isso não desculpa completamente, mas talvez explique.
Angela balançou a cabeça, tentando processar tantas traições e revelações no mesmo dia.
— O que acontece agora, Rafael? Com os Castellano, com Johnny, com tudo isso?
Ele se aproximou, parando diante dela com uma seriedade que carregava também algo mais suave por baixo.
— Agora, resolvemos isso definitivamente. E prometo que, dessa vez, você não vai enfrentar sozinha.
